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O festival Artes à Vila regressa este ano ao Mosteiro da Batalha com a premissa de dar “vida à pedra” através de um diálogo entre património material e imaterial, integrando visitas exclusivas aos andaimes das Capelas Imperfeitas e um palco inteiramente dedicado a artistas da região.
“Quando iniciámos este festival em 2018, tínhamos o propósito de provar que era possível trazer cultura e atividades artísticas junto do património, que é sempre visto como algo do passado, uma fotografia da História. Quisemos trazer essa vida à pedra”, explicou à TunetRádio o diretor e programador do evento, Eduardo Jordão.
Convidámos a direção do mosteiro para perceber o que podíamos inventar este ano e percebemos que não precisávamos de inventar nada. Vamos abrir as portas das obras. O público vai poder andar mesmo nos andaimes e descobrir todas as técnicas de conservação e as novas tecnologias de reparação do espaço – Eduardo Jordão
Segundo o responsável, o monumento nacional, classificado como Património Mundial pela UNESCO, “é muito mais do que uma história” e apresenta “uma acústica excelente e recantos inacreditáveis por descobrir”. O desafio passa por cruzar artistas consagrados e emergentes, respeitando a acústica e as regras de preservação do espaço.
Eduardo Jordão recordou que, em 2018, a ligação entre património e tradição “não estava tanto na moda” como atualmente. O festival conseguiu consolidar-se após “um somatório de experiências e resultados positivos” e, desde a edição transata, conta com o reforço do “display tradicional”, que funciona como um elemento de “consagração” do trabalho inovador dos artistas.
Uma das grandes novidades da programação deste ano, agendada para sábado, dia 18, é uma atividade descrita como “única” e que poderá representar “a última oportunidade” para o público acompanhar de perto as obras de conservação e restauro das Capelas Imperfeitas.
“Convidámos a direção do mosteiro para perceber o que podíamos inventar este ano e percebemos que não precisávamos de inventar nada. Vamos abrir as portas das obras. O público vai poder andar mesmo nos andaimes e descobrir todas as técnicas de conservação e as novas tecnologias de reparação do espaço”, revelou o programador. Eduardo Jordão antecipou ainda o desejo de, no próximo ano, voltar a instalar um palco naquele recinto aberto, elogiando a sua acústica singular decorrente da ausência de abóboda.
A preocupação com a comunidade local reflete-se logo no primeiro dia do festival, sexta-feira, dia 17, com a criação de um palco exclusivo para criadores da região de Leiria, onde vão atuar Lisa Sereno e This Page. A iniciativa surge também como resposta e solidariedade face às recentes “dificuldades no concelho relativamente a problemáticas da natureza”.
“Achámos que era mais do que oportuno ter um palco só para estes artistas emergentes, dando palco aos mais jovens. Não beneficia apenas o artista, mas também as equipas, agências e programadores locais, que passam a ter uma data perto de casa”, sublinhou.
O festival mantém ainda a sua vertente de criação própria com a terceira edição da residência de fotografia “Retratos de uma Aldeia“. O projeto convida um fotógrafo a registar o quotidiano, as pessoas e as profissões históricas – como o oleiro, a queijeira, o tocador de concertina ou o ferreiro – de uma freguesia do concelho, resultando num catálogo e numa exposição que inaugura durante o evento.
A programação do Artes à Vila integra também parcerias institucionais, articulando conteúdos com as exposições do próprio Mosteiro da Batalha e com o Museu Municipal, que acolhe uma mostra sobre a história da pedra e a sua rota até à edificação do monumento. “São estes elos que nos fazem mover: conseguir fazer as ligações entre o museu, o mosteiro, o artista e a comunidade”, defendeu.
O diretor do Artes à Vila destacou ainda a estratégia de sustentabilidade e comunicação do evento. Desde a primeira edição, em 2018 e 2019, a organização realizou estudos de público através de questionários obrigatórios à entrada – que davam acesso gratuito ao recinto –, o que permitiu traçar o perfil dos visitantes e comprovar a atratividade do modelo.
“Foi extraordinário perceber que vêm pessoas do Algarve, de Braga, Bragança, Porto, Coimbra e, naturalmente, de Leiria“, apontou, reforçando que o foco esteve sempre no rigor técnico e na projeção mediática nacional.
“Localmente, até recentemente, não se via um cartaz na rua porque o dinheiro não chega para tudo e preferimos cortar no papel, que vai para o lixo numa semana. Mas a comunicação nacional sempre esteve lá desde a primeira edição, com muita imprensa, televisão e rádio. É isso que faz chegar a mensagem a quem está mais longe e faz a pessoa tomar a decisão de vir passar um fim de semana à Batalha”, concluiu Eduardo Jordão.
Festival Artes à Vila regressa de 17 a 19 de julho ao Mosteiro da Batalha
O Mosteiro da Batalha vai acolher, entre os dias 17 e 19 de julho, a nova edição do festival Artes à Vila, um evento que alia a criação musical contemporânea, exposições e oficinas à valorização do património classificado.
O programa do festival distribui-se por vários espaços do monumento nacional, com destaque para as atuações no Claustro Real e no Claustro Afonso V, este último transformado no Palco Emergentes GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas).
No sábado, dia 18 de julho, o Claustro Real recebe os concertos de Jorge Palma e de Tomás Wallenstein, num dia que contará ainda com atuações de Puto Bacoco e de um ‘dj set’ a cargo de Ninguém e Débora. No dia seguinte, domingo, o mesmo palco acolhe a cantautora Ana Lua Caiano (na fotografia de capa por Anelogico/Tiago Nuno), seguindo-se a cerimónia de entrega dos Prémios Play Tradicional, que incluirá as atuações de Romeu Bairos, Joana Alegre e Cristina Maria.
A programação musical arranca na sexta-feira, dia 17 de julho, no Palco Emergentes GDA, com os concertos de Lisa Sereno e do projeto This Page. No domingo, o mesmo espaço abre com uma apresentação do Projeto Experimental “Os Mimos”, promovido pela Casa do Mimo.
Além da vertente musical, o Artes à Vila integra na sexta-feira a abertura das exposições “Recordações da Batalha” e “A Pedra e a Batalha — da matéria à vida”.
O cartaz estende-se a atividades comunitárias e de salvaguarda patrimonial, incluindo uma visita técnica ao estaleiro das obras de conservação e restauro das Capelas Imperfeitas, a apresentação do projeto “Retratos de uma aldeia Vol. III”, de Luís Rocha, e as oficinas práticas “Vamos fazer um videoclip” e “Cartinha de Amores”.
Escrito por Daniela Azevedo
Artes à Vila Festival mosteiro da batalha