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TunetRádio Cultura Primeiro
Com sessões de lotação praticamente esgotada e uma atmosfera que recupera a mística do cinema “a sério”, o Centro Cultural do Morgado está a consolidar-se, localmente, como um reduto de resistência cultural contra o encerramento de salas no país.
A programação do primeiro trimestre de 2026 sofreu uma alteração de relevo com a impossibilidade de exibição de “Jujutsu Kaisen”. No dia 22 de março, a vila recebe um dos títulos mais falados do ano, “O Agente Secreto“, o mais recente filme de Kleber Mendonça Filho, que chega a Arruda dos Vinhos poucos dias após a participação na cerimónia dos Óscares, onde soma quatro nomeações (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator).
“O Agente Secreto”: Do Recife para o Mundo
Situado no Brasil de 1977, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), um homem que se muda para o Recife na esperança de encontrar tranquilidade, mas que rapidamente percebe que está a ser vigiado.
O realizador Kleber Mendonça Filho é hoje a voz “mais poderosa” do cinema brasileiro contemporâneo, premiado em Cannes por “Bacurau” e “Aquarius”. Sobre este projeto, o realizador afirmou que lhe interessa “observar como o passado projeta sombras no presente. Este é um thriller sobre a paranoia e sobre como as pessoas sobrevivem em tempos de vigilância extrema.”
Já o protagonista Wagner Moura, mundialmente conhecido por “Narcos” e “Tropa de Elite”, entrega aqui uma interpretação contida e tensa. Moura refere que “trabalhar com o Kleber é mergulhar na alma do Brasil; o Marcelo é uma personagem que carrega o silêncio de uma época difícil.”
O interesse nacional é reforçado pela participação da atriz portuguesa Isabél Zuaa numa produção candidata aos Óscares. Seguindo os passos de nomes como Maria de Medeiros — que integrou o elenco de “Pulp Fiction” —, Zuaa interpreta Teresa Victória, uma personagem que simboliza as pontes transatlânticas entre Portugal, Angola e o Brasil. A atriz, que tem dividido a carreira entre os dois lados do oceano, descreveu a experiência como “uma honra enorme” ao “fazer parte desta história e ver o cinema falado em português ocupar este espaço”.
O triunfo do cinema de autor: De Kleber Mendonça Filho a Miguel Gomes
A curadoria de Luís Esteves e André Agostinho, da câmara municipal de Arruda dos Vinhos, mantém o equilíbrio entre o entretenimento e a arte. A fechar o trimestre, a 29 de março, será exibido “Grand Tour“, de Miguel Gomes.
Vencedor do prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes, este filme é o “exemplo máximo” da vitalidade do cinema português. A sua exibição em Arruda dos Vinhos reforça a missão da autarquia de provar que o cinema de autor “não tem de ser elitista, mas sim acessível e transformador”. A presença de um filme português premiado mundialmente, a par do sucesso brasileiro nomeado para os Óscares, coloca Arruda dos Vinhos no mapa da exibição cinematográfica de “excelência”.
As sessões continuam a realizar-se aos domingos, às 15:00. A entrada é gratuita, mas a elevada procura recomenda a reserva e o levantamento antecipado de bilhetes (limite de 113 lugares) no Posto de Turismo de Arruda dos Vinhos.
Escrito por TunetRádio
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