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    TunetRádio Cultura Primeiro

MÚSICA

Chico César regressa a Portugal de 12 a 21 de março de 2026

today30/10/2025 7

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Em março de 2026, a digressão de Chico César que celebra os 30 anos do lançamento do seu disco de estreia “Aos Vivos” chega a Portugal e faz escala em Leiria (dia 12, no Teatro José Lúcio da Silva), Torres Novas (dia 13, no Teatro Virgínia), Ponta Delgada (dia 14, no Teatro Micaelense), Porto (dia 16, na Casa da Música), Lisboa (dia 20, no Teatro Tivoli BBVA), Guarda (dia 20, no Teatro Municipal) e Estarreja (dia 21 no Cine-Teatro), num total de sete datas. O músico brasileiro revisita as canções que o revelaram ao mundo num disco que “nunca perdeu a sua força e vitalidade”.

Chico César, munido “apenas da sua voz e do seu violão”, gravou o que viria a ser “um dos discos mais surpreendentes e ousados” da música popular brasileira, “Aos Vivos”. Um primeiro álbum lançado em formato ao vivo, “sem rede, em registo cru e intimista”, lê-se na nota enviada à comunicação social.

“Aos Vivos” não foi “apenas uma estreia, foi um manifesto”. Gravado em São Paulo em 1994 e lançado no ano seguinte, o álbum captou Chico César em “estado puro”. A cadência sertaneja de “Béradêro”, o hino social de “Mama África”, a balada romântica “À Primeira Vista” (re-interpretada por Daniela Mercury na banda sonora da novela “O Rei do Gado”), o baião de “Paraíba”, a intensidade de “Mulher Eu Sei” e a delicadeza de “Templo”.

A digressão que passa por Portugal em 2026 “resgata o espírito original”. Um espectáculo a solo, voz e violão, onde cada canção é apresentada ao vivo “no seu estado primordial, numa ambivalência frágil mas poderosa, intimista na sua partilha coletiva”. É um “regresso à ousadia de 1995 por um artista que nunca envelheceu”.

Não posso deixar de mencionar os encontros emocionados com artistas como Né Ladeiras, Fausto, Filipa Paes e tantos outros. E o encontro mais importante: com o público português, sempre tão receptivo e curioso com as criações dialetais até então desconhecidas e presentes nas canções. – Chico César

Para Chico César “é uma alegria voltar a Portugal celebrando 30 anos do disco que me lançou no mundo fonográfico: Aos Vivos. O show é como o disco: voz e violão, com todas as canções do álbum na sequência. E ao final, no bis, toco algumas outras músicas que pontuam outros momentos da carreira. Penso que esse disco é importante por chamar a atenção para a minha geração de cantautores brasileiros mas também por trazer elementos afrodiaspóricos que geraram identidade com pessoas oriundas de outros países lusofônicos para além de Brasil e, claro, Portugal. Fui abordado por jovens caboverdeanos, moçambicanos, guineenses e angolanos nas ruas de Lisboa, quando cá estive pelas primeiras vezes, a partir de 1996 (o ano seguinte ao lançamento do álbum no Brasil). Eles (e elas) queriam me dizer da alegria trazida por “Mama África”, “Tambores”, “Dança”, “Templo” e mesmo “À Primeira Vista” e de um jeito novo de se dizer afrodescendente em música. Isso sempre me tocou muito. E me emociona até hoje. Não posso deixar de mencionar os encontros emocionados com artistas como Né Ladeiras, Fausto, Filipa Paes e tantos outros. E o encontro mais importante: com o público português, sempre tão receptivo e curioso com as criações dialetais até então desconhecidas e presentes nas canções. A mais conhecida delas: Ô amarraradzaia soiê, dzaia dzaia aí iii iinga dunrã. Resmungos, línguas inventadas, batuque, reggae, canção, acordes estranhos mas convidativos à comunhão mais que ao afastamento ou ao usufruto intelectual. Aos Vivos era pra celebrar juntos a vida e os afetos. Como o é agora. 30 anos depois e sempre.”

Francisco César Gonçalves nasceu a 26 de janeiro de 1964, no município de Catolé do Rocha, interior da Paraíba. Licenciado em jornalismo, trabalhou como jornalista e revisor de textos em S. Paulo. Mas, em 1991, foi convidado para fazer uma digressão na Alemanha e o sucesso levou-o a optar pela música. Formou uma banda e passou a apresentar-se regularmente num clube de S. Paulo.

Em 1995 lançou o seu primeiro disco – “Aos Vivos”- a solo e ao vivo, com participações de Lenine e o lendário Lany Gordin. Um risco ponderado que se revelou acertado: “Aos Vivos” marcou o surgimento de Chico César como artista para o grande público, saindo do seu nicho considerado cult e underground da noite paulistana.

Em 1996 surge “Cuscuz Clã” (também o nome da sua banda) produzido por Marco Mazzola e com o qual venceu o prémio Sharp na categoria “Cantor Revelação” e da APCA “Melhor Compositor”. A canção “À Primeira Vista” que constava em versão acústica no seu primeiro disco, ganha nova versão. Mas é a versão e a sua inclusão no álbum “Feijão com Arroz” da baiana Daniela Mercury faz disparar o nome de Chico César no universo musical como um dos novos compositores mais requisitados do Brasil. Maria Bethânia, Chico Buarque, Sting, Paulinho Moska, Zeca Baleiro Vanessa da Mata, e Elba Ramalho são alguns dos nomes que gravaram seus temas.

No terceiro CD, “Beleza Mano”, mergulhou na cultura negra. “Mama Mundi”, de 2000, mostra sua qualidade de intérprete num trabalho repleto de canções e referências ao som tanto no interior do Brasil como em diversas partes do mundo.

Em 2002 lançou “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” que ele define como um trabalho nómada. Com produção assinada pelo inglês Will Mowat, o álbum começou a ser pré-produzido em Londres, onde registrou participações de Nina Miranda e Chris Franc (Smoke City). De lá, Chico e Mowatt foram a Recife registrar o suingue de Naná Vasconcelos e a Salvador buscando a marcação de Carlinhos Brown. Em João Pessoa, eles registraram o som da Metalúrgica Filipéia e do Quinteto Brassil.

Em novembro de 2005, edita o sexto disco da carreira:” De uns tempos pra cá”, com o Quinteto da Paraíba: dois violinos (Yerko Tabilo e Ronedilk Dantas), uma viola (Samuel Spinoza), um violoncelo (Raiff Dantas) e um baixo acústico (Xisto Medeiros).

Em 2008 é o ano de “Francisco Forró y Frevo”, um mergulho do artista no espírito das duas principais festas populares nordestinas (o Carnaval e os festejos juninos), para criar um disco alegre em que o foco se encontra na força dos ritmos que animam essas festas. Este disco conta com a participação do icónico Dominguinhos e de Seu Jorge.

Nomeado para Secretário da Cultura do Estado da Paraíba, Chico César cumpre seis anos no cargo em exclusividade, colocando a sua carreira de músico e compositor em pausa. Na experiência do cargo descobriu um novo modo de observar o mundo. Lembrou-se da força da militância durante sua juventude e reafirmou para si mesmo que a poesia é sua maior luta. Começou a escrever para um novo disco, “Estado de poesia”, um disco que une a riqueza dos ritmos brasileiros à sonoridade universal. Com este disco venceu a 29.ª edição do Prêmio da Música Brasileira 2018 na categoria melhor álbum de “Pop/Rock/Reggae/Hiphop/Funk.

Já em 2019, chega o novo trabalho, um comentário robusto de suas vivências político-sociais, no convulsionado momento brasileiro dos últimos anos. Todas as 13 faixas de “O Amor É um Ato Revolucionário”, letra e música, são assinadas apenas por Chico César.

Durante a pandemia, a regravação de “Deus Me Proteja”, do disco “Francisco, forró y frevo” por Juliette Freire despoletou um aumento expressivo nas audições não apenas dessa música, mas de toda a discografia de Chico César – o artista cresceu 173% no Spotify, e passou dos 100 mil inscritos no YouTube.

“Vestido de Amor” (2022), o décimo álbum gravado em estúdio do cantor e compositor Chico César, aborda profundamente o tema do pan-africanismo desta vez do ponto de vista da diáspora. Chico convidou Salif Keita e Ray Lema, dois grandes nomes da música africana, para contribuir.

“Ao Arrepio da Lei”, seu disco em parceria com Zeca Baleiro que chegou ao mundo em 2024, foi totalmente composto à distância com Zeca por conta das restrições da pandemia.

DIGRESSÃO DE CHICO CÉSAR EM PORTUGAL EM MARÇO DE 2026

📅 12 Março
📍 Leiria . Teatro José Lúcio da Silva
🕤 21h30

📅 13 Março
📍 Torres Novas . Teatro Virgínia
🕤 21h30

📅 14 Março
📍 Ponta Delgada . Teatro Micaelense
🕤 21h30

📅 16 Março
📍 Porto . Casa da Música
🕤 21h00

📅 18 Março
📍Lisboa . Teatro Tivoli BBVA
🕤 21h00

📅 20 Março
📍 Guarda . Teatro Municipal
🕤 21h30

📅 21 Março
📍 Estarreja . Cine-Teatro
🕤 21h30

Fotografia de capa por Ana Lefaux.

Escrito por TunetRádio

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