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    TunetRádio Cultura Primeiro

MÚSICA

André Carvalho apresenta novo disco no Guimarães Jazz e no CCB

today31/10/2025 3

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Depois de “No man steps in the same river twice, for it’s not the same river and he’s not the same man”, André Carvalho revela o segundo single “Dores de Crescimento” do seu novo álbum, “Of Fragility and Impermanence”, que “aprofunda a exploração do compositor sobre a fragilidade e transitoriedade da experiência humana”.

“Dores de Crescimento” parte da ideia de que crescer é um processo “inevitavelmente doloroso – não apenas no corpo, mas na formação da identidade, nas descobertas emocionais e nas marcas que ficam quando deixamos de ser quem fomos”. Através de uma linguagem musical “contemplativa e sensível”, Carvalho traduz esta “dualidade entre dor e aceitação, entre perda de inocência e serenidade diante da ordem natural da vida”.

Mantendo o carácter “exploratório” que define “Of Fragility and Impermanence”, o compositor volta a cruzar elementos acústicos e electrónicos, criando uma paisagem sonora que “celebra a vulnerabilidade e a beleza das transformações inevitáveis”.

O single conta com a participação de José Soares (saxofone), Samuel Gapp (piano) e João Hasselberg (electrónica), músicos que integram o núcleo do álbum, editado pela Robalo Music. O lançamento é acompanhado por um vídeo promocional criado por João Hasselberg, que “traduz visualmente o carácter introspetivo e emocional” da peça.

Com este lançamento, André Carvalho “continua a construir o universo sensível e contemplativo de “Of Fragility and Impermanence”, um trabalho que reafirma a sua busca por uma música que abrace a delicadeza, a imperfeição e o mistério do ser humano”.

A fragilidade não é fraqueza. Ela espelha a complexidade do ser. A vulnerabilidade caminha a seu lado, abrindo-nos ao espanto, ao risco, aos laços que nos unem. Reconhecê-las é despertar – crescer, sentir, abraçar. A impermanência atravessa cada instante. Cada nota, cada silêncio, cada textura celebra o momento fugaz e irrepetível que se desenrola no tempo e logo se desfaz.

«Nos últimos anos, tenho sido tocado por emoções que coexistem lado a lado, em delicada tensão. Ser pai revelou-me um amor que desconhecia, radiante mas frágil – uma beleza que se entrelaça com o medo de a perder, ou de não estar à altura dela. Volto muitas vezes à infância, ao espanto luminoso das pequenas coisas, à facilidade com que o mundo sabia e conseguia maravilhar. O tempo suaviza esse olhar; a inocência desvanece, a beleza escapa. E, no entanto, nos olhos dos meus filhos regressam fragmentos desse espanto, fugidios e preciosos, entrelaçados na fragilidade da sua passagem. A distância da família, o lento avançar dos anos, o silêncio do envelhecer e da ausência levaram-me a meditar sobre a transitoriedade da vida, as suas profundezas ocultas e as suas revelações inesperadas. Estar próximo de pessoas queridas a atravessar a doença tornou esta consciência ainda mais viva – uma proximidade frágil da perda, um sentimento agudo de impotência perante a vulnerabilidade do corpo, e, contudo, um lembrete da ternura que resiste mesmo diante da luta constante da vida contra a morte. Essa consciência acompanhou-me além-fronteiras, e talvez nunca a tenha sentido de forma tão intensa como nos anos em que vivi como imigrante, habitando outro mundo enquanto habitava a minha própria vulnerabilidade. A fragilidade não é fraqueza. Ela espelha a complexidade do ser. A vulnerabilidade caminha a seu lado, abrindo-nos ao espanto, ao risco, aos laços que nos unem. Reconhecê-las é despertar – crescer, sentir, abraçar. A impermanência atravessa cada instante. Cada nota, cada silêncio, cada textura celebra o momento fugaz e irrepetível que se desenrola no tempo e logo se desfaz. Esta obra nasceu dessa tensão – uma meditação sobre a fragilidade e a impermanência, e sobre como abraçá-las pode trazer profundidade e ternura à forma como existimos, como amamos, como vivemos.»

Cada peça do álbum nasce como uma “meditação independente, abordando diferentes perspetivas: a vulnerabilidade da parentalidade, a melancolia ligada ao desejo de regressar a um estado primordial de plenitude ou a beleza efémera de pequenos gestos quotidianos”. Através desta lente, Carvalho cria música que “convida à escuta atenta e à reflexão, evocando tanto delicadeza como intensidade emocional”.

O álbum “celebra a delicadeza do som e a efemeridade dos momentos, abraçando a vulnerabilidade como caminho para o autoconhecimento e capturando a essência fugaz da vida. Esteticamente, dá continuidade à busca do compositor por novas linguagens musicais, onde elementos acústicos e electrónicos se entrecruzam, explorando instrumentação pouco convencional e sons menos consensuais. Explora também o limiar entre composição e improvisação, criando fronteiras subtis que dificultam ao ouvinte distinguir o que é planeado do que é espontâneo. Nesse território, Carvalho trabalha os contrastes entre silêncio e densidade, clareza e ruído, o íntimo e o universal”.

“Of Fragility and Impermanence” será lançado a 7 de novembro em digital, CD e LP através da Robalo Music, com apresentações no Guimarães Jazz (8 de novembro de 2025), CCB – Festa do Jazz (21 de dezembro de 2025), Bota Anjos (28 de fevereiro de 2026) e Teatro Municipal de Bragança (18 de junho de 2026).

Fotografia de capa por João Hasselberg.

Escrito por TunetRádio

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