Ouvintes:
Principais ouvintes:
TunetRádio Cultura Primeiro
Foi na sequência do concerto de lançamento do álbum, realizado na Casa Capitão, que Sarah Negra apresentou ao público ‘Gira’ – uma das canções mais luminosas e libertadoras do seu novo trabalho discográfico.
A canção nasce da convicção de que o corpo guarda uma sabedoria própria e de que o movimento é uma das formas mais poderosas de transformação. Mais do que uma canção sobre dançar, ‘Gira’ assume-se como um convite a regressar ao corpo enquanto lugar de presença, liberdade e regeneração. Através do ritmo, da repetição e da entrega ao movimento, o tema explora a forma como a dança pode dissolver tensões, desbloquear emoções e alterar a nossa energia. Cada volta, cada passo, cada gesto tornam-se uma possibilidade de libertação, recordando que o corpo possui uma inteligência capaz de nos reconectar com a nossa essência.
‘Gira’ ocupa, assim, um lugar especial no universo de Sarah Negra, funcionando como um manifesto de liberdade corporal e emocional. É uma canção que convida cada ouvinte a abandonar o controlo, a escutar o próprio corpo e a descobrir, no movimento, uma forma de cura, renovação e transformação.
Uma artista total
Sarah Negra é o nome artístico de Sara Ribeiro, uma criadora multidisciplinar que se afirma como poeta, cantora, criadora e atriz. A sua obra distingue-se pela intensidade, pelo risco e por uma presença artística profundamente magnética. O seu trabalho atravessa a música, as artes performativas e as artes visuais, construindo um universo onde o corpo, a palavra e a emoção se tornam ferramentas de transformação, confronto e libertação em contacto direto com o público.
Entre palco e estúdio, Sarah Negra consolida-se como uma artista total – uma mulher que escreve, interpreta e transforma, criando experiências que rompem e questionam os formatos tradicionais dos encontros entre artistas e públicos, aproximando-se de um território onde arte, corpo, magia e presença se fundem.
Na música, desenvolve um percurso autoral onde a canção se cruza com a poesia e a performance. Fundadora de projetos como Los Negros e, mais recentemente, Sarah Negra, assume a escrita, composição, voz e direção artística, construindo uma linguagem própria que escapa a géneros e convenções. No seu universo, cada canção é um ato de presença – um espaço de libertação, tensão e transcendência. Ao seu lado, os músicos Ricardo Martins e Alexandre Bernardo fazem da liberdade matéria de ascensão.
“Amor e Magia”: um disco sem fronteiras
“Amor e Magia”, o primeiro álbum de originais de Sarah Negra, consolida a sua identidade enquanto uma das vozes mais singulares da nova criação contemporânea portuguesa e expande o seu universo artístico, cruzando música, ritual, política e espiritualidade numa proposta estética intensa, atual e profundamente envolvente.
O disco conta com mistura e masterização de Pedro Geraldo, artwork desenvolvido pelo Desisto, fotografia de Vera Marmelo e vídeos de Carlos Miranda. Com participações de Royal Bermuda e Miguel Dias, Amor e Magia afirma-se como uma obra que atravessa géneros e linguagens, recusando firmemente qualquer classificação rígida.
Escrito por Daniela Azevedo
conversa entrevista lançamento música nova música portuguesa Sarah Negra