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    TunetRádio Cultura Primeiro

MÚSICA

Festival Que Jazz É Este? em Viseu para a 13.ª edição

today10/06/2025

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De 9 a 20 de julho, o festival Que Jazz É Este? “volta a ocupar Viseu com a mesma inquietação criativa de sempre, abrindo espaço para encontros tão improváveis quanto urgentes”. Ao todo são 12 dias “com concertos para público em geral e ao domicílio, jam sessions, oficinas e rádio ao vivo. Um organismo vivo feito de muitas gentes, das suas músicas e vontades. Porque a vida, a arte, a cultura, a música, o jazz… (que no fundo é tudo a mesma coisa), querem-se de todos, e para isso não podem ser só blá blá ou doo-bah wee-bah. Têm que ser liberdade e diversidade, têm que integrar diferentes vozes, gerações, etnias, estéticas. Posto isto, pode restar uma última pergunta: Que Jazz É Este, afinal? É vir ver, ouvir e fazer parte. E é encontrar várias respostas de esperança face ao mundo complexo em que vivemos”, lê-se na nota enviada à comunicação social pela assessoria do festival.

Logo a abrir, dias 9 e 10 de julho, a banda sonora original da jovem trompetista Jasmim Pinto para o filme “The Playhouse” (de Buster Keaton) “leva o jazz a quem não pode vir até ele: o Estabelecimento Prisional de Viseu, o Internato Victor Fontes e o Hospital Psiquiátrico recebem este gesto cúmplice e simbólico — porque a cultura deve ser um direito, mesmo atrás de grades ou dentro de muros”. O filme concerto é também apresentado para o público em geral na Casa do Miradouro a 17 de julho. Um filme onde Keaton joga com a relação existente entre o mundo onírico e a realidade, em que o próprio interpreta todos os papéis de um espectáculo, de atores a membros da orquestra, aos próprios espectadores da apresentação, fazendo-nos refletir sobre um possível cenário de superação numa (ainda atual) sociedade capitalista industrial.

No dia 12 de julho a cidade “acorda” com Jazz na Rua — sopros e percussões da Escola Profissional da Serra da Estrela invadem praças, varandas e esquinas. No mesmo fim de semana, a música estende-se a Tondela (Tom de Festa) com o Coletivo Gira Sol Azul e “um dos maiores embaixadores da música cabo-verdiana”, Tito Paris (na fotografia de capa). Um concerto que “promete ser uma celebração da lusofonia, da diversidade e da vida repleto de energia e emoção e que volta a acontecer no Parque Aquilino Ribeiro em Viseu dia 19 de julho”.

Ainda na primeira semana do festival o quarteto de João Rocha – recém premiado no 4.º Concurso Internacional de Jazz da Universidade de Aveiro – apresenta-se na Pousada de Viseu (12 de julho) e em Carregal do Sal (13 de julho) faz-se ouvir a Gira Big Band num concerto que junta três gerações de músicos oriundos de estruturas, bandas filarmónicas e escolas da região de Viseu, em tributo à cantora Vera Lúcia, “essa personagem peculiar” que nasceu em Viseu sob o nome Ermelinda Balula e aos dez anos de idade trocou Portugal pelo Brasil, onde se tornou cantora “consagrada” nos anos 50 e 60.

De 17 a 20 de julho o “coração do festival bate em vários pontos da cidade. Mano a Mano apresentam Triologia das Sombras nos claustros do Museu Nacional Grão Vasco dia 17, um concerto especial cujo ponto de partida é a obra de Lourdes Castro e em que o uso de guitarras e cordofones tradicionais da Madeira, dão vida a mais uma etapa dos Manos à qual se junta também o performer Tiago Martins”.

O parque Aquilino Ribeiro recebe Camilla George (dia 18) saxofonista “visionária e inovadora, uma das mais importantes vozes da nova cena do jazz londrino cuja música é uma mistura hipnotizante de afrofuturismo, hip hop e jazz, com um subtexto político que tem uma ligação poderosa com a sua identidade, linhagem e herança nigeriana, refletindo a história africana, a cultura e a escravatura”.

O Teatro Viriato recebe a 19 de julho o trio da suíça Marie Kruttli com composições que “se elevam a estruturas imponentes, semelhantes a catedrais, mas que simultaneamente mergulham em profundidades introspectivas evocando imagens cinematográficas vívidas”.

Entretanto o jardim da Casa do Miradouro transforma-se em “refúgio de descobertas: a fusão única de sons e culturas entre os músicos Emanuel e Toy Matos – conhecidos pela profundidade e autenticidade de suas raízes ciganas – e o talentoso saxofonista, compositor e improvisador João Mortágua (18 de julho); o quarteto Analogik que liderado pelo contrabaixista Zé Almeida explora a escrita e a improvisação dentro de uma constelação invulgar: ora trio de jazz, ora quasi-quarteto de cordas, ora ensemble de improvisação (20 de julho)”.

O Carmo’81 é ponto de encontro para os “mais novos e mais ousados”. É lá que acontece a 1.ª edição do ‘So What? Encontro de Escolas’ (16 julho), com o objetivo de “promover o encontro e o intercâmbio entre alunos de escolas profissionais de música num ambiente de partilha que estimule a troca de ideias e o fortalecimento da cena musical jovem. É também no Carmo’81 que de 17 a 19 de julho se realiza a 17ª. Edição do Workshop de Jazz de Viseu orientado por André Matos e Gonçalo Marques que propõem aprofundar a improvisação como processo de auto-descoberta. Ao cair da noite, abrem-se ali as portas às jam sessions. Quem quiser tocar, aparece. Quem quiser ouvir, entra. Sem alinhamentos, sem rede — só a entrega de quem vive a música como linguagem de liberdade”.

A festa final acontece no Parque Aquilino Ribeiro (dia 20) com New Max (aka Tiago Novo) e o “groove como nota dominante”. Reconhecido pelo “grande público pelo seu trabalho enquanto músico, compositor, produtor e também como uma das metades dos Expensive Soul, New Max apresenta “Phalasolo“, uma colecção de canções que representam uma homenagem à música negra e também um apelo a que se consuma mais cultura portuguesa”.

E como nenhuma festa está completa “sem conversas e devaneios, a Rádio Rossio volta ao seu estúdio sobre rodas no Parque Aquilino Ribeiro, com programas ao vivo transmitidos também pela Rádio Jornal do Centro. Emanuel Santoz, Tiago Araújo, Gonçalo Falcão, Luís Belo, Jasmim Pinto, Catarina Machado e Sandra Rodrigues conduzem programas únicos especialmente concebidos para o festival. A programação da Rádio Rossio inclui ainda quatro sessões que resultam da oficina Radioactiva – uma experiência imersiva em que os participantes criam programas de autor originais que partem do uso consciente, crítico e independente da comunicação enquanto instrumento chave da nossa construção social”.

A 13.ª edição do festival Que Jazz É Este? é financiada pelo programa Eixo Cultura do Município de Viseu e conta com vários importantes parceiros e mecenas locais e nacionais que têm contribuído para a afirmação do festival como um projeto de relevo e prestígio na região centro. Todas as atividades são de entrada livre, com apelo ao “donativo consciente” — porque a cultura deve ser acessível, mas não gratuita por defeito. E porque “apoiar quem faz é garantir que a música continua a acontecer”. “A não perder esta montanha russa de concertos para público em geral, concertos ao domicílio, jam sessions, encontro de escolas, oficinas e rádio ao vivo” – de 9 a 20 de julho, em Viseu.

Escrito por TunetRádio

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