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Curt’Arruda ultrapassa barreira dos mil espectadores

Escrito por em 10/10/2022

O 8.º Curt’Arruda, em Arruda dos Vinhos, reuniu mais de mil espectadores ao longo dos três dias do festival e contou com a presença do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, na sessão de encerramento.

O festival contou com 16 sessões, 63 curtas-metragens de 19 países, a exposição “A Poética Das Imagens Pesadas”, de Ana Mouralinho, e um concerto recheado de humor cáustico e ritmos acelerados dos portuenses Baleia Baleia Baleia (Manuel Molarinho e Ricardo Cabral).

“Tália”, de David Gomes e Pedro Cruz (Portugal, 2021, doc, 25′), curiosamente o primeiro filme a ser exibido na sessão de abertura do Curt’Arruda, foi considerada a melhor curta da presente edição pelas juradas Patrícia Ascensão (professora universitária), São José Correia (atriz) e Susana Viegas (investigadora).

Elaborada com poucos meios de produção – no meio de lágrimas de emoção, os realizadores salientaram o “Do It Yourself” e a pertinência de festivais como o Curt’Arruda -, “Tália” retrata a vida de Natália, uma entre as muitas mulheres que outrora faziam esteiras de Bunho. “Hoje em dia é a última”, lê-se na sinopse da curta vencedora [recomendaríamos apenas que o filme fosse exibido com legendas para uma perceção superior da mensagem].

“O Homem do Lixo”, de Laura Gonçalves (Portugal, 2022, ani/doc, 12′), obteve dois prémios no Curt’Arruda. Uma menção honrosa da parte do júri, que o considerou o segundo melhor filme do festival, e o prémio do público, que o elegeu como melhor filme exibido nas sessões Curt’Arruda.

Na multipremiada curta de animação de Laura Gonçalves, a família junta-se à mesa numa tarde quente de agosto. As memórias de cada um vão-se cruzando para recordar a história do tio Botão. Da ditadura à emigração para França, onde trabalhou como homem do lixo, a quando voltava a Belmonte na carrinha cheia de “lixo” que transformava num verdadeiro tesouro.

“Esperteza Saloia”, de Vanessa Diniz (2018, doc, 13′), foi considerado o melhor filme pelos espectadores das sempre concorridas sessões Film’Arruda, de filmes produzidos no concelho de Arruda dos Vinhos. A curta tem como personagem central Crialmina (Tânia Safaneta), uma pitoresca saloia rural de parcas palavras, e a sua presença no Mercado Oitocentista do vale encantado.

Em ‘digressão’ de norte a sul do país, em vésperas da entrega do Orçamento do Estado para 2023, Adão e Silva reforçou, em Arruda dos Vinhos, o anúncio de que os apoios sustentados às artes para 2023-2026 terão um aumento de 114% face ao período anterior (2018-2021), de 69 milhões de euros para um total de 148 milhões de euros.

De acordo com o ministro, nos concursos quadrienais 2023-2026 foram consideradas 361 candidaturas elegíveis e os resultados serão anunciados entre finais de outubro e princípio de novembro, para que as entidades culturais possam ter os apoios contratualizados em janeiro de 2023.

A repartição dos 148 milhões de euros (ME) entre 2023 e 2026 será de 20,2 ME para o primeiro ano, 20,2 ME para o segundo, 19,2 ME para o terceiro ano e 19,2 ME para o quarto ano.

Por áreas artísticas abrangidas, nos apoios quadrienais, Música e Ópera terão um aumento de 276%, para um total de 15,3 ME, as Artes Visuais contam com um aumento de 154% (para 10,9 ME), e Dança contará com um aumento de 127%, correspondente a 9,2 ME.

A área do Teatro receberá 51,3 ME, correspondente a um aumento de 106%, seguindo-se a área da Programação, que conta com 27,7 ME (aumento de 79%), e a das Artes de Rua, Circo e Cruzamento Disciplinar contará com 12,7 ME (com um aumento de 62%).

Em relação à dotação do programa de apoios bienais (2023-2024), mantém-se a dotação de 20,5 milhões de euros e o reforço é apenas nos quadrienais, porque, segundo Pedro Adão e Silva tinha anunciado a 26 de setembro, em Lisboa, houve “um grande movimento de candidaturas de bienais para quadrienais”.

O festival Curt’Arruda regressará em outubro de 2023. Antes disso, a Associação Cultura deGrau, tal como sugeriu Adão e Silva em declarações à TunetRádio e Vida FM, dará passos e subirá, degrau a degrau, rumo à profissionalização, aos apoios públicos e privados, e ao posicionamento de Arruda dos Vinhos no mapa cultural nacional.

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