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TunetRádio Cultura Primeiro
Filipe Mateus Pedro nasceu a 31 de janeiro de 1976, um sábado, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa. Com o berço estrategicamente colocado entre o Chiado e o Bairro Alto — paredes meias com o São Carlos e o São Luiz — o destino parecia traçado: o “vício” pela cultura era inevitável.
A formação começou cedo, entre milhares de VHS alugados e centenas de vinis e cassetes (algumas delas trocadas com professores no Secundário). Entre 1994 e 1999, passou pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Linguística e Estudos Ingleses e Alemães), onde não se limitou aos livros: criou o núcleo de rádio, colaborou com publicações como Os Fazedores de Letras ou Muzyka Magazine e, em 1996, fundou a revista Subcave ao lado de João Carlos Callixto e José Maria Antunes.
A viragem do milénio trouxe a rádio a sério. De 1999 a 2001, foi uma das vozes da Rádio Marginal em programas como “Área 51” ou “Canal Maquetes”, cobrindo festivais de referência como o Transmusicales de Rennes ou o Primavera Sound Barcelona. Pelo meio, em 2000, ainda arranjou tempo para levar 10 bandas de novos talentos (incluindo nomes como Rui Miguel Abreu ou Dr. Frankenstein) ao palco da Aula Magna.
Entre 2002 e 2005, viveu a efervescência da ClixTV — a primeira WebTV nacional — onde editou milhares de conteúdos com Filipe Araújo (realizador), Humberto Fonseca e Rita Cruz (escritora). Quando o projeto fechou, usou a indemnização para fundar a Fest Magazine, publicação dedicada a festivais que resistiu até 2021, ano em que o site foi doado ao Festival de Edimburgo.
Seguiram-se passagens pela PGM (editando desporto para a RTP2 e SportTV) e pelo jornal Destak. Ali, entre 2007 e 2008, tanto tomava o pequeno-almoço com Jean-Michel Jarre como editava uma entrevista a Manoel de Oliveira no dia do seu 100.º aniversário ou promovia encontros improváveis entre Tim (Xutos & Pontapés) e Phil Mendrix.
Em outubro de 2008, assume a coordenação da editoria Multimédia da Lusa. Na agência, impulsionou o vídeo e dedicou-se à formação, partilhando conhecimento com congéneres do Mediterrâneo (da Aliança AMAN) e em redações como a da Inforpress, em Cabo Verde. Para ele, a “Escola Lusa” e a transmissão de saber às novas gerações são missões obrigatórias.
Fora da redação, o espírito associativo falou mais alto em 2013 com a criação da cooperativa FWD COOP. Daí nasceu o MUVI – Festival Internacional de Música no Cinema, que dirigiu entre 2014 e 2019 em Lisboa, Porto, Almada e na Ilha Terceira. Esta aventura levou-o a especializar-se em DCP e a dar uma masterclass sobre cinema na Jordânia. Mais recentemente, colaborou com o festival CLIT e ajudou a erguer a TunetRádio.
Quando não está a editar ou a programar, está atrás dos pratos ou dos visuais. Sob diversos alter egos (como Castor Mateus, desde 2017) ou em dupla, já percorreu cabines e palcos de norte a sul — Incógnito, Roterdão, Sabotage, Bom Mau e Vilão, Capitólio, Cinema São Jorge, Fábrica de Braço de Prata, Fontória, Left, Bartô, Santiago Alquimista, Caixa Económica Operária (Lisboa), Tendinha, Casa de Ló (Porto), Maré de Agosto (Santa Maria, Açores), Imago (Fundão), Sambade, Paredes de Coura, Vila Nova de Cerveira, Andanças (Carvalhais) — com saltos internacionais a Madrid e Paris.