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TunetRádio Cultura Primeiro
A 98.ª edição dos Óscares ficou marcada por uma forte carga política e momentos de profunda nostalgia, com Conan O’Brien na condução de uma gala onde o humor serviu de arma contra as guerras e o cenário político norte-americano e internacional.
Conan O’Brien contou com a cumplicidade de Jimmy Kimmel em palco para uma sucessão de tiradas críticas. Entre referências diretas a Donald Trump e ao clima de tensão global, a dupla não poupou ironia ao estado atual de Hollywood e de Washington, transformando o palco do Dolby Theatre num fórum de mensagens anti-guerra que ecoaram em vários discursos de aceitação ao longo da noite.
Um dos momentos mais emotivos da gala foi protagonizado por Barbra Streisand. A icónica “Babs” subiu ao palco para uma homenagem sentida a Robert Redford, revisitando a química que os uniu em “Tal Como Éramos” (1973). A plateia, de pé, rendeu-se à partilha de memórias de Streisand, num dos segmentos mais aplaudidos da cerimónia.
Antes desse momento, o clássico apresentador dos Óscares da década de 1990 Billy Crystal deixou a sala emocionada com um tributo especial ao realizador Rob Reiner e à sua esposa, Michele Singer Reiner, falecidos no final de 2025. Crystal destacou o legado humanitário e artístico do casal, num discurso que equilibrou o humor clássico do ator com o reconhecimento de uma vida dedicada ao cinema e às causas sociais como a igualdade no casamento entre pessoas do mesmo sexo.
No campo das surpresas da noite, o auditório emocionou-se com o agradecimento das “Guerreiras do K-Pop”. Ao vencerem os Óscares de Melhor Longa-Metragem de Animação e de Melhor Canção, as vencedoras protagonizaram um dos momentos mais genuínos da emissão, num discurso marcado por lágrimas e pelo reconhecimento do impacto global da cultura coreana e da perseverança individual.
Um dos momentos mais virais da 98.ª edição dos Óscares foi protagonizado por Grogu (popularmente conhecido como “Baby Yoda”), que se tornou o alvo preferencial das piadas do anfitrião Conan O’Brien. A pequena criatura, presente na plateia do Dolby Theatre, foi interpelada pelo apresentador que não resistiu a brincar com o facto de Grogu ser fisicamente incapaz de bater palmas para celebrar os vencedores.
Referindo-se à obra sobre a primeira-dama — que ficou fora das nomeações —, o anfitrião ironizou sobre o “suspense” da narrativa: “É o único filme onde o protagonista consegue estar presente em todas as cenas sem expressar uma única emoção humana. É um prodígio de efeitos visuais naturais”, atirou O’Brien, sob o riso cúmplice da plateia.
Jimmy Kimmel questionou se o documentário seria elegível para a categoria de “Melhor Filme de Ficção Científica” ou “Melhor Curta de Silêncio”, numa alusão à postura reservada de Melania Trump.
O momento de maior tensão política ocorreu durante a entrega do Óscar de Melhor Documentário a “Mr. Nobody against Putin” (na fotografia de capa). O realizador exprimiu-se em russo para enviar uma mensagem de resistência aos opositores de Vladimir Putin, mas também para alertar para o autoritarismo crescente de Donald Trump.
O apresentador e alguns dos premiados ao longo da noite recordaram as vítimas da violência armada nos EUA, com O’Brien a questionar a “passividade legislativa” perante as tragédias sucessivas.
A cerimónia, que culminou na consagração de “Batalha Atrás de Batalha”, de Paul Thomas Anderson, reafirmou a tendência da Academia para premiar não só o mérito artístico, mas também a relevância das vozes que se levantam contra o isolacionismo e os conflitos armados.
Escrito por TunetRádio
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