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    TunetRádio Cultura Primeiro

MÚSICA

Rock e hip hop de “protesto” no 6.º Festival do Maio

today27/05/2025

Fundo

Com a curadoria do músico Luís Varatojo, o Festival do Maio está de regresso ao Parque Urbano do Seixal para a sexta edição, com Xutos & Pontapés, Mão Morta, Linda Martini (30 de maio), Criolo, Seun Kuti & Egypt 80 e Capicua (31 de maio). As portas abrem às 19h, os concertos têm início marcado às 21h e a entrada é gratuita mas limitada à lotação do recinto.

Segundo a organização do Festival do Maio, a Câmara Municipal do Seixal, em nota enviada à comunicação social, “numa altura em que se assiste ao avanço dos populismos e das derivas autoritárias um pouco por todo o mundo, e em que a ordem do dia é desinformar – sobretudo através da disseminação de notícias falsas – torna-se urgente intervir, informar e acordar consciências”; como dizia o Zeca: “o que faz falta é avisar a malta”. E as artes, “sobretudo a música, têm um papel fundamental no esclarecimento e mobilização dos cidadãos e na persecução de ideais que conduzam a sociedades mais solidárias, mais evoluídas e mais justas”.

Dispensam apresentações, são a banda portuguesa de rock mais popular de sempre, já foram condecorados pelo Presidente da República, tocaram, provavelmente, em todas as cidades e aldeias portuguesas e nas comunidades de emigrantes no estrangeiro. Toda a gente conhece (nem que seja) uma canção dos Xutos & Pontapés. Com uma carreira de sucesso com quase cinco décadas e muitos milhares de discos vendidos, os Xutos editaram vários álbuns que marcaram a música portuguesa. Um deles é o “Cerco”, que caiu como uma bomba no panorama musical nacional em 1985. Quando o chamado rock português do início de 80s se esgotava, os Xutos, já com uma sonoridade diferente, mais vanguardista, e uma escrita mais crua, respondiam às frustrações e anseios de uma nova geração com um álbum visceral. O “Cerco” punha em cima da mesa, e sem papas na língua, as questões sociais e políticas com que os jovens se confrontavam no dia a dia, e propunha uma nova sonoridade que acabaria por marcar a identidade da banda. É com base neste álbum, mas envolvendo também outras canções de luta do seu vasto repertório, que os Xutos & Pontapés se apresentam no Festival do Maio, num concerto único e imperdível.

“Numa época em que o perigo do regresso do fascismo se torna palpável, não apenas em Portugal mas em todo o mundo democrático, com a iniciativa ideológica das forças políticas conservadoras e o seu acolhimento privilegiado nos média a dirigir o discurso político dominante, os Mão Morta não podiam deixar de se manifestar e de denunciar o ar dos tempos. Denunciar este discurso polarizador, inimigo da complexidade e da argumentação, onde as posições de direita se mesclam com as da extrema-direita e as palavras de exaltada agressividade mais os apelos inflamados ao ódio criam na opinião pública uma predisposição para a destruição e o calar do outro, reduzido a inimigo intolerável, por actos concretos. Foi sobre este recrudescimento das forças maléficas anti-democráticas e do seu comportamento arruaceiro, que usam a democracia para a apologia do fascismo, que os Mão Morta quiseram fazer um espectáculo, deixando claro os perigos que corremos e em que a democracia incorre.” Estas são as palavras dos próprios Mão Morta sobre a edição do seu mais recente álbum “Viva La Muerte!”, que assinala os 40 anos de uma carreira artística que também é serviço público.

Com mais de vinte anos de carreira, os Linda Martini têm reunido um culto fervoroso de norte a sul do país, transformando os seus concertos em momentos de comunhão e catarse. Ano após ano, a banda vai surpreendendo com discos certeiros, aclamados pela crítica e pelo público. Há uma identidade vincada, inconfundivelmente sua, mas também uma procura constante de novos caminhos. O novo álbum – “Passa-Montanhas” – mostra-nos, mais uma vez, a banda a fazer aquilo que sabe: canções de arestas aguçadas, nos sons e nas palavras.

Criolo (na fotografia de capa), nome artístico de Kleber Cavalcante Gomes, é um cantor, compositor e rapper brasileiro, reconhecido pela diversidade do seu trabalho musical. O seu percurso começou na periferia de São Paulo, onde cresceu rodeado pela influência do rap, do samba e da música popular brasileira. Aos 11 anos escreveu o seu primeiro rap e em 2006 lançou o primeiro trabalho discográfico “Ainda há tempo”. Em 2011, lançou “Nó na Orelha”, álbum que o projetou para uma carreira de sucesso. As suas canções abordam questões como desigualdade, injustiça e esperança, sempre com um lirismo e criatividade peculiares. Ao longo da sua carreira, recebeu prémios e consolidou-se como uma das vozes mais importantes da cena contemporânea brasileira. A fusão de hip hop, samba, afrobeat e outros géneros faz de cada trabalho seu uma experiência singular. Criolo chega ao Seixal com seis álbuns e muito assunto na bagagem para encerrar a 6.ª edição do Festival do Maio. Vai ser memorável.

Seun Kuti é um músico nigeriano, filho mais novo do lendário Fela Kuti e atual líder da banda Egypt 80. Desde cedo, absorveu a energia do afrobeat e o espírito de contestação característico do pai, mantendo viva a chama da música de protesto e da fusão entre ritmos africanos e o jazz. Ao longo dos anos, Seun conquistou reconhecimento internacional pelas suas atuações enérgicas e pelas suas canções políticas. Em 2024, lançou o seu mais recente disco, “Revolution in Harmony”, reafirmando o compromisso com o legado familiar e adicionando novas texturas sonoras ao género. O álbum apresenta arranjos sofisticados, letras em iorubá e inglês, além de parcerias com artistas contemporâneos que dialogam com a força rítmica do afrobeat. Com faixas intensas e repletas de mensagens de esperança e luta, o trabalho captura a essência vibrante da cultura nigeriana e ecoa a importância da consciencialização política e social no continente africano.

Capicua, cujo nome real é Ana Matos Fernandes, é uma rapper e letrista portuguesa, reconhecida pela sua escrita autêntica e carregada de consciência social. Nascida no Porto, desde cedo se interessou pela música e pelas palavras, fazendo das rimas a sua forma de expressão. Ao longo da sua carreira, lançou vários álbuns e mixtapes, destacando-se pela combinação de batidas intensas com mensagens sobre identidade, igualdade de género e justiça social. A sua abordagem poética e inteligente transformou-a numa das vozes mais influentes do hip-hop em Portugal. Recentemente, Capicua lançou “Um Gelado Antes do Fim do Mundo”, um disco que reforça o seu olhar crítico sobre a sociedade contemporânea, refletindo sobre incertezas e esperanças num mundo em constante mudança. As faixas deste novo trabalho unem a sua habitual intensidade poética a uma produção musical envolvente, marcando mais um passo significativo na sua discografia.

À semelhança das edições anteriores, “vídeo poemas” gravados por artistas de diferentes áreas – cantores, atores, escritores – pontuarão os espaços entre as atuações.

Escrito por TunetRádio

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