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    TunetRádio Cultura Primeiro

Entrevistas

Tó Trips recorda “arma” da mãe e critica “mafiosos” da política

today25/04/2026 8

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O guitarrista Tó Trips confessou, em Arruda dos Vinhos, que o 25 de Abril de 1974 foi o dia em que descobriu a palavra “política” e recordou, entre risos e nostalgia, como a mãe o tentou proteger numa manifestação com um martelo de bifes escondido na mala.

A minha mãe levava-me pela mão e disse-me: ‘não te preocupes, filho, que tenho aqui uma arma’. Eu, miúdo, achei que ela tinha uma pistola. Afinal, abriu a mala e era um martelo dos bifes, daqueles com picos – Tó Trips

Em entrevista à TunetRádio após a atuação com os Fake Latinos (álbum “Dissidente“, de 2025) no festival Políticas à P’Arte, o músico revisitou a infância num Portugal “cinzentão”, onde o conselho do pai para sobreviver à tropa era “passar despercebido”. “O meu pai dizia-me: ‘nem sejas bom, nem sejas mau’. Era o espírito do fascismo, não levantar ondas”, recordou o cofundador dos Dead Combo.

Tó Trips partilhou um dos episódios mais marcantes do pós-Revolução: uma manifestação no Terreiro do Paço, com o então primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo, onde o gás lacrimogéneo espalhou o pânico. “A minha mãe levava-me pela mão e disse-me: ‘não te preocupes, filho, que tenho aqui uma arma’. Eu, miúdo, achei que ela tinha uma pistola. Afinal, abriu a mala e era um martelo dos bifes, daqueles com picos”, contou.

Sobre o estado atual do mundo, o músico não poupou críticas aos líderes que classifica como “mafiosos”, comparando figuras como Donald Trump a Vladimir Putin. “Para mim, é mafioso, seja de esquerda ou de direita. Se é ditador, estou-me a lixar para a ideologia”, afirmou, lamentando a “arrogância” de certa esquerda que “perde deputados e não pensa o que está a fazer de errado”.

Defensor de um “equilíbrio sem extremos”, Tó Trips destacou o prazer de tocar em locais onde nunca tinha estado, como Arruda dos Vinhos, e revelou que, aos 60 anos, é cada vez mais seletivo no seu trabalho como designer gráfico.

“Agora só faço coisas para quem gosto. Fiz a capa e o grafismo do novo disco do Carlão e continuo a fazer posters para amigos como o [realizador] Edgar Pêra ou o Rodrigo Areias”, explicou. Recusa, no entanto, aventurar-se no vídeo: “Há miúdos novos muito bons, a léguas de mim. Já estou ultrapassado nisso, prefiro as imagens paradas e o grafismo”.

O festival “Políticas à P’Arte” prossegue em Arruda dos Vinhos até 1 de maio, cruzando o debate cívico com diversas expressões artísticas.

Escrito por TunetRádio

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