Ouvintes:
Principais ouvintes:
TunetRádio Cultura Primeiro
O Teatro da Garagem selecionou quatro projetos de criação emergente para a 19.ª edição do programa ‘Try Better, Fail Better‘, que decorre em setembro, em Lisboa, oferecendo apoio financeiro e residências sem lógica competitiva, anunciou a organização.
O ciclo ‘Try Better, Fail Better’ regressa em 2026 com quatro propostas que atravessam territórios distintos da criação contemporânea — da palhaçaria ao teatro físico, da autoficção ao imaginário onírico — unidas por uma mesma convicção: o erro, a dúvida e a fragilidade são matéria de afirmação humana e de reforço comunitário – Carlos J. Pessoa, direcção artística do Teatro da Garagem
As propostas selecionadas, que cruzam teatro, performance e abordagens multidisciplinares, foram escolhidas através de uma convocatória aberta que decorreu entre 10 de abril e 31 de maio. Os artistas entram em residência artística em setembro, culminando com apresentações públicas nos dias 26 e 27 do mesmo mês, na capital portuguesa.
Segundo a organização, os trabalhos desta edição abordam temas como a construção da identidade, a vulnerabilidade, o luto, a memória, a imaginação e os mecanismos de normalização social, traçando “um retrato plural das inquietações e formas de criação de uma nova geração de artistas”.
Num panorama cultural focado na avaliação e na competição, o ‘Try Better, Fail Better‘ mantém, desde 2008, um modelo que recusa júris, prémios ou vencedores. Cada um dos quatro projetos recebe um apoio financeiro de 1.750 euros, além de acompanhamento técnico e de produção. O período de residência artística será distribuído entre o Teatro Taborda e espaços parceiros, com o objetivo de privilegiar o risco e a experimentação em detrimento da pressão pelo resultado final.
Entre os selecionados está ‘Dis-far-ce‘, uma criação multidisciplinar de Mariana Magalhães. Inspirado no trabalho da fotógrafa Cindy Sherman, o projeto investiga o ato de disfarçar e a construção da identidade, recorrendo a maquilhagem, próteses, figurinos e uma instalação interativa digital semelhante a um fotomatão.
Na área da performance, Miriam Freitas apresenta ‘Desafinada no Coração‘. A peça cruza palhaçaria contemporânea, teatro físico e experimentação vocal para explorar a vulnerabilidade e o desvio como matéria poética, tomando como referências o conceito de sincronização espontânea do físico Steven Strogatz e a obra para cem metrónomos do compositor György Ligeti.
O teatro de autoficção está representado em ‘Maria D. não sobe montanhas‘, de Gustavo Antunes. Construída como uma peça-poema em quadros inspirada na figura da mãe do criador, a obra cruza teatro, dança e canto para abordar o luto, a violência psicológica e a memória familiar, dialogando com o universo de Laurie Anderson e Paula Rego.
A quarta proposta, intitulada ‘Paradoxo Molotof‘, é um trabalho coletivo assinado por Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves. A partir de ‘Alice no País das Maravilhas’, de Lewis Carroll, e do pensamento do filósofo Byung-Chul Han, o espetáculo reflete sobre a crise da imaginação no mundo contemporâneo através de um exercício de meta-teatralidade com quatro intérpretes.
Ao longo de 19 edições, a plataforma consolidou-se no apoio à criação emergente em Portugal, tendo funcionado como rampa de lançamento para criadores como John Romão, Tiago Cadete, Cláudia Lucas Chéu, Daniel Gorjão ou Dinis Machado. Em 2026, o programa reforça a sua rede de parcerias com diferentes estruturas culturais de Lisboa para promover o encontro com o público.
Escrito por TunetRádio
Fail Better Lisboa teatro Teatro da Garagem Try Better