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TunetRádio Cultura Primeiro
Festival Literário “A Gente (Não) Lê” regressa a Manhouce, São Pedro do Sul, para a segunda edição, nos dias 6 e 7 de setembro. “Resistir” é a palavra chave.
Em junho de 2023, a edição de estreia foi dedicada ao livreiro José Pinho, natural da região, que ainda ajudou o festival literário “A Gente (Não) Lê” a nascer. Além de um forte programa literário, cultural e gastronómico, na memória dos presentes ficou o inesquecível desafio d’As Vozes de Manhouce a Ana Lua Caiano após o concerto da autora de “Mão Na Mão”.
Este ano a convidada musical é Gisela João, que interpretou recentemente temas do cancioneiro de Zeca Afonso como “A Morte Saiu À Rua”, “Vejam Bem”, “Canção de Embalar” e “Que Amor Não Me Engana”. Esse momento marcará o culminar da segunda edição, mas até lá existirão muitos momentos imperdíveis no sábado e no domingo, 6 e 7 de setembro, respetivamente.
Para a dinamizadora do festival Marisa Araújo “o último festival literário que José Pinho ajudou a fazer surgir com o mesmo sentido de impossível que marcou a sua vida e que o evocará a cada edição, está a ser preparado por toda a aldeia. Fazer acontecer esta aventura rural é, por si só, um ato de resistência. Ou de loucura. Ou os dois. Tanto um como o outro nos servem bem”.
Importa definir o contexto: “um festival literário numa aldeia, no alto de uma serra inclemente, onde tudo fica longe e é difícil, é mesmo sonho ou loucura. Mas ir a Manhouce e ficar como se nada fosse, é coisa que não é possível. Por isso, faz sentido sonhar e fazer acontecer um festival literário numa aldeia onde tudo canta. Segundo Isabel Silvestre, até as pedras cantam em Manhouce”, descreve Marisa Araújo.
“Resistir” é o tema do festival e o ponto de partida para as restantes palavras que surgirão ao longo do fim-de-semana. “Nunca como agora foi tão urgente. E sim, é político. É interventivo. É para pensar e agir sobre o mundo. Ler é resistir. Escrever é resistir. Sempre assim foi e assim continuará a ser”, pode ler-se na nota enviada à comunicação social.
Por agora, as mulheres de Manhouce bordam “silenciosamente os lençóis que serão colocados nas varandas e janelas da aldeia para receber todos os que virão, no ritual que sempre acontece nos dias de festa. As vozes afinam-se para cantar e ensinar a cantar. Os trilhos são preparados para os passeios poéticos junto ao rio Teixeira. Pensa-se na comida que estará nas panelas de ferro ao lume. No pão que vai ser cozido no forno comunitário, comido quentinho com a manteiga artesanal feita pelas mãos de Manhouce. Cada um destes gestos ancestrais que são, também eles, atos de resistência”.
Numa afirmação “orgulhosa” das suas tradições e da sua ancestralidade, Manhouce – a aldeia de S. Pedro do Sul (Viseu) que Isabel Silvestre colocou no mapa de muita gente – abre-se ao mundo e veste-se de festa para acolher quem gosta de livros e de leitura. A entrada é livre para todas as atividades, apenas limitada à lotação dos espaços.
Este festival conta “mais uma vez também com uma outra originalidade”, o “Livro Conduto” – os convidados trazem livros que estão interessados em trocar. Juntam-se os livros todos numa mesa (ou várias) na Escola Primária e, ao longo do festival, as pessoas vão levando os livros que lhes interessam. Os livros que sobrarem são doados à Biblioteca de Manhouce.
PROGRAMAÇÃO 2.º “A GENTE (NÃO) LÊ” — FESTIVAL LITERÁRIO DE MANHOUCE
LOCAL: Escola Primária de Manhouce – O espaço infantil funciona em permanência com a sua programação
DIA 6 DE SETEMBRO – SÁBADO
– 09h – Oficina tradicional – Cozer o pão no forno da aldeia
– 09h30 – Caminhada Poética – Passos em Volta…
– 11h30 – Oficina de manteiga artesanal
– 12h – Prova do pão e da manteiga
– 15h – Conversa – Literatura, Resistência e Feminismo – Conversa com Gisela Casimiro, Lorena Travassos e Madalena Sá Fernandes. Moderação: Joana Neves
– 16h – Documentário – Mulheres e Resistência – Documentário montado por Sofia T. C. Gomes
– 17h30 – Conversa – Mulheres e Resistência – Conversa com Isabel do Carmo e Rita Rato. Moderação – Catarina Marques Rodrigues
– 19h – Leitura Encenada – Peças de Resistência – O Homem da Bicicleta, de Jaime Gralheiro
DIA 7 DE SETEMBRO – DOMINGO
– 09h30 – Caminhada Poética – Passos em Volta…
– 11h – Oficina de Folclore e canto com o Rancho Folclórico de Manhouce
– 12h00 – Oficina de Fritas de Mel
– 15h – Conversa – (r)Existir é Vencer – com João Concha, Nuno Gomes e Ricardo Marques. Moderação: Francisco de Almeida Dias
– 16h – Conversa – O Homem da Máquina de Fotografar – com Homem Cardoso e Teresa Dias Mendes
– 17h – Duelo Poético: Nicolau Santos vs Fernando Alvim
– 18h30 – Homenagem a José Pinho, o livreiro resistente
– 19h – Concerto “intimista e de resistência” de Gisela João
Escrito por TunetRádio
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