Ouvintes:
Principais ouvintes:
TunetRádio Cultura Primeiro
A 8.ª edição do festival Clap Your Hands, em Leiria, entra na sua reta final com os concertos de Gisela Mabel e Bia Maria, agendados para 15 de maio, após um percurso marcado pela consolidação como “observatório da nova música portuguesa”.
O festival, que decorre desde fevereiro, encerra no Teatro Miguel Franco com a atuação de Gisela Mabel, seguida de Bia Maria, que se apresentará acompanhada por um coro local. Este último momento reforça a matriz do evento em promover diálogos entre artistas e a comunidade de Leiria, depois de já terem passado pelos palcos desta edição nomes como Mães Solteiras, Albatroz, Expresso Transatlântico e Stone Dead.
Inicialmente previsto para fevereiro, o concerto de abertura com Noiserv e Grutera foi reagendado para o verão, na sequência da tempestade Kristin, passando agora a realizar-se no dia 24 de julho, no Teatro Miguel Franco.
Em entrevista à TunetRádio, o organizador Carlos Matos fez um balanço positivo da edição de 2026, que arrancou com “casa cheia” a 13 de março, sublinhando que o crescimento do projeto tem sido “sobretudo qualitativo e sustentado”. “Mais do que uma expansão em escala, houve uma consolidação de identidade enquanto espaço de escuta atenta”, refere a organização, destacando o papel do Clap Your Hands na “legitimação de projetos emergentes”.
Quanto aos critérios de programação, o organizador assegura que a curadoria “não é orientada por géneros, mas por relevância artística no presente”, cruzando propositadamente nomes consagrados e novos talentos. “Esse encontro gera descoberta orgânica e reforça a ideia de continuidade na criação musical portuguesa”, explica.
Olhando para o futuro, a ambição do Clap Your Hands passa por explorar novos formatos, como residências artísticas ou colaborações inéditas, sem abdicar da “identidade intimista” que o define. “O desafio será manter a proximidade, acompanhando por dentro a evolução da música portuguesa”, concluí o promotor.
Mais do que uma expansão em escala, houve uma consolidação de identidade enquanto espaço de escuta atenta e observatório da nova música portuguesa. Ao longo das várias edições, o festival foi afirmando um papel relevante na legitimação de projetos emergentes, ao mesmo tempo que acompanha percursos já consolidados – Carlos Matos
O Clap Your Hands chega à sua 8.ª edição. Que balanço fazem do crescimento do festival ao longo destes anos e do seu papel na promoção da nova música portuguesa?
O crescimento do Clap Your Hands tem sido sobretudo qualitativo e sustentado. Mais do que uma expansão em escala, houve uma consolidação de identidade enquanto espaço de escuta atenta e observatório da nova música portuguesa. Ao longo das várias edições, o festival foi afirmando um papel relevante na legitimação de projetos emergentes, ao mesmo tempo que acompanha percursos já consolidados. Hoje, sentimos que o Clap é reconhecido como um lugar de confiança, tanto para artistas como para público, onde a curadoria funciona como um selo de pertinência dentro do panorama nacional.
O festival destaca-se por juntar artistas emergentes e nomes já consolidados no mesmo palco. Que importância tem este cruzamento para a identidade do Clap Your Hands?
Esse cruzamento é absolutamente central. Não é apenas uma opção programática, mas uma lógica estrutural do festival. Ao colocar artistas em diferentes fases de percurso no mesmo contexto, criam-se pontes naturais entre públicos e linguagens. Esse encontro gera descoberta orgânica e reforça a ideia de continuidade na criação musical portuguesa. O Clap Your Hands constrói-se muito nesse diálogo intergeracional, onde não há hierarquias rígidas, mas sim um território comum de escuta e partilha.
A edição de 2026 arrancou com casa cheia. Como descrevem a relação do público de Leiria com o festival e com a nova música nacional?
A relação tem-se vindo a fortalecer de forma muito evidente. O público de Leiria tem demonstrado uma abertura e curiosidade crescentes em relação à nova música portuguesa, e isso reflete-se na adesão consistente ao festival. Existe uma confiança na proposta curatorial do Clap, que leva as pessoas a arriscar, a descobrir e a envolver-se com projetos que, muitas vezes, não conheceriam à partida. Essa proximidade entre público e programação é um dos sinais mais claros da maturidade que o festival atingiu.
Este ano houve um desafio inesperado com o reagendamento do concerto de abertura devido à tempestade. Como é que lidaram com essa situação e o que podemos esperar desse concerto no verão?
Foi uma situação imprevista que exigiu uma resposta rápida e articulada, tanto do ponto de vista logístico como na comunicação com o público e os artistas. Conseguimos reagendar o concerto, preservando a integridade da programação e garantindo que o momento não se perdia. Para o verão, o que se pode esperar é precisamente isso: um concerto que mantém a intenção original, mas que ganha agora um novo contexto temporal, possivelmente até mais alinhado com a dimensão celebratória do festival.
O cartaz volta a refletir uma grande diversidade estética – do experimental ao mais tradicional. Que critérios orientam a curadoria artística do festival?
A curadoria não é orientada por géneros, mas por relevância artística no presente. Procuramos projetos que acrescentem algo ao panorama atual, seja pela sua linguagem, abordagem ou posicionamento. A diversidade estética surge como consequência natural dessa lógica. Há também uma preocupação com a representação geográfica e com a criação de diálogos entre diferentes universos sonoros. O objetivo é construir um programa coeso, mas aberto, onde múltiplas expressões possam coexistir.
O Clap Your Hands tem também uma forte ligação ao território, envolvendo artistas e projetos locais. De que forma essa ligação a Leiria continua a ser uma prioridade?
Essa ligação é estrutural e não apenas contextual. O festival nasce e desenvolve-se a partir de Leiria, e isso reflete-se tanto na escolha de espaços como no envolvimento com a comunidade local. Trabalhar com artistas e estruturas da região faz parte de uma lógica de proximidade e de responsabilidade cultural. Ao mesmo tempo, essa base local não limita o festival. Pelo contrário, serve como ponto de partida para um diálogo mais amplo com o panorama nacional.
Olhando para o futuro, que ambições têm para as próximas edições? O que ainda gostariam de acrescentar ou explorar no universo do festival?
O futuro passa por aprofundar o que já foi construído, sem perder a capacidade de risco. Há vontade de expandir o festival para além do formato de concertos, explorando outras dimensões como conversas, residências artísticas ou colaborações inéditas. Ao mesmo tempo, o desafio será manter a proximidade e a identidade intimista que definem o Clap Your Hands. Crescer, sim, mas de forma consciente, acompanhando por dentro a evolução da música portuguesa.
Escrito por Daniela Azevedo
Bia Maria Carlos Matos Clap Your Hands Gisela Mabel