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TunetRádio Cultura Primeiro
A Melhor Banda Desenhada de Autor Português dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora foi atribuída a Luís Louro pelo livro “Os Filhos de Baba Yaga“. O festival Amadora BD prossegue até domingo, 2 de novembro.
Na presente edição, o júri decidiu ainda atribuir um Troféu de Honra, a título póstumo, a Filipe Duarte Pina pela qualidade e relevância da sua obra para a banda desenhada nacional, destacando obras como “BRK” (com desenho de Filipe Andrade) ou a mais recente série “Macho-Alfa” (com desenho de Osvaldo Medina).
E uma Menção Honrosa na categoria Prémio Revelação atribuída à obra “Borboleta” de Madeleine Pereira, por esta se assumir como uma primeira obra de assinalável relevância, quer para a autora, quer para a banda desenhada portuguesa.
O júri da edição 2025 dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora foi composto por três jurados – Hugo Pinto (Presidente do Júri e representante do Município da Amadora), crítico literário e especialista em banda desenhada, Paulo Monteiro, Presidente do Clube Português de Banda Desenhada e Rui Cartaxo, investigador e especialista em banda desenhada.
Para garantir a total legitimidade e seriedade dos PBDA e de forma a assegurar que não existiam quaisquer conflitos de interesses, o jurado Paulo Monteiro (Presidente do Clube Português de Banda Desenhada, e em representação do mesmo) absteve-se de participar na votação referente às categorias de Melhor Fanzine/Publicação Independente e Prémio Revelação. Uma vez que a obra “Tales From Nevermore” (coassinada pelo seu filho) e alguns fanzines editados pela instituição que dirige estavam a concurso nas categorias mencionadas, o jurado Paulo Monteiro, nem sequer assistiu à votação nas referidas categorias.
VENCEDORES 2025 PRÉMIOS DE BANDA DESENHADA DA AMADORA
Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português
“Os Filhos de Baba Yaga”, de Luís Louro, das editoras A Seita e Arte de Autor (*imagem de capa do artigo)
Melhor Obra Estrangeira de Banda Desenhada Editada em Português
“O Meu Irmão”, de JeanLouis Tripp, da editora Ala dos Livros
Melhor Edição Portuguesa de Banda Desenhada
“O Meu Irmão”, de JeanLouis Tripp, da editora Ala dos Livros
Prémio Revelação
“Tales from Nevermore”, de Pedro N. e Manuel Monteiro, da editora Ala dos Livros
Melhor Fanzine / Publicação Independente
“Tuas Palavras Minhas”, de Ana Margarida Matos (Centro de Língua Portuguesa Camões IP – Bruxelas/Bedeteca de Beja)
Os Prémios de Banda Desenhada da Amadora (PBDA) são uma iniciativa da Câmara Municipal da Amadora (CMA), no âmbito do Amadora BD que, desde 1990, distingue os autores de banda desenhada, portugueses e internacionais. Em 2025, o Amadora BD atribui pelo quinto ano consecutivo um prémio pecuniário no valor de €5.000 à Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português.
Criado em 1990, o Amadora BD é uma iniciativa da CMA, que tem por objetivo promover a banda desenhada. Organizado ininterruptamente desde a sua criação, o Amadora BD desenvolve uma programação anual, que reúne autores, editores, agentes e colecionadores de diferentes nacionalidades em sessões de autógrafos, exposições, lançamentos, oficinas e apresentações. No âmbito do Amadora BD, os Prémios de Banda Desenhada da Amadora, distinguem, todos os anos, os autores e os jovens que se destacam no panorama da Banda Desenhada.
São 13 as exposições que fazem parte da 36.ª edição do Amadora BD. No Núcleo Central (situado no Parque da Liberdade) o Festival acolhe exposições individuais que destacam as carreiras de Luís Louro e Fábio Moon & Gabriel Bá e mostras que comemoram aniversários de alguns dos heróis da banda desenhada – 150 Anos de Zé Povinho, 85 Anos de Spirit, 75 Anos da série Peanuts e 65 Anos da Liga da Justiça. Haverá ainda lugar para conteúdos que revelam envolventes e impactantes histórias de mulheres, com exposições dedicadas aos mais recentes trabalhos das autoras Cy, Bea Lema e Zeina Abirached.
Na Galeria Municipal Artur Bual, estarão patentes duas exposições retrospetivas de Alice Geirinhas e Diniz Conefrey, e na Bedeteca, uma mostra dedicada ao álbum vencedor do Prémio Revelação na edição de 2024 dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora: “Amor”, de Filipa Beleza.
“The Spirit” – 85 anos a quebrar convenções
Will Eisner foi um visionário. A sua genialidade transcendeu muitas das convenções da época, explorando o potencial artístico e narrativo dos Comics.
“The Spirit” era ousado, uma mistura de noir, mistério e ação, de estética arrojada e fino detalhe. Denny Colt, um polícia que regressa dos mortos para combater o crime na fictícia Central City, carrega uma dualidade que simboliza não só a luta simplista entre o bem e o mal, mas também entre o invisível e o visível, plasmados nos justos e corruptos. Um herói que opera na periferia dos grandes poderes e que dialoga com o leitor, num tom de confidência e intriga. “The Spirit” é um espelho das transformações sociais, culturais e artísticas do século XX, em que as melhores histórias destapam uma reflexão sobre o estado do mundo a cada época: durante a Guerra, o silêncio tenso da espionagem; na década de 1960, a rebeldia contra a autoridade; e Eisner jamais desistiria de inovar até ao fim dos seus dias.
Com uma carreira que atravessou sete décadas, Will Eisner foi um dos grandes pioneiros da banda desenhada norte-americana. Além da série de culto “The Spirit”, foi autor de diversas graphic novels muito elogiadas (“O Contrato com Deus” e “Avenida Dropsie”) e de duas obras teóricas fundamentais: Comics and Sequential Art e Graphic Storytelling. Os mais importantes prémios anuais de banda desenhada receberam, em sua honra, o nome de “The Eisners”.
65 Anos da Liga da Justiça
A Liga da Justiça apareceu, pela primeira vez, na revista Brave and the Bold #28, datada de março de 1960. Herdeira de uma outra lendária equipa de super-heróis (a Sociedade de Justiça da América, a primeira da História da BD), a Liga reuniu um verdadeiro panteão de deuses gregos modernos. A DC Comics, quatro anos antes, tinha iniciado a Idade da Prata da BD e com isso sido responsável pelo ressurgimento dos Supers. A Liga representou uma inteligente manobra de marketing, ao reunir os pesos pesados da editora, as personagens mais emblemáticas e as mais poderosas: Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e o Caçador de Marte. Estes foram os sete originais, mas depressa a equipa engrossou as suas hostes com muitos outros membros, outras iterações, que se espalharam pela Terra e pelo Multiverso.
A Liga é muito mais do que uma equipa de super-heróis. É a mais impressionante linha de defesa do Bem contra todas as forças da escuridão. Os ilustradores Kevin Maguire (norte-americano), Ivan Reis (brasileiro), Marco Santucci e Maria Laura Sanapo (italianos) e Miguel Mendonça (português) marcam pela primeira vez presença em Portugal e acompanham a exposição na 36.ª edição do Amadora BD.
Peanuts: 75 anos a fazer amigos e a conquistar gerações
Foi a 2 de outubro de 1950, que os Peanuts, criados por Charles M. Schulz fizeram a sua estreia, em simultâneo, em sete jornais dos Estados Unidos. Desde esse dia e até hoje, as personagens dos Peanuts atravessaram fronteiras e conquistaram fãs em todo o mundo. De uma forma divertida e ternurenta, personagens como Charlie Brown ou Snoopy ensinaram-nos muito sobre o valor da amizade, a capacidade de superar dificuldades e a importância de ajudar os outros. O Amadora BD celebra nesta exposição os 75 anos de um grupo de eternas crianças (e do cão Snoopy, claro) com pensamentos adultos e reflexões intemporais.
Charles M. Schulz nasceu em 1922 em Minneapolis, Minnesota e faleceu em 2000, vítima de cancro, na noite anterior à publicação da sua última tira cómica. A sua carreira estendeu-se por mais de 50 anos onde desenhou mais de 18.250 tiras cómicas dos Peanuts dando vida ao angustiado Charlie Brown, ao romântico Snoopy, ao pianista Schroeder, a Linus e ao seu totem-cobertor e à autocentrada Lucy. Todas estas personagens povoam o imaginário de milhares de pessoas por todo o mundo.
40 anos de Louroverso. Traços de uma vida
Exposição comemorativa e retrospetiva dos 40 anos de carreira de Luís Louro. Ambiciosa, pretende mostrar ao público as mais de 50 obras criadas pelo autor (desde “Jim del Monaco” à mais recente “Os Filhos de Baba Yaga”).
Nascido em Lisboa em 1965, Luis Louro é um autor de banda desenhada com 40 anos de carreira tendo publicado a sua primeira história em 1985. Criou séries como “Jim del Mónaco”, “Roques & Folque” e “O Corvo”, destacando-se como desenhador, argumentista e colorista. A partir dos anos 90, desenvolveu várias obras a solo, como Alice e Coração de Papel. Após um interregno, regressou com novos títulos das suas séries, incluindo álbuns mais recentes de “O Corvo”, a série infantil “O Corvinho” e a reedição de trabalhos anteriores. Em 2024, foi distinguido com o Troféu de Honra no Festival de BD da Amadora. Em 2025, assinala 40 anos de carreira com o lançamento da sua obra mais ambiciosa, “Os Filhos de Baba Yaga”.
“O Corpo de Cristo”, de Bea Lema
Quando Vera era criança, um demónio assombrava a sua casa e atormentava a sua mãe, devastando-lhe os nervos até ficar de cama durante dias. Entre sessões de exorcismo com uma bruxa e consultas com o psiquiatra, ano após ano, a superstição desvaneceu-se, dando lugar ao diagnóstico. Mas, apesar dos abusos, das doenças e das excentricidades, o amor entre mãe e filha é mais forte do que qualquer outra coisa, sobrevivendo à passagem do tempo e às tempestades.
‘O Corpo de Cristo’ é a declaração de amor de uma filha à sua mãe, de quem precisa de cuidar desde muito nova, mas é também o retrato trágico e universal de uma mulher presa no seu papel de filha, mãe e esposa numa Espanha patriarcal, pobre e católica. Realizada durante uma residência na Maisons des auteurs em Angoulême (França), esta primeira novela gráfica de Bea Lema destaca-se pelo seu estilo impressionante: para além dos desenhos, há incríveis bordados artesanais da autora e um design enganadoramente ingénuo inspirado nos arpilleristas chilenos, bem como decorações que lembram a cerâmica espanhola.
Bea Lema (Corunha, 1985) é ilustradora e autora de banda desenhada. O seu trabalho, de carácter autobiográfico, aborda temas como a loucura, traumas, relações familiares, religião e rituais populares, combinando desenho e bordado. Em 2022, participou numa residência artística em Angoulême, onde desenvolveu o seu primeiro livro de BD. Esta obra, publicada em França e Espanha, recebeu vários prémios internacionais entre 2023 e 2025.
“Kahlil Gibran e o Líbano” por Zeina Abirached
Esta exposição acolhe algumas das suas obras mais marcantes – “A Dança das Andorinhas: Morrer, Partir, Regressar”, editada pela Levoir em 2016, “Ovelha”, editada pela Levoir em 2024 – e “O Profeta”, a mais recente adaptação “A Dança Das Andorinhas”, de Zeina Abirached. “O Profeta” é alma poética: reúne ensaios sobre amor, amizade, morte, liberdade, trabalho, beleza, dor… temas centrais à condição humana, expressos numa prosa que, nesta versão gráfica, encontra eco visual na luz, sombra e no traço íntimo de Abirached.
A exposição pretende, ainda, mostrar a trajetória de Zeina Abirached, desde a recordação direta da sua infância em Beirute, exposta na intensidade e fragilidade de “A Dança das Andorinhas”, até à interpretação e ilustração de visões espirituais e filosóficas como as de “O Profeta”. Trata-se, assim, de um convite ao público para refletir sobre as noções de partir, morrer, regressar — tanto literal como metaforicamente.
Embora muitas das narrativas partam do Líbano, da guerra civil, das ruturas, há em cada página uma pergunta que atravessa culturas: quem somos quando tudo o que conhecíamos se desfaz? Qual é o lugar da palavra, da poesia, do silêncio no meio do caos? Por que O Profeta agora?
Nascida em Beirute (Líbano) em 1981, Zeina Abirached estudou na Academia Libanesa de Belas Artes e depois na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, em Paris. É autora de várias bandas desenhadas publicadas: “Beyrouth catharsis” (2006), “38 rue Youssef Semaani” (2006), “A Dança das Andorinhas” (2007) e mais recentemente “A Ovelha” (2024).
“Radium Girls”, de Cy
New Jersey, 1918. Edna Bolz entra como operária para a United State Radium Corporation, uma fábrica que fornece relógios ao exército. Ao lado de Katherine, Mollie, Albina, Quinta e outras, aprende o ofício de pintar mostradores com tinta Undark (uma substância luminescente muito preciosa e muito cara) a um ritmo constante. Embora a carga de trabalho seja pesada, o ambiente na fábrica é bastante bom. As raparigas dão-se bem e até convivem depois do trabalho. Denominam-se ‘Ghost Girls’: por brincadeira, pintam as unhas, os dentes ou a cara para ofuscar (literalmente) os outros à noite. Mas o que elas não sabem é que, por detrás das suas propriedades espantosas, a substância que manuseiam todo o dia e com a qual brincam é, na realidade, mortal. E quando algumas delas começam a sofrer de anemia, fracturas e até tumores, há quem comece a tentar compreender o que se passa. Outros tentam abafar o caso.
Aclamada pelos leitores e pela crítica, “Radium Girls” conta-nos histórias de lutas das mulheres nos anos 20 nos Estados Unidos.
Cy é designer gráfica de formação e uma das principais colunistas do Madmoizelle.com, o site com 4,5 milhões de visitantes mensais e 230 mil fãs no Facebook. Publicou Le vrai sexe de la vraie vie (volumes 1 e 2), em que aborda a apresentação de excertos de sexualidade baseados em relatos pessoais.
“O Abismo do Esquecimento”, de Paco Roca e Rodrigo Terrasa
A 14 de setembro de 1940, 532 dias depois de a Guerra Civil Espanhola ter terminado, José Celda e outros onze homens foram fuzilados pelo regime franquista em Paterna, Valência e, com eles, enterrado numa vala comum. Após mais de sete décadas, e depois de um percurso longo e conturbado pelos meandros burocráticos e políticos de um país que convive mal com a memória do seu passado, Pepica, filha de José, agora com oitenta anos (tinha 8 quando o pai foi morto), conseguiu finalmente localizar e recuperar os seus restos mortais para assim restaurar a sua dignidade.
Na batalha pessoal que Pepica Celda travou contra o esquecimento, o papel de Leôncio Badía foi decisivo. Naquela época, Leôncio era um jovem republicano que, depois de sair da prisão, se viu condenado a trabalhar como coveiro no cemitério da cidade. Obcecado pelo sentido da vida e pela ordem do universo, e pondo em risco a sua própria sobrevivência, colaborou secretamente durante anos com as viúvas dos fuzilados para permitir a posterior identificação dos seus corpos e enterrando-os da forma mais digna possível.
Paco Roca, nasceu em Valencia, em 1969, estudou Belas-Artes e trabalhou em publicidade, antes de abrir o seu próprio estúdio de ilustração. É considerado um dos maiores ilustradores, cartoonistas e guionistas espanhol. Com inúmeros trabalhos premiados (“A Casa”, “O Inverno do Desenhador”, “O Tesouro do Cisne Negro”, “Os Trilhos do Acaso” (obra em 2 volumes), “Andanças e Confissões de um Homem em Pijama”, “O Farol/O Jogo Lúgubre”, “Memórias de um Homem em Pijama” e “O Abismo do Esquecimento”) assiste, em 2012, à adaptação da sua obra “Rugas” ao cinema tendo o filme sido galardoado com 2 prémios Goya.
“A Vida a Quatro Mãos”, Fábio Moon e Gabriel Bá
Exposição retrospetiva da dupla Fábio Moon e Gabriel Bá, que publica desde os anos 90 do século XX. Apresentaram-se ao público leitor com o fanzine 10 Pãezinhos, auto-editado, e desde então já publicaram vários livros em editoras brasileiras e internacionais. Distinguido com os prémios Eisner, Eagle e Harvey, entre outros importantes galardões de banda desenhada, o trabalho e o universo desta dupla estendem-se em diversas direções, sempre com o quotidiano e os rumos imprevisíveis que cada vida vai tomando no centro da narrativa.
Autores de banda desenhada, reconhecidos internacionalmente, sendo dos autores mais premiados do Brasil, com trabalhos publicados em diversas editoras e idiomas, como os Estados Unidos da América, Espanha, Portugal e Itália. Foram galardoados com alguns dos troféus mais importantes da banda desenhada internacional, como o Eisner Award, o Harvey Award e o Jabuti.
Zés há muitos: BDs não faltam
Exposição que celebra os 150 anos de Zé Povinho, personagem nascido a 12 de junho de 1875, nas páginas do jornal ‘A Lanterna Mágica’ pelas mãos de Rafael Bordalo Pinheiro (um dos artistas mais importantes do século XIX e também um dos pais da Banda Desenhada em Portugal) tornando-se num dos maiores ícones da cultura portuguesa e, talvez, o maior legado que o artista nos deixa.
Este personagem, que ora nos surge a dormir, ora surge a gesticular o manguito, é um reflexo da população de outrora, passiva e sem noção dos seus deveres e direitos, mas que em situações de maior pressão social, ou em que a albarda que carregava às costas estava demasiado pesada, mandava ‘os pés à parede’ e exercia finalmente uma cidadania consciente. Por estes e outros motivos mesmo sendo um cidadão sénior, Zé Povinho continua a ser utilizado e representado por tantos outros artistas das mais diversas áreas criativas e o mesmo não é exceção na banda desenhada, sempre que assim é necessário. Por esse mesmo motivo e para celebrar com o devido regozijo, trazemos várias reinterpretações de alguns dos alunos, convidados e formadores do Curso de Banda Desenhada, cujas várias edições realizadas no Museu Bordalo Pinheiro, acabam sempre de uma forma ou de outra cruzar valores do artista que lhe dá nome e do dia a dia do nosso Zé, que parece muitas vezes necessitar de ser recordado de alguns deles. Nestas pranchas poderemos então contar com temas como a igualdade, a liberdade de expressão (sempre com muita responsabilidade associada), a educação ou a falta dela, os direitos de um povo, mas todos eles polvilhados com humor à discrição e sempre prontos a lembrar-nos que o Zé é dono da casa, mas nem sempre se lembra que manda.
Alice Geirinhas: “Sexus Sequior”
A exposição de Alice Geirinhas intitulada “Sexus Sequior” dá continuidade à sua pesquisa e à sua posição feminista ativista, sobre a condição humana e as diversas formulações históricas que secundarizam a mulher, como escreve de Arthur Schopenhauer no Ensaio acerca das mulheres, em que a mulher é colocada no lugar secundário, sem capacidade de compreensão do in abstracto.
A dissecação e desconstrução dessa ideia de “Sexus Sequior”, o segundo sexo, compõe uma parte substancial do corpo de trabalho da artista, nas suas várias vertentes: desenho, pintura, ilustração e diferentes técnicas, como a grattage ou, a pintura. Tendo a série como processo de trabalho constante a artista desenvolve diversas composições, por vezes gráficas, mas de intensa plasticidade pictórica, em que a vinheta, atribuída à banda desenha, se cruza com trabalhos em fase de processo de ateliê, de experimentação e de interrogação do espectador, num arco temporal de mais de vinte anos de trabalho.
Nascida em Évora, em 1964, é artista, ilustradora, autora de banda desenhada e docente. Licenciada em Escultura, com mestrado e doutoramento em Arte Contemporânea, tem desenvolvido atividade académica e pedagógica em várias instituições, incluindo a Universidade de Coimbra. Iniciou-se como ilustradora no jornal Combate em 1988 e é autora de diversos livros de banda desenhada e livros de artista. Participou em vários fanzines, incluindo Gasp (1992), o primeiro dedicado à BD no feminino em Portugal. Também desempenhou funções de programação e formação na Bedeteca de Lisboa.
Diniz Conefrey: Planta Circular
Pertencendo à geração da moderna banda desenhada portuguesa, Diniz Conefrey distingue-se por abordagens à linguagem da BD que transcendem os formatos convencionais. As suas obras rejeitam a linearidade, conjugando elementos visuais, poéticos e filosóficos de forma experimental e introspetiva, evocando atmosferas meditativas e metafóricas, explorando o tempo, o corpo e o silêncio.
Inspirado pelas várias experiências no México e pela edição artesanal, o autor constrói livros como objetos artísticos. Em parceria com a artista Maria João Worm, criou a editora Quarto de Jade que tem publicado nos últimos anos um conjunto de livros particulares, belos e imprevisíveis. Esta exposição apresenta uma derivação de planos narrativos, partindo do núcleo de originais doados pelo autor ao acervo da Câmara Municipal da Amadora/Bedeteca da Amadora, organizando-se por áreas temáticas que atravessam várias obras.
Diniz Conefrey, nascido em Lisboa em 1965, é um autor e ilustrador com formação autodidata, complementada por um curso de desenho na Sociedade Nacional de Belas Artes. Ao longo de mais de trinta anos, colaborou com diversos jornais, revistas e editoras, destacando-se na ilustração e na narrativa gráfica. Foi bolseiro do Estado Mexicano em 2005, 2007 e 2015. Fundou, com Maria João Worm, a editora Quarto de Jade, onde tem publicado vários dos seus livros. Colaborou também com a Pianola Editores e participou regularmente na revista Cão Celeste. No campo da poesia, é autor de “No coração de Agave” (2017), “Afluentes de Adobe” (2018, com Alexandre Sarrazola e Maria João Worm), “Um fio atravessa a noite” (2019) e “Fístula” (2024). Em banda desenhada, destacam-se “O Livro dos Dias” (Devir, 2005) e “Os Labirintos da Água” (Quarto de Jade, 2017).
“AmorAmor”, de Filipa Beleza
O amor é lindo e não conhece fronteiras. Seja amor romântico, amor familiar, amor pela cadela da nossa falecida avó que, por sorte ou azar, nos calhou em herança. O amor é universal e imprescindível.
Em seis histórias coloridas em formato de banda desenhada, a autora explora vários tipos de amor que nos levam num carrossel de emoções – como o amor deve ser – deixando-nos, por vezes, de coração partido. Mas já se sabe que não há maior desgosto do que o desgosto de amor.
Filipa Beleza nasceu em Braga em 1992. Porque queria vestir-se toda de cor-de-rosa chegou a fazer umas aulas de ballet em criança, mas como a coisa não correu bem, decidiu dedicar-se a atividades que exigissem menos coordenação motora. Estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes do Porto e, mais tarde, completou o mestrado em Ilustração e Banda Desenhada pela Elisava, em Barcelona. Agora, gosta de passar grande parte do seu tempo a desenhar as próprias crises existenciais – mas as dos outros também servem.
Em 2025, o Amadora BD alarga o horário dedicado às sessões de autógrafos com autores e, para além dos habituais períodos disponíveis durante o fim-de-semana, o Festival passa a ter sessões adicionais nas duas sextas-feiras do evento, entre as 18h e as 20h. Outra novidade é a Hora da BD (de segunda a quinta-feira, das 18h às 20h, os visitantes podem beneficiar de descontos adicionais de até 15% na compra de livros). Ambas as iniciativas acontecem no Núcleo Central do Festival – Parque da Liberdade.
Escrito por TunetRádio
Amadora BD Luís Louro Melhor Banda Desenhada de Autor Português Os Filhos de Baba Yaga