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TunetRádio Cultura Primeiro
O festival IndieLisboa revelou os eixos da 23.ª edição, que decorre de 30 de abril a 10 de maio, destacando uma retrospetiva dedicada ao género ‘mockumentary‘ (falso documentário) em parceria com a Cinemateca Portuguesa.
O ciclo contará com obras de realizadores como Rob Reiner, Christopher Guest, Peter Watkins e Ruben Östlund. Além da retrospetiva, o festival confirmou o regresso de secções habituais como o ‘Director’s Cut‘, que apresentará cinco cópias restauradas, e ‘IndieMusic‘, com 13 filmes que cruzam géneros desde o ‘baile funk’ brasileiro aos Butthole Surfers e ao músico português Vítor Rua (na fotografia de capa).
A programação estende-se a salas como a Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema Ideal e, em sessões especiais, à Piscina Municipal da Penha de França. Na secção ‘Boca do Inferno‘, dedicada ao cinema de culto e experimental, estão confirmadas 14 obras, incluindo trabalhos de Radu Jude e Aya Kawazoe.
O festival mantém ainda as secções ‘IndieJúnior‘, vocacionada para o público escolar e familiar, e as mostras competitivas integradas nas redes europeias Smart7 e ESFN (European Short Film Network).
Retrospectiva: Isto não é um documentário – mockumentary
Sob o título “Isto não é um documentário”, a mostra — organizada em conjunto com a Cinemateca Portuguesa — atravessa um século de cinema, com obras que recuam a 1922 (“Häxan”, de Benjamin Christensen) e se estendem até produções de 2025. O programa inclui 14 longas e sete curtas-metragens.
Um dos destaques da seleção é “Punishment Park” (1971), de Peter Watkins, uma obra sobre a violência estatal que foi banida pela administração Nixon nos Estados Unidos após apenas quatro dias de exibição. A organização sublinha que as ressonâncias deste filme para o “estado atual do mundo são estarrecedoras”.
A retrospetiva inclui ainda títulos fundadores e populares do género, como “This is Spinal Tap” (1984), de Rob Reiner, sobre o universo do rock, e “Best in Show” (2000), de Christopher Guest. O cinema de terror e o fenómeno do ‘found footage’ estarão representados por “The Blair Witch Project” (1999), figurando também clássicos de autores como Luis Buñuel (“Las Hurdes”, 1933).
“Häxan” (1922), Benjamin Christensen
“Las Hurdes” (1933), Luis Buñuel
“The Connection” (1961), Shirley Clarke
“David Holzman’s Diary” (1967), Jim McBride
“Punishment Park” (1971), Peter Watkins
“The Girl Chewing Gum” (1976), John Smith
“Real Life” (1979), Albert Brooks
“Zelig” (1983), Woody Allen
“This is Spinal Tap” (1984), Rob Reiner
“Ilha das Flores” (1989), Jorge Furtado
“C’est arrivé près de chez vous” (1992), André Bonzel, Benoît Poelvoorde e Rémy Belvaux
“The Blair Witch Project” (1999), Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
“Best in Show” (2000), Christopher Guest
“[Rec]” (2007), Jaume Balagueró e Paco Plaza
“Real Snow White” (2010), Pilvi Takala
“Incident by a bank” (2010), Ruben Östlund
“A Story for the Modlins” (2012), Sergio Oskman
“Dick Johnson Is Dead” (2020), Kirsten Johnson
“Marcel the Shell with Shoes On” (2021), Dean Fleischer Camp
“Os Últimos Dias de Emanuel Raposo” (2021), Diogo Lima
“Memory of Princess Mumbi” (2025), Damien Hauser
Director’s Cut com cinco cópias restauradas
A secção ‘Director’s Cut’ da 23.ª edição do festival IndieLisboa vai apresentar cinco filmes históricos em cópias recentemente restauradas, quatro das quais em estreia “absoluta” em Portugal.
Entre os destaques figura a exibição, pela primeira vez fora de França, da versão longa de “Regarde, elle a les yeux grands ouverts” (1982), de Yann Le Masson. O documentário acompanha a atividade do movimento francês pela libertação do aborto e da contraceção (MLAC), uma organização central na luta pelos direitos reprodutivos naquele país.
A programação inclui ainda “Mamma” (1982), da realizadora sueca Suzanne Osten, e o clássico ‘noir’ de ficção científica “The Red Spectacles” (1987), de Mamoru Oshii (criador de “Ghost in the Shell”), que retrata uma Tóquio distópica sob ocupação nazi.
Do Brasil chega “Espelho de Carne” (1985), de Antonio Carlos da Fontoura, marcando o regresso do realizador ao festival após a exibição de “Rainha Diaba” em 2023. A seleção completa-se com “Murdering the Devil” (1970), a única longa-metragem realizada pela checa Ester Krumbachová, conhecida colaboradora de Věra Chytilová.
“Murdering the Devil” (1970), Ester Krumbachová
“Mamma” (1982), Suzanne Osten
“Regarde, elle a les yeux grands ouverts” (1982), Yann Le Masson – Estreia internacional
“Espelho de Carne” (1985), Antonio Carlos da Fontoura
“The Red Spectacles” (1987), Mamoru Oshii
IndieMusic com seis estreias mundiais
A secção IndieMusic vai apresentar 10 longas-metragens e três curtas-metragens, incluindo seis estreias mundiais, num programa que será integralmente acompanhado por audiodescrição.
A iniciativa de acessibilidade, realizada em parceria com a Fundação Meo, abrangerá todas as sessões desta secção, que cruza documentalismo e música. Entre os destaques internacionais figura “Newport and the Great Folk Dream”, de Robert Gordon, sobre o histórico festival de Rhode Island onde Bob Dylan chocou o público ao eletrificar o seu som em 1965.
O cartaz inclui ainda o documentário “Butthole Surfers: The Hole Truth and Nothing Butt”, focado no radicalismo da banda punk texana, e “The Blind Couple From Mali”, que acompanha os bastidores da dupla Amadou & Mariam em Bamako. A cultura das pistas de dança e dos bailes de rua será explorada através de “Massa Funkeira”, sobre o baile funk brasileiro, e “Bubbling Baby”, focado na cena caribenha nos Países Baixos.
No plano nacional, o IndieMusic destaca duas figuras centrais da música portuguesa: Zurita de Oliveira, considerada a “mãe do rock português”, no filme de Francisca Marvão, e o músico Vítor Rua, no documentário “Rua (Isto não é um filme, é um cometa)”, de João Bigos Campaniço.
“Butthole Surfers: The Hole Truth and Nothing Butt” (2025), Tom Stern
“Bubbling Baby” (2025), Sharine Rijsenburg
“Massa Funkeira” (2025), Ana Rieper – Estreia internacional
“Newport and the Great Folk Dream” (2025), Robert Gordon
“Para Vivir – The Implacable Time of Pablo Milanés” (2025), Fabien Pisani
“Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90” (2026), Rui Mota Pinto – Estreia mundial
“Quem Tem Medo de Zurita de Oliveira?” (2025), Francisca Marvão – Estreia mundial
“Rua (Isto não é um filme, é um cometa)” (2026), João Bigos Campaniço – Estreia mundial
“Sun Ra: Do The Impossible” (2025), Christine Turner
“The Blind Couple From Mali” (2026), Ryan Marley
“Universo Circular – Jocy de Oliveira” (2025), Dácio Pinheiro – Estreia mundial
“Vintage Glitch. Cidades para acabar com todos os verões e crepúsculos” (2026), Carlos Mendes, Carlos Miguel Ferreira, Jorge Ferraz, Vasco Bação e Vítor Inácio – Estreia mundial
“WAB 6 11 23 30 33 51 52” (2025), Stefan Tiefengraber – Estreia mundial
“Boca do Inferno” retoma “Maratona Boca do Inferno” no Cinema Ideal
A secção “Boca do Inferno” vai apresentar 14 filmes dedicados ao cinema de género e a estéticas “bizarras”, destacando-se o regresso do realizador romeno Radu Jude.
O programa, composto por sete longas e sete curtas-metragens, abre no primeiro dia do festival com “Obsession”, de Curry Barker, um ‘thriller’ sobre uma amizade de infância que deriva para uma paixão sinistra. Entre os destaques figura “Dracula”, de Radu Jude, que reinterpreta o mito de Bram Stoker numa Transilvânia contemporânea marcada por tensões laborais.
A realizadora Aya Kawazoe, premiada no festival em 2023, regressa com “Interface”, num cartaz que inclui ainda “Fucktoys”, a estreia provocatória de Annapurna Sriram centrada numa narrativa de libertação de uma maldição.
Um dos momentos centrais da secção será a tradicional “Maratona Boca do Inferno”, agendada para a madrugada de 8 de maio no Cinema Ideal, dedicada à exibição sucessiva de objetos fílmicos fora do circuito comercial convencional.
“Balearic” (2025), Ion de Sosa
“Camp” (2025), Avalon Fast
“Dracula” (2025), Radu Jude
“Fucktoys” (2025), Annapurna Sriram
“Homemade Gatorade” (2025), Carter Amelia Davis
“Index” (2025), Radu Muntean
“Interface” (2026), Aya Kawazoe
“Life of the Organoid” (2025), Daan Lucas
“Obsession” (2025), Curry Barker
“Tinsman Road” (2025), Robbie Banfitch
“Thanks To Meet You!” (2025), Richard Hunter
“Um” (2025), Luis Nieto
“Weird To Be Human” (2025), Jan Grabowski
“We Put the World to Sleep” (2025), Adrian Țofei
Smart7 com sete filmes de cineastas europeus emergentes
O festival acolhe a quarta paragem da competição itinerante Smart7, que reúne sete filmes de cineastas emergentes de sete países europeus.
O IndieLisboa é a segunda paragem desta rede, após o festival Kino Pavasaris (Lituânia) e antes de seguir para certames em Espanha (FilMadrid), Roménia, Polónia, Islândia e Grécia. A representar Portugal nesta competição está a obra “Óculos de Sol Pretos”, de Pedro Ramalhete.
A seleção oficial da Smart7 para 2026 inclui ainda “A River’s Gaze” (Andreea Cristina Borțun, Roménia), “As Liñas Descontinuas” (Anxos Fazáns, Espanha), “No Ghosts on Good Street” (Emi Buchwald, Polónia), “Patty Is Such a Girly Name” (Giorgos Georgopoulos, Grécia), “The Visitor” (Vytautas Katkus, Lituânia) e “The Fires” (Ugla Hauksdóttir, Islândia).
A rede Smart7 tem como objetivo o apoio estratégico à circulação do cinema europeu. Em edições anteriores, filmes da competição nacional do IndieLisboa venceram este galardão itinerante, nomeadamente “Índia”, de Telmo Churro (2023), e “Hanami”, de Denise Fernandes (2025).
“A River’s Gaze” (2025), Andreea Cristina Borțun
“As Liñas Descontinuas” (2025), Anxos Fazáns
“No Ghosts on Good Street” (2025), Emi Buchwald
“Óculos de Sol Pretos” (2025), Pedro Ramalhete
“Patty Is Such a Girly Name” (2025), Giorgos Georgopoulos
“The Visitor” (2025), Vytautas Katkus
“The Fires” (2025), Ugla Hauksdóttir
ESFN – European Short Film Network
A secção ESFN – European Short Film Network do IndieLisboa vai dedicar-se este ano ao cinema expandido, apresentando a instalação imersiva “it’s not the sun who is moving”, do artista espanhol Luis Macías.
A obra, que se situa na interseção entre o cinema experimental e a performance artística, será apresentada a 9 de maio no Palácio Sinel de Cordes, polo da Trienal de Arquitectura de Lisboa, coincidindo com o primeiro dia do roteiro Open House Lisboa.
A instalação utiliza seis projetores de 16mm com imagens do sol e da lua espalhados por várias salas do palácio, propondo uma experiência sensorial que desafia os limites da projeção convencional. O projeto foi desenvolvido em parceria com a rede europeia This Is Short e a Trienal de Arquitectura de Lisboa.
Segundo a organização do IndieLisboa, o foco no cinema expandido — linguagem nascida na década de 1960 — procura sublinhar a dimensão física e espacial do filme enquanto objeto artístico, integrada na programação de curtas-metragens do festival.
IndieJúnior apresenta 45 filmes e reforça acessibilidade com legendagem para surdos
A secção IndieJúnior vai apresentar 45 filmes de várias geografias, incluindo três estreias mundiais e quatro produções portuguesas.
Um dos destaques da programação é a longa-metragem “Olívia e o Terramoto Invisível”, de Irene Borra, que aborda a resiliência familiar através da imaginação infantil. Em parceria com a Fundação Meo, o festival reforça este ano os recursos de acessibilidade, disponibilizando legendagem descritiva e Interpretação em Língua Gestual Portuguesa (ILGP) para esta obra e para todas as sessões destinadas ao 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.
Além das salas de cinema, o IndieJúnior promove a “Festa ao Ar Livre” no dia 9 de maio, no jardim da Biblioteca Palácio Galveias, numa iniciativa conjunta com o festival literário Lisboa 5L. A programação paralela inclui ainda oficinas de cinema para crianças, orientadas pela realizadora Zoe Schmidt, e uma atividade sobre arquitetura e permacultura na horta da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integrada no roteiro Open House Lisboa.
“3.ª Ronda”, Liesbeth De Mey
“A Emancipação de Mimi” (2025), Marcelo Pereira
“A Luz é Grande” (2025), Markus Duffner
“A Quinta de Lena: Ninho Cheio” (2025), Elena Walf
“A Quinta de Lena: Sonho de Voar” (2025), Elena Walf
“A Rapariga do Banjo” (2025), Kater Becker
“A Sra. Armitage sobre Rodas” (2024), Gerrit Bekers
“A Vida de um Cão” (2025), Sophie Olga de Jong e Sytske Kok
“América” (2025), Javier Arias-Stella
“Ananásimos” (2025), Anna Bawa
“Baião Interior” (2025), Héloïse Dorsan-Rachet
“Carrossel” (2025), Zoe Schmidt
“Carrinho de Rolamentos” (2025), Finn Walther
“Chica” (2025), João Victor Silva e Matheus Malburg – Estreia mundial
“Cão Sozinho” (2025), Marta Reis Andrade
“Desenhos no Gelo” (2025), Marion Auvin
“Dueto” (2025), Leo Brunel
“Encontrei!” (2025), Juliette Baily
“Esta é a Minha Irmã” (2025), Zoé Pelchat
“Eu, Tu e o Fumo” (2025), Rachel Shiloach
“Experiências e aprendizagens. E parentalidade.” (2025), Malgorzata Rybak
“Fogo no Bolso” (2025), Janka Feiner
“Girino” (2024), Julia Skala
“Há muito, muito tempo” (2025), Ayumu Hyodo – Estreia mundial
“Já dei o berro” (2025), Nawojka Wierzbowska
“Juntar” (2025), Brennan Bova
“Morcegos e Insectos” (2026), Lena von Döhren
“Nozíssimo” (2025), Nicolas Bianco-Levrin
“Nublado” (2018), Filip Diviak, Kateřina Čupová
“Numa Noite Estrelada” (2024), Masha Rumyantseva
“O Carnaval dos Animais” (2025), Emily Barbelin – Estreia mundial
“O Outro Planeta” (2023), 10 Children
“O Verão de Eloise” (2025), Lize Cuveele
“Olívia e o Terramoto Invisível” (2025), Irene Iborra
“Os Pássaros da Rua de Trás” (2025), Gertrūda Nemčauskaitė
“Pat, Mat e o Ar Condicionado” (2025), Marek Beneš
“Peixe Nuvem” (2025), Noe Garcia
“Pequenino” (2025), Marta Gennari
“Primeiro Voo” (2025), Adrian Jaffé
“Quero Muito Ver-te” (2025), Petronella Van Der Hallen, Sébastian Segers, Zaïde Bil
“Rui Carlos” (2025), Margarida Paias
“Tatarang!” (2024), Manri Kim
“Uma Dor no Rabiosque” (2025), Elena Walf
“Ursinho Silencioso” (2021), Māra Liniņa
“Voo Raso” (2024), Filip Dobeš
O IndieLisboa decorre de 30 de abril a 10 de maio, reafirmando com o IndieJúnior a missão de literacia visual e iniciação cinematográfica para o público escolar e familiar.
Escrito por TunetRádio
Boca do Inferno Director’s Cut ESFN – European Short Film Network IndieLisboa IndieMusic Isto não é um documentário Smart7