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A 20.ª edição do MOTELX – Festival Internacional de Terror de Lisboa vai decorrer de 3 a 13 de setembro, prolongando-se pela primeira vez por 11 dias, com uma homenagem à cineasta Solveig Nordlund, anunciou a organização.
O festival, apresentado publicamente na última noite, terá como palcos principais o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa, em Lisboa. A organização revelou que o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror será atribuído este ano à realizadora sueca, naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund, sucedendo à produtora norte-americana Gale Anne Hurd.
O MOTELX justifica a distinção a Nordlund por ser “uma das mulheres pioneiras no cinema fantástico e de terror” e “uma das figuras mais inovadoras da cinematografia portuguesa”, cujo percurso artístico conta com influências literárias de H. P. Lovecraft e J. G. Ballard.
Na principal secção do festival, o Serviço de Quarto, foram anunciadas dez longas-metragens internacionais em estreia. Entre os destaques encontram-se “The Birthday Party” (Bélgica/França), de Léa Mysius, protagonizado por Monica Bellucci, e “One Spoon of Chocolate” (EUA), o quarto filme de RZA (membro dos Wu-Tang Clan), que conta com produção executiva de Quentin Tarantino.
A programação do Serviço de Quarto inclui ainda a comédia “X-rated” norte-americana “Fuck My Son!”, de Todd Rohal; “Game” (Reino Unido), de John Minton, com argumento de Geoff Barrow (Portishead); “AnyMart” (Japão), de Yusuke Iwasaki; o “body horror” “Species” (Bélgica/França), de Marion Le Correller; e a comédia de ficção científica “Mum, I’m Alien Pregnant” (Nova Zelândia; na fotografia de capa), da dupla Thunderlips. Completam a seleção “The Furious” (Hong Kong), de Kenji Tanigaki; “Our Effed Up World” (Austrália/Canadá), de Alice Maio Mackay; e “Poultry Farm” (Irão), de Mohammadreza Ardalan.
Uma das novidades estruturais de 2026 é a criação da secção “Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro“, desenvolvida em parceria com a Cinemateca Portuguesa. Este ciclo visa “resgatar e redescobrir cinematografias europeias esquecidas” do antigo bloco soviético, exibindo seis obras datadas entre 1957 e 1985, incluindo os filmes “Possession” (1981), do polaco Andrzej Żuławski, e “Werewolf” (1968), da soviética Leida Laius.
Outra estreia no programa é o ciclo “Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém)“, em colaboração com o Goethe-Institut Portugal. O alinhamento foca-se na reflexão sobre a mortalidade através de debates e da exibição de clássicos do cinema alemão, como “Nosferatu: O Vampiro da Noite” (1979), de Werner Herzog, e as obras “Nekromantik” (1988) e “The Death King”, de Jörg Buttgereit.
Na secção “Quarto Perdido“, dedicada à memória do cinema nacional, o festival vai homenagear José de Sá Caetano, realizador natural de Leiria (1933) e cofundador da cooperativa Cinequanon. Serão exibidos títulos da sua filmografia de pendor surrealista, com destaque para a trilogia composta por “As Ruínas no Interior” (1976), “Um S Marginal” (1983) e “Azul Azul” (1984).
A secção “Suite 13” trará o programa “Sergio Martino e Acid Giallo: Atmosferas que Turvam os Sentidos”, com curadoria de Carlos Alberto Carrilho, focado na obra do cineasta italiano e no subgénero “giallo”. Já a “Sala de Culto” exibirá duas raridades sob o lema “Lost in Translation”: o filme de artes marciais de 1974 “Kung Fu à Portuguesa” (com legendas criadas originalmente por Raúl Solnado e Pedro Bandeira-Freire sem conhecerem o idioma mandarim) e a inédita versão em língua inglesa de “A Teia de Gelo” (2012), do ator e realizador Nicolau Breyner.
No campo competitivo, o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa vai entregar um galardão de 5.000 euros entre dez produções nacionais selecionadas, incluindo trabalhos de realizadores como Tiago “Ramon” Santos, Ana Rita Martins e a dupla Duarte e Henrique Gandum. Para o Prémio Méliès d’argent – Melhor Curta Europeia, estão indicadas, nesta fase, oito curtas-metragens de produção portuguesa.
A secção experimental “SectionX” contará com três filmes que abordam o poder institucional, assinados por Jack Auen e Kevin Walker, Zachary Aaron Nichols e uma alegoria em formato de “reality show” vinda do Irão.
As atividades dedicadas ao público infantojuvenil, integradas na secção “Lobo Mau“, iniciam-se antes do arranque oficial do festival. O “Warm-Up” está agendado para o dia 14 de agosto no Jardim das Amoreiras, em Lisboa, com sessões de cinema ao ar livre. O programa paralelo inclui os tradicionais “peddy papers”, ateliers sensoriais e um workshop de fotografia para jovens do Bairro do Rego, em parceria com a Associação Passa Sabi.
No plano das competições, a organização confirmou o regresso do Prémio MOTELX – Melhor Guião de Terror Português. Na sua quarta edição, o galardão vai atribuir 2.000 euros ao melhor argumento de longa-metragem não produzida, contando com sete finalistas na corrida, sucedendo a António Xavier Rodrigues, vencedor em 2025.
Entre os nomeados ao prémio de guionismo estão Pedro Garrido (com “A Ostra”), Miguel Monteiro Rico (“Hóspede”), Ana Lamas (“O Silêncio que Fica”), António Xavier Rodrigues (“Privação (Ou Coisas Ditas de Joelhos)”), Maria Leonor Toscano e Raquel Cabaço Pereira (“Púcaro Negro”), Alexandre Guedes de Sousa (“Rosa dos Ventos”) e Stephane F. Oliveira (“Todas as Respostas”).
Fora das salas de projeção, o festival de terror lisboeta aposta em novos formatos artísticos, com destaque para a exposição “Hotel Pastiche“, de João Telmo (Nova Companhia). A mostra, com localização a anunciar, vai recriar dez cenas icónicas de filmes clássicos de terror ambientados em hotéis, como “The Shining” ou “Psycho”, ficando patente durante os 11 dias do evento.
O calendário do festival integra também o “Monster Day“, agendado para 5 de setembro. A iniciativa inclui um workshop infantil na secção Lobo Mau, um Concurso de Monstros com um prémio monetário de 500 euros para avaliar o “monster design” e uma festa temática no Lounge do MOTELX.
Antecedendo a abertura oficial do festival, o programa de “Warm-Up” vai estender-se pelos meses de julho e agosto com várias sessões especiais em Lisboa. O arranque acontece à meia-noite de 31 de julho, no Cinema Nimas, com a exibição de “Saccharine”, da australiana Natalie Erika James, na sessão Nimas Fora de Horas.
A 1 de agosto, a Casa do Comum recebe uma sessão de curtas-metragens seguida de um DJ set, a partir das 21:00. Segue-se, a 14 de agosto, o Cinema ao Ar Livre no Jardim das Amoreiras, em parceria com a Junta de Freguesia de Santo António, que acolhe propostas da secção Lobo Mau e o filme “The Guest” (2014), de Adam Wingard.
O encerramento do “Warm-Up” está marcado para 27 de agosto, no Palácio do Grilo, onde o festival se associa ao Black Cat Cinema para exibir o clássico “The Others” (2001), do realizador Alejandro Amenábar.
Escrito por TunetRádio