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TunetRádio Cultura Primeiro
“Ngasolo”, “Ngoma”, “Uazeka” e “Ginga Amor”, com lançamento previsto para 22 de agosto, são os cartões de visita de “Muxima”, o mais recente álbum do músico Lindu Mona a editar a 29 de novembro.
“Ao contrário do que muitos possam imaginar, Jinga de Angola não foi uma líder passiva ou subjugada pelos portugueses. O seu reinado, longe de ser marcado por submissão, foi um período de luta intensa contra a colonização. Diferente de um governo frágil, ela comandou os reinos de Matamba e Ndongo com astúcia e estratégia, utilizando tanto a guerra quanto a diplomacia para proteger sua terra e seu povo”, pode ler-se na nota enviada pela assessoria de Lindu Mona à comunicação social.
“Ao invés de aceitar a imposição portuguesa, Jinga resistiu. O reino de Ndongo, longe de ser um território disperso, era centralizado e possuía um sistema político organizado, no qual os sobas desempenhavam papel fundamental ao prestar tributo ao Ngola em troca de proteção. Ao contrário da ideia de que os portugueses estabeleceram o comércio, Ndongo já possuía uma ampla rede comercial consolidada, aproveitada posteriormente pelos colonizadores.”
“Enquanto a tradição europeia poderia sugerir a subordinação das mulheres, Jinga contrariou essa expectativa. Em vez de ser uma figura marginal, foi antes a primeira mulher a governar Ndongo, rompendo padrões e liderando seu povo de forma firme e decidida. A sua participação na diplomacia com os portugueses não foi um sinal de fraqueza, mas sim de inteligência política: ela negociou em termos favoráveis ao seu reino e recusou submeter-se a uma vassalagem imposta.”
“Se a presença portuguesa podia ser vista como uma força intransponível, Jinga provou o contrário ao enfrentar os colonizadores por décadas, recorrendo a alianças, estratégias militares e ao uso das práticas culturais e religiosas de seu povo.”
“A sua conversão ao cristianismo, muitas vezes interpretada como submissão, foi, na verdade, um movimento tático para obter vantagens políticas. Assim, em vez de se render à imposição europeia, Jinga tornou-se um símbolo de resistência, forjando um legado de luta e autonomia para os povos da África Central. O seu reinado não foi de decadência, mas de resiliência. O contrário de um líder derrotado, Jinga marcou a história como uma soberana destemida, cuja influência ecoa até os dias atuais.”
Lindu Mona é Firmino Pascoal, nascido em S. Paulo da Assunção de Loanda (Luanda), em Angola. Com o tempo, a sua carreira musical evoluiu, e Lindu Mona tornou-se integrante de grupos de rock sinfônico como Tantra e Perspectiva e acompanhou o Duo Ouro Negro e Jorge Fernando,”Umbada”, dentro da chamada música do mundo.
A partir dos anos 1990, Lindu Mona começou a seguir o seu próprio caminho, explorando e criando músicas originais inspiradas nas sonoridades e ritmos de Angola, um dos maiores centros culturais de África. Fundou a própria editora Zoomusica, e com esta editou um álbum “Rosa Afra” (2002), outro “Bantu” em (2010) e ainda “Kalunga” em (2023).
Como Firmino Pascoal Artista editou também os discos, “Milongo de Amor” em (2017) e “Africano em Alfama” em (2019). Além das produções de estúdio, Lindu Mona tem sido um nome importante nos palcos, com uma série de concertos ao vivo em várias partes do mundo, apresentou-se em sete concertos no prestigiado Festival Sete Sóis Sete Luas, em Itália, no festival Maré Agosto, nos Açores, no City Of London, em Londres, em Évora, em Lisboa, na Feira de S. Mateus, em Viseu, em Tondela, em S. Pedro do Sul, na Guarda, em Ovar, nas Caldas da Rainha, em Lagos, em Vila Real de St. António, na Figueira da Foz e no Fundão.
A música de Lindu Mona é caracterizada por um som único que mistura o afro, o tribal, o ancestral e o eletrónico, com os ritmos e os sons da universalidade. Lindu Mona continua a ser uma voz poderosa na música angolana e internacional, com a sua música a tocar os corações e a inspirar gerações de ouvintes quer do público em si, quer dos seus pares.
Após a criação do projeto Lindu Mona em 1990, Firmino Pascoal cria o festival Musidanças em 2001. Sabendo que a partir do ano 2000 muitos músicos e artistas dos ex-países de expressão portuguesa se encontravam a viver em Portugal, o festival posiciona-se como um elo entre culturas, acreditando que o segredo da qualidade esteja para além das suas próprias culturas, na fusão dessas mesmas. Até 2019, ano antes da pandemia, relacionou-se com agentes culturais, artistas, músicos, poetas e artistas plásticos que vêm evocando a noção ambivalente da lusofonia.
Apesar de estudos mencionarem referências históricas de mistura intercultural, só recentemente se abordam estes tabus. O festival Musidanças foi objeto de estudo etnomusicológico por parte de Bart Paul Vanspauwen para a sua tese na Universidade Nova que revela que o segredo das relações entre a música e os músicos, a cultura e a mudança social, está na qualidade do enfoque das representações na sensibilização e na intervenção intercultural.
Escrito por TunetRádio
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