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Clap Your Hands é um festival que resulta da união de esforços e da colaboração entre entidades de créditos firmados: Omnichord e Fade In. Com o apoio da Câmara Municipal de Leiria, o evento decorre sempre durante a primeira metade do ano na Blackbox e no Teatro Miguel Franco, em pleno coração da cidade de Leiria.
Com atuações de bandas e projetos portugueses emergentes, com destaque para as bandas mais recentes de Leiria que, como se sabe, é um berço fértil em talento musical, o Clap Your Hands mostra-nos o quão ecléctica e valorosa é a cena local e incita o público à exploração e ao embarcar numa viagem. E a Tunet Rádio quis saber mais…
Daniela Azevedo – O Clap Your Hands tem um foco muito claro na música emergente portuguesa, especialmente em projetos de Leiria. Como definiriam a “identidade sonora” da cidade neste momento?
Organização do Clap Your Hands – Acredito que o mais interessante numa cena musical local se dá quando se assiste a vários projectos de várias gerações em que todos continuam à procura de uma sonoridade própria, muitas vezes re ou desconstruída de disco para disco e sempre distinta dos seus conterrâneos. Se Leiria deu pela primeira vez nas vistas com os Silence 4 e teve em projectos como The Allstar Project ou Phase uma transição para outros nomes como Nice Weather For Ducks, First Breath After Coma, Surma, Whales ou Les Crazy Coconuts. Hoje temos muitos nomes e muito díspares e, felizmente, várias novas figuras femininas como a Lisa Sereno, a Inês Condeço, a Estela Alexandre, a Inês Apenas. É muito bom constatar que há toda uma nova geração, diversa e inquieta, com vontade de arriscar e de fazer diferente. E, por outro lado, é também interessante ver que nomes mais estabelecidos mantêm essa vontade de criar algo diferente e ousar, como o Afonso Rodrigues que aqui apresentou o seu primeiro disco a solo e em português ou o António Cova que nos mostrou uma nova roupagem com os Oko Yono.
DA – O festival resulta da colaboração entre a Omnichord e a Fade In. Como é que esta parceria tem moldado a programação e o espírito do evento?
OCYH – A programação é feita em conjunto e é realmente muito interessante cruzar as sensibilidades de curadoria e públicos mais fieis de uma e de outra estrutura.
DA – Este ano há propostas bastante distintas, desde o jazz reinventado de “Branco toca Marco Paulo” até à pop emocional de Lisa Sereno. Que critérios guiam a seleção artística do Clap Your Hands?
OCYH – Há sempre uma ideia de colocar em cada sessão um projecto mais local e outro mais nacional, apostar em artistas que tenham discos ou novos espectáculos recentes e, de preferência, ter várias sensibilidades artísticas e estéticas na mesma noite. Mas o critério principal é a diferença e mais valia que estes nomes trazem ao contexto actual da música. É isso que vai continuar a ser o melhor ingrediente para desafiar e surpreender a curiosidade do público.
DA – Leiria é frequentemente apontada como uma incubadora de talento. Que novos artistas da cidade acham que o público deve mesmo descobrir neste verão?
OCYH – Creio que já deixámos umas pistas acima, mas, dentro dos que ainda estão para ou a lançar os primeiros trabalhos nos próximos tempos, gostávamos de acrescentar o Gui Maricato ( que também esteve nesta edição), os Terrible Mistake, os Albatroz, o vizinho (de Pombal) Thispage…
DA – A ideia de “embarcar numa viagem” é central no conceito do festival. Que tipo de experiência querem proporcionar a quem assiste aos concertos?
OCYH – Sobretudo estimular o público a encarar uma noite com duas propostas diferentes que têm tudo para surpreender. Desafiar o público é a melhor viagem que se pode tentar proporcionar nos dias de hoje. E é muito reconfortante saber que há, em Leiria, público que quer ser desafiado e que as entidades locais continuam a apostar neste projecto de promoção de novos valores.
DA – O que tem evoluído mais no festival ao longo dos anos? Planos a médio prazo?
OCYH – Tem sido um trabalho de celebração, desafio e consolidação, interessa sobretudo manter o foco no que de mais novo e refrescante vai aparecendo a nível local e nacional e é interessante pensar que por exemplo os três finalistas da edição deste ano do Termómetro passaram por aqui num ano e no último par de anos se programaram nomes nacionais na altura quase incógnitos como Ana Lua Caiano ou Iolanda. Acho que tentar sempre apostar em novos caminhos é a direção a seguir.
Escrito por Daniela Azevedo
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