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TunetRádio Cultura Primeiro
Os Kumpania Algazarra editaram a 1 de maio o novo álbum “Tudo ao Contrário”, o primeiro registo em vinil em mais de 20 anos de carreira, um formato escolhido por ser “mais duradouro” e que funciona como um objeto de culto, disse à TunetRádio o músico Luís Barrocas.
“É mais um marco importante na nossa história. Sair em vinil é muito para uma banda, é uma coisa à antiga, um objeto de colecionador”, explicou o vocalista e saxofonista, ironizando que o grupo já está a “virar para a terceira idade”.
O vinil é mais duradouro. Daqui a uns séculos ainda encontram os vinis, enquanto os CDs e as cassetes se vão estragando. Fica para o futuro
Para o músico, a escolha do formato prende-se com a longevidade física da obra, estabelecendo um contraste com o digital e outros suportes físicos. “O vinil é mais duradouro. Daqui a uns séculos ainda encontram os vinis, enquanto os CDs e as cassetes se vão estragando. Fica para o futuro”, sublinhou.
Este lançamento em vinil pisca também o olho às pistas de dança, servindo de ferramenta para os DJ, uma simbiose natural para um trabalho onde a eletrónica ganha um peso inédito, sem perder a matriz acústica do grupo.
Em “Tudo ao Contrário”, os Kumpania Algazarra decidiram dar “um passinho ou dois mais à frente” na fusão digital. “Demos mais umas pinceladas com a eletrónica, com elementos de ritmo ou efeitos de sintetizadores mais arrojados, fundindo tudo com a sonoridade dos trompetes, saxofones, tubas e a nossa instrumentalização habitual”, detalhou Luís Barrocas.
O mundo atual está a puxar muito a nossa atenção, seja pelas redes sociais ou por outros estímulos. Há cada vez mais impulsos para nos tirar de nós próprios, e acabamos por esquecer os nossos sonhos
Um dos temas centrais do disco é “Tudo Top”, uma canção que nasceu da experimentação entre as bases eletrónicas e as melodias da banda, e que carrega uma mensagem de libertação através do movimento.
“O mundo atual está a puxar muito a nossa atenção, seja pelas redes sociais ou por outros estímulos. Há cada vez mais impulsos para nos tirar de nós próprios, e acabamos por esquecer os nossos sonhos”, alertou o músico.
Na visão de Luís Barrocas, o ato de dançar funciona como um antídoto contra essa alienação quotidiana. “Quando dançamos, voltamos a nós próprios, ouvimos-nos outra vez e despertamos os sonhos. Saímos desse mundo exterior que nos quer prender e ligamo-nos às pessoas que estão a dançar connosco, naquela química festiva em que nos tornamos um só corpo. É criar um universo novo, mais livre e sem barreiras no pensamento”, defendeu.
O teledisco de “Tudo Top” materializa este espírito comunitário, tendo sido filmado num único “take” direto, sem repetições, durante as festas populares de Fontanelas, em Sintra, localidade onde residem dois membros da banda.
A opção por este cenário foi consensual no processo de ‘brainstorming’ do grupo, sobrepondo a “energia e a amizade” ao investimento financeiro em estúdios.
“Seria um investimento mais de energia e de amizade das pessoas à nossa volta do que propriamente investir em salas e muito material, onde às vezes se perde a energia”, revelou o músico, admitindo que o processo causou algum nervosismo inicial: “Santos da casa não fazem milagres e há sempre aquela proximidade crítica, mas foi muito construtivo. Convidámos amigos, apareceu muita gente e os vizinhos participaram. Ficou aquele registo e aquela memória de quem apareceu”.
O novo trabalho reflete também a intensa atividade internacional da banda entre 2024 e 2025, período em que os Kumpania Algazarra completaram digressões em Portugal, Espanha, Inglaterra e Brasil.
Luís Barrocas assegura que todas as viagens e o contacto com novos músicos acabam por moldar o som da banda de forma espontânea. “Não nos focamos em ‘temos de fazer uma coisa assim’, mas tudo sai naturalmente. Entra nos nossos corpos e depois sai uma fusão. O que vivemos no presente junta-se ao passado e sai pronto para o futuro. Acaba por fazer parte de nós, porque nós somos as experiências que vamos tendo na vida”, revelou.
A banda prepara-se agora para levar “Tudo ao Contrário” para a estrada numa digressão de verão que arranca em junho, com os primeiros concertos programados para os dias 12 e 20 em locais ainda por anunciar.
Segue-se a “internacionalização” do novo registo em julho, com uma dupla passagem pelo Istambul Jazz Festival, na Turquia, nos dias 4 e 5, antes do regresso a Portugal para atuar no Festival Julho, em São Jorge, nos Açores, no dia 11, e nas Noites de Verão, em Alhandra, a 25 do mesmo mês.
O circuito de festivais prossegue em agosto com uma atuação no Festival Folk Plasencia, na Extremadura espanhola, no dia 22. Em setembro, o grupo ruma à Galiza para o Festival de Poesia do Condado, em Salvaterra do Minho, no dia 5, regressando àquela região espanhola a 30 de outubro para um concerto de encerramento da rota programada, com sala ainda por revelar.
Fotografia de capa por Cátia Barbosa.
Escrito por Daniela Azevedo
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