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Tiago Pereira da Silva

Quando se escutam os relatos de alguns músicos sobre o primeiro contacto que tiveram com uma canção de Bob Marley é impossível não nos lembrarmos da própria canção de Robert Nesta Marley: “One good thing about music, when it hits you (you feel no pain)”.

Tenho dito várias vezes a amigos e de forma definitiva, de que não gosto de coisas definitivas. A não ser a ideia definitiva de que um dos maiores equívocos literários é a compra de um livro de autoajuda.

Se o leitor procurar pela canção «Strange Fruit» numa qualquer plataforma streaming irá encontrar à cabeceira a versão inesquecível de Billie Holiday (considerada por muitos como a cantora mais influente de todos os tempos), logo de seguida perder-se-á com a incontornável versão de Nina Simone (a cantora que mais ouvi na vida), mas é provável que se emocione, às lágrimas, quando ouvir a versão que Jeff Buckley fez ao vivo no ano de 1993 em Nova Iorque no seu “Sin-é”.

Imaginem uma banda de Hard-Rock, em que cada um dos elementos da mesma é provavelmente um dos melhores no seu “oficio”?

Há dias “cruzei-me”, por um acaso feliz, com o documentário de Daniel Roher «Once Were Brothers», que nos conta a perspectiva ou olhar do músico Robbie Robertson sobre a história da sua The Band.

“Get Back” (2021): Peter Jackson “sentou-se” em estúdio com os Beatles, nesta inacreditável viagem musical e voltou para nos apresentar o universo privado da Banda.

Já dizia a personagem de Philip Seymour Hoffman no filme «Almost Famous» que: “a verdadeira música é que nos escolhe e não o contrário!”. É possível que com a verdadeira literatura isso também aconteça.

É bem provável que os Stones e os Beatles sejam as duas bandas que mais ouvi até hoje. Em plena adolescência, para além das inúmeras horas dedicadas na descoberta de álbuns, fui ouvindo inúmeras vezes a afirmação de que os Stones tinham sido muito mais revolucionários do que os Beatles.

Black is Beautiful… and The New American Songbook. Quando ouvir música se transforma também num exercício de combate político.

«Talvez tivesse feito melhor em agradecer ao diabo», pensei eu domingo à noite, ao ouvir André Ventura a proclamar “vitória” com a não adjetivável frase: «E devo confessar humildemente, que talvez tenha sido eu o escolhido por Deus para dar este rumo a Portugal».

O fim de qualquer ano costuma ser matéria interminável para balanços. Talvez este seja um ano demasiado óbvio para iniciar-se num balanço que depressa se transformará num compêndio dos excessos. Está na moda fazer um retrato medonho de 2020.

É possível que nenhuma outra guitarra do mundo seja tão imediatamente associada a um guitarrista como a Frankenstrat de Eddie.