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    TunetRádio Cultura Primeiro

MÚSICA

Gana editam álbum de estreia “Outros Dias”

today04/10/2025 4

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O single “Cartas ao Vento ft A Garota Não” anuncia a chegada do primeiro álbum dos Gana, coletivo de Arruda dos Vinhos composto por Sandro Dosha (bateria), Freddy C. (baixo), Zandré Ramos (teclas) e Raffa (voz).

“Outros Dias” é um disco composto por 14 faixas com uma “forte identidade estética marcado por ambientes escuros, profundos e densos”, lê-se na nota enviada pela assessoria da banda à comunicação social. Os Gana “encontraram a sua própria linguagem na relação da música urbana – proveniente de várias latitudes – com textos cuidados e profundos”. Trata-se de um álbum “conceptual que se reveste de um ato de resistência, indo contra o curso da indústria musical contemporânea que privilegia os artistas individuais, os singles e o consumo rápido”.

“Outros Dias” dos Gana é um “trabalho de composição totalmente coletivo – cujas composições são partilhadas pelos quatro elementos – em que o ouvinte é convidado a uma escuta atenta para seguir o fio condutor da primeira à última faixa”. O coletivo avança que o disco vai estar à venda em formato digipack e vinil no site e nos concertos da banda, assim como em formato digital nas principais plataformas de streaming.

O novo single dos Gana, “Cartas ao Vento ft A Garota Não” consiste num “diálogo que invoca as cartas, as mensagens ou as conversas que acabam por não ser escritas nem ditas”. O tema é “escuro, denso e emerge do âmago da desilusão que nos traz a fantasia”. É uma música de “contrastes que encontra o seu equilíbrio na relação da tensão com a libertação através dos diferentes registos interpretativos das vozes, assim como revela a liberdade da banda para compor, com os arranjos a irem muito mais além do que os instrumentos de base deste quarteto”.

O vídeo musical, filmado por Tiago Cerveira, tal como os dois anteriores, procura uma “abordagem conceptual com mensagens subliminares inspirando-se na estética surrealista. Remete-nos para o sonho e para a ilusão. A presença humana nunca é totalmente assumida pressentindo-se em vultos e objetos que contextualizam atmosferas, ilusões e referências oníricas”.

Os Gana vão levar “Outros Dias” em digressão nacional. A 11 de outubro atuam no Drac, na Figueira da Foz, a 25 de outubro no Ferro Bar, no Porto, a 22 de novembro no Amal, na Lourinhã, a 30 de novembro no Blackbox Caaa, em Guimarães, a 7 de dezembro no Blackbox G.C., em Corroios, e a 13 de dezembro no She, em Évora.

Gana é um coletivo constituído por quatro elementos que “fazem convergir diferentes influências musicais no espaço da banda, traduzindo-se em canções guiadas pelo rap e pela spoken word”.

A primeira fase dos Gana é marcada pela edição de dois EP, “Aproximações” e “Gana”, aos quais se juntaram nove singles, um deles gravado numa atuação ao vivo. Em 2022 venceram a 26.º edição do Festival de Música Moderna de Corroios e, desde esse ano, encontravam-se a trabalhar no primeiro álbum, “Outros Dias”, editado em 2025 com “uma sonoridade renovada e colaborações de relevo” (A Garota Não, Maze, Andrea Verdugo, NBC, Hugo Gamboias, na guitarra portuguesa, e André Cameira dos Motherflutters, na flauta).

Raffa, Zandré Ramos, Freddy C. e Dosha continuam a “busca pela identidade artística de Gana, partindo dos instrumentos de base de cada elemento para um estágio de maior liberdade criativa e de produção eletrónica”.

Primeiras impressões de “Outros Dias”, dos Gana

Numa primeira audição, a sensação que fica é a vontade de escutar e re-escutar do início ao fim sem interrupções, como se estivéssemos a ler um bom livro. As vozes estão poderosas, as camadas densas e fortes, com referências a Tricky, Golden Palominos, Massive Attack, Michael Franti e a outros nomes fortes da spoken word. As palavras têm muita força, com referências óbvias a “1984”, “Triunfo dos Porcos”, Adolfo Luxúria Canibal, Trent Reznor, Leonard Cohen, a filmes e a livros distópicos, tudo misturado num caldeirão de referências mas com um cunho próprio. Com algumas pontes com o passado, mas um caminho arrojado para o futuro. Belíssimo disco.

Classificação: *****/*****

O melhor: Independentemente dos singles, um álbum coeso, atento e inovador, para ouvir de fio a pavio.

O pior: A dificuldade em romper amarras com o passado (o que não é necessariamente mau).

Escrito por Filipe Pedro

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