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Curt’Arruda regressa em quantidade e qualidade

Escrito por em 07/10/2022

O Festival Curt’Arruda está de regresso ao Clube Recreativo Desportivo Arrudense (CRDA), em Arruda dos Vinhos, de 7 a 9 de outubro, a primeira edição após a criação da Associação Cultura deGrau.

A um curto passo da consolidação, a oitava edição do Curt’Arruda promete fazer história pelo elevado número de filmes em apenas três dias – 16 sessões, 63 curtas-metragens de 19 países -, com a promessa de frescura e qualidade. Além das curtas para todos os gostos, há também a exposição “A Poética Das Imagens Pesadas” e o concerto imperdível dos Baleia Baleia Baleia.

Sob o tema da «Ruralidade» o Curt’Arruda – Festival de Cinema de Arruda dos Vinhos assume a missão de homenagear o património e os valores rurais do nosso país, e de aproximar a população local ao cinema e à terra. Centrado nas curtas-metragens, o Curt’Arruda promove a produção nacional e estrangeira através dos prémios Curt’Arruda – Melhor Curta-Metragem Rural e Film’Arruda – Melhor Curta-Metragem de Arruda dos Vinhos. A proximidade de Arruda dos Vinhos a Lisboa, e o recente mas próspero desenvolvimento, fazem desta terra uma ponte entre o que é rural e o urbano, inspirando o slogan do festival: «O Festival de Cinema Rural Mais Urbano de Portugal».

No primeiro dia, sexta-feira, 7 de outubro, há sessões Curt’Arruda Escolas às 9h, 10h e 11h.

Uma história de amor sem história – “Cenas de Uma Vida Amorosa”, de Miguel Afonso (Portugal, 2019, fic, 14’) – é uma coleção de episódios da vida íntima e quotidiana de um jovem casal. Uma observação dos contrastes e variações de uma tentativa de amor. Na curta “Corações ao Alto”, de Adrian Moyse Dullin (França, 2021, fic, 15’), Kenza de 15 anos e o irmão mais novo, Madhi de 13, humilham-se regularmente nas redes sociais. No autocarro, Kenza coloca à prova o seu irmão: Madhi tem de confessar o seu amor por Jada. Em “By Flávio”, de Pedro Cabeleira (Portugal, 2019, fic, 27’), Márcia, ‘wannabe influencer digital’, consegue um ‘date’ promissor com Chullz, um rapper famoso, mas não tem ninguém com quem deixar Flávio, o seu filho. A solução é levá-lo com ela.

Em “O Meu Nome é Maalum”, de Luísa Copetti (Brasil, 2021, ani, 7’), Maalum é uma menina que nasceu e cresceu numa casa rodeada de amor e muitas referências à sua cultura, mas todos se riem do seu nome assim que ela chega à escola. Ela vai começar então uma jornada para descobrir o que significa Maalum. Na curta “Não Tenho Medo”, de Marita Mayer (Noruega/Alemanha, 2022, ani, 7’), durante um jogo das escondidas, Vanja descobre que ser corajoso significa enfrentar os seus próprios medos, e que toda a gente tem medo de vez em quando – mesmo os adultos. No filme “2020: Odisseia no 3º Esquerdo”, de Ricardo Leite (Portugal, 2022, fic, 14’), durante uma perigosa manobra, Meias vê a sua nave espacial danificada. Para repará-la, ele embarca numa jornada sem precedentes pela vastidão do espaço, onde habita uma ameaça muito maior: os Astro-Zombies. Num pacífico dia de verão, um pai leva o seu filho bebé num passeio de “Caiaque” (de Flore Dechorgnat, Tiphaine Klein e Auguste Lefort, França, 2021, ani, 6’). Entre os desafios de um primeiro passeio no rio e os caprichos do bebé, o pai não terá um minuto de descanso, principalmente quando uma águia se junta à aventura. “Na Cozinha de Sopas da Franzy”, de Ana Chubinidze (França/Georgia, 2021, ani, 8’), a solitária extraterrestre Chefe Franzy descobre que a sua especial sopa rosa não é apenas deliciosa, mas também mágica, quando partilhada com as restantes criaturas que vivem no seu estranho planeta.

Pelas 14h30, já no CRDA, o festival exibe quatro curtas na entitulada Mostra de Cinema 1 – “Mulheres em Quarentena”, de Bárbara Tavares (Portugal, 2021, doc, 20′), “Domy + Ailucha: Cenas Kets!”, de Ico Costa (França/Portugal, 2021, doc, 30′), “Todos os Rostos que Amo se Parecem”, de Davi Mello e Deborah Perrotta (Brasil, 2021, fic/exp, 14′) e “Encontrámos Abrigo”, de Julius Lagoutte Larsen (Dinamarca, 2022, fic, 26′).

“Mulheres em Quarentena” é uma imersão no universo feminino e na força da mulher. Um retrato íntimo e pessoal de mulheres em quarentena devido à pandemia de covid-19 no Brasil e em Portugal. Em “Domy + Ailucha: Cenas Kets!”, não podendo viajar a Moçambique, Ico Costa pede à Ailucha e ao Domingos para filmarem os seus quotidianos com uma câmara que tinha deixado em Inhambane no ano anterior. Uma casa esquecida volta a ser habitada e uma estranha presença aproxima-se na curta brasileira “Todos os Rostos que Amo se Parecem”. No filme “Encontrámos Abrigo”, uma marinheira regressa à sua cidade natal. Ao tentar reconectar-se com pessoas do passado, espera encontrar um lugar para chamar de seu.

Mais tarde, às 16h30, no mesmo local, são exibidas mais quatro curtas na Mostra de Cinema 2 – “Trompetes no Céu”, de Rakan Mayasi (Palestina/Líbano/França/Bélgica, 2021, fic, 15′), “Massacre”, de Saman Housseinpuor e Ako Zandkarimi (Irão, 2019, fic, 13′), “Gümüs”, de Deniz Telek (Turquia, 2018, fic, 16′) e “Memória”, de Nerea Barros (Espanha, 2021, doc, 13′).

Em “Trompetes no Céu”, Boushra, uma menina síria, volta para casa depois de um dia de trabalho na apanha de batatas. Mas esta noite não será como as outras: é a última noite da sua infância. Na curta “Massacre”, Ghasem é forçado a vender a sua vaca para passar o inverno rigoroso na sua aldeia, mas o seu filho deixa a vaca fugir. Em “Gümüş”, após a morte do pai, Ali visita a terra natal para levar a mãe para a cidade onde vive. Consegue convencê-la com uma única condição: ele tem que encontrar um lugar para deixar o cão que herdou do pai. Na curta “Memória” assistiremos à transmissão do legado de um avô à neta através de um mar que já não existe.

A sessão seguinte, Mostra de Cinema 3, às 18h30, inclui outras quatro curtas – “Reconstrução”, de Francisco Noronha (Portugal, 2022, exp, 12′), “Originalmente Verão”, de Bianca Dias (Portugal, 2021, doc, 8′), “Vergôntea”, de Sara Carregado (Portugal, 2022, doc, 14′) e “Sala das Cartas”, de Elvira Lind (EUA, 2020, fic, 33′).

“Reconstrução” debate-se com um país-em-obras, onde a cidade vai engolindo paulatinamente os campos, movimento sintonizado com o processo de urbanização da Europa do pós-2.ª Guerra Mundial, e de que o neo-realismo italiano foi possivelmente a sua original testemunha. Em “Originalmente Verão”, a realizadora procura, numa floresta, responder a uma carta que recebeu há 5 anos, no verão que agora recorda como outono, fruto da alteração das suas memórias dos acontecimentos. A carta é da avó. O documentário “Vergôntea” convida à reflexão sobre ausência e memória, concebida através de uma carta escrita por uma neta ao seu falecido avô. Quando um agente de bom coração é transferido para a “Sala das Cartas”, acaba por envolver-se nos assuntos pessoais de um preso.

A Sessão de Abertura – Curt’Arruda 1 é exibida às 21h30 no CRDA e inclui, além dos discursos da praxe, quatro curtas nacionais – “Tália”, de David Gomes e Pedro Cruz (Portugal, 2021, doc, 25′), “A Rainha”, de Lúcia Pires (Portugal, 2020, doc, 17′), “O Cordeiro de Deus”, de David Vicente Pinheiro (Portugal/França, 2020, fic, 15′) e “Oso”, de Bruno Lourenço (Portugal, 2021, fic, 29′).

“Tália” retrata a vida de Natália, uma entre as muitas mulheres que outrora faziam esteiras de Bunho. Hoje em dia é a última. “A Rainha” conta a história de uma mulher misteriosa que surgiu no Oeste de Portugal, no início do século XX, mas de quem nunca ninguém viu o rosto. Ao mesmo tempo, outra mulher tenta tornar-se uma produtora de vinho. O filme propõe uma reflexão sobre o feminino e a sua ligação com a terra, mas também um desafio para o espectador questionar as suas próprias crenças. Na curta “O Cordeiro de Deus” as festas de verão de uma aldeia portuguesa estão impregnadas de sensualidade e violência num enigmático retrato de uma família unida. Em “Oso”, o relato do avistamento de um urso solitário numa vila fronteiriça é inicialmente recebido com entusiasmo pelos locais e por uma jovem vigilante da natureza. Mas também por um forasteiro, fervoroso adepto do regresso do urso-pardo ao norte de Portugal. Não se adivinha um regresso pacífico, entre os obstáculos criados pelo Homem e a vontade do urso.

A noite termina já na madrugada de dia 8 com uma imaginativa Sessão da Bruxa, com início previsto para as 00h, e que incluirá cinco curtas – “A Terra do Não Retorno”, de Patrick Mendes (Portugal, 2020, fic, 20′), “Censor de Sonhos”, de Léo Berne e Raphaël Rodriguez (França, 2021, fic, 18′) e três curtas de Nash Edgerton – “Aranha” (Austrália, 2007, fic, 9′), “Urso” (Austrália, 2011, fic, 10′) e “Tubarão” (Austrália, 2021, fic, 14′).

“E se este mundo for o inferno de outro planeta? Esse mundo seria a “Terra do Não Retorno”, lê-se na sinopse do primeiro filme da sessão. “Censor de Sonhos” foi premiado no último Motelx. Noite após noite, o Censor e a sua equipa moldam as memórias de Yoko em sonhos fantásticos, mas, esta noite, nada acontece como planeado. Em “Aranha”, o jovem Jack leva sempre as coisas longe demais. Depois de chatear a sua namorada Jill, ele tenta fazer as pazes com algum sentido de humor, mas ela não dá o braço a torcer. Certamente que alguns chocolates e outros pequenos presentes ajudarão a suavizar as coisas. Na curta “Urso”, Jack, com a melhor das intenções, vai longe demais ao preparar a surpresa de aniversário da namorada Emelie. Em “Tubarão”, Jack é um brincalhão bem-intencionado e incompreendido. Os seus relacionamentos anteriores sofreram porque as suas ex-namoradas não apreciavam o seu sentido de humor. Mas as coisas melhoraram e parece que encontrou a sua cara metade em Sofie.

No sábado o festival tem início às 11h30, no CRDA, com a sessão Curt’Arruda em Família 1, que inclui as curtas “Três Semanas em Dezembro”, de Laura Gonçalves (Portugal, 2013, ani/doc, 6′), “Das Gavetas Nascem Sons”, de Vítor Hugo (Portugal, 2017, ani, 8′), “Purpleboy”, de Alexandre Siqueira (Portugal/França/Bélgica, 2019, ani, 14′) e “Agouro”, de David Doutel e Vasco Sá (Portugal/França, 2018, ani, 15′).

“Três Semanas em Dezembro” é uma história pessoal que enaltece os laços familiares, utilizando o sketchbook e a família como referência. Este filme segue um formato diarístico, mostrando diversas situações e eventos que fazem parte da cultura e rotina em Belmonte, durante a época do Natal. “Das Gavetas Nascem Sons” inicialmente era um objeto/instrumento sonoro coletivo muito especial com 42 gavetas, caixas e outras peças de imobiliário que gerou som… mecânico, contínuo, aleatório, suave, ruído ou misterioso. E desse som nasceram imagens através de um exercício de procura de sincronismo sem nunca nos perdermos pelos corredores das memórias guardadas nas gavetas. Em “Purpleboy”, após um estranho e misterioso evento, Grão nasce na horta, emergido da terra, como se fosse uma planta. Para Razina é um menino, e a criança é educada assim. Durante 17 anos Grão cresce, preso à horta. Um dia, Grão, já adulto, sai da terra e descobre o seu corpo. Na curta “Agouro”, um inverno rigoroso congela a superfície de um rio junto à casa onde vivem dois primos. Tadeu, pastor de um boi que lhe traz sustento, e Emídio, incapaz e dependente. Envolta no vento gelado que se levanta naquele dia, a rudeza da relação entre os dois cresce, atingindo o limite.

Pelas 14h30, o Curt’Arruda exibe quatro curtas na Mostra de Cinema 4 – “Ave Rara”, de Vasco Saltão (Portugal, 2019, fic, 30′), “Boca Cava Terra”, de Luís Campos (Portugal, 2022, fic, 17′), “Céu de Agosto”, de Jasmin Tenucci (Brasil/Islândia, 2021, fic, 16′) e “Nimic”, de Yorgos Lanthimos (Alemanha/EUA/Reino Unido, 2019, fic, 12′).

Na sinopse de “Ave Rara” lê-se “andam para aí a dizer que mataste um Anjo. Quem é que diz isso? Eles. Não é um Anjo. Não? Não. É uma ave rara, como tu e eu”. Menos esotérica é o descritivo de “Boca Cava Terra”, onde uma menina de 10 anos é entregue a um homem que nunca reconheceu a paternidade. Em “Céu de Agosto”, enquanto a Amazónia arde pelo décimo sétimo dia consecutivo, uma enfermeira em São Paulo vê-se atraída por uma igreja neopentecostal. Na curta “Nimic”, um violoncelista profissional tem um encontro estranho no metro que lhe causa inesperadas e vastas ramificações na vida.

Duas horas mais tarde, às 16h30, terá início a Mostra de Cinema 5 com mais quatro curtas – “Manual da Ceifa”, de Samuel Fernandi (Espanha, 2021, doc, 19′), “Ursula”, de Eduardo Brito (Portugal, 2020, fic, 6′), “Raposa”, de Leonor Noivo (Portugal, 2019, doc, 40′) e “Escala”, de Joseph Pierce (França/Reino Unido/Bélgica/República Checa, 2022, ani, 15′).

“Manual da Ceifa” tem lugar nas Astúrias (Espanha), no verão de 2021. Com a ajuda da família, Rámon e Maruja colhem o feno à volta da casa de campo, La Campa, como as gerações anteriores o faziam. Em “Ursula”, entre a cidade mais a norte do mundo, numa longa noite polar, e um lugar a sul, numa manhã nevoenta de verão, acontece um sonho e todas as suas dúvidas. Esguia e astuta, acossada e capaz de se camuflar, “Raposa” é a metáfora para uma obsessão por cada passo, cada gesto, cada respiração. Numa busca incessante por um espírito livre, Marta procura no esvaziamento do seu corpo o caminho para chegar a uma qualquer essência de si mesma, ainda que esta se torne na sua própria prisão. Ao conduzir na autoestrada, Will perde o seu sentido de “Escala”. À medida que o seu vício em drogas se aprofunda, ele esforça-se para compreender a sequência de eventos que o levaram a esta situação, antes que esteja perdido para sempre.

Às 18h30, no CRDA, será exibido “Body-Buildings”, de Henrique Pina (Portugal, 2021, doc, 50′).

O filme concretiza um encontro entre dança, arquitetura e cinema. Seis coreografias criadas para seis obras de arquitetura em seis locais de Portugal. Tânia Carvalho; Vera Mantero; Victor Hugo Pontes; Jonas & Lander; Olga Roriz; Paulo Ribeiro. Ponte da Carpinteira, de João Luís Carrilho da Graça; Piscina das Marés, de Álvaro Siza Vieira; Estádio Municipal de Braga, de Eduardo Souto de Moura; Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, de João Mendes Ribeiro e Menos é Mais Arquitetos; Mudas – Museu de Arte Contemporânea, de Paulo David; Centro de Convívio Irene Aleixo, de Aires Mateus. Covilhã; Leça da Palmeira; Braga; Ribeira Grande; Calheta; Grândola. Desenham-se futuras memórias.

A sessão Curt’Arruda 2 terá lugar às 21h30 e servirá mais quatro curtas – “Noite Turva”, de Diogo Salgado (Portugal, 2020, fic, 14′), “Madrugada”, de Leonor Noivo (Portugal, 2021, doc/fic, 28′), “O Que Resta”, de Daniel Soares (Portugal, 2021, fic, 21′) e “O Homem do Lixo”, de Laura Gonçalves, 2022, ani/doc, 12′).

Na curta “Noite Turva”, ao fim da tarde, dois rapazes brincam na floresta junto a uma lagoa. Quando um deles desaparece, a lagoa e os seus habitantes tomam o controlo da narrativa, construindo, ao entrar da noite, um labirinto que cerca as duas crianças. Enquanto um dos rapazes deambula pela floresta à procura do amigo, as silhuetas, texturas e sons exercem lentamente a sua força. Em “Madrugada”, Maria começa a ter sinais de pertencer a outro lugar: surgem escamas na pele, raízes nas pernas, e ela ouve o som da água – sonha ser peixe. Um dia a sua filha depara-se com o seu desaparecimento e reconstruirá, pela memória dos gestos e desencontros, uma possível explicação para a sua fuga. Na curta “O Que Resta”, Emílio, um agricultor de oitenta anos, vive sozinho na sua quinta abandonada. Já só lhe resta um animal. Hoje é o dia em que ele decide vendê-lo. Em “O Homem do Lixo”, numa tarde quente de agosto, a família junta-se à mesa. As memórias de cada um vão-se cruzando para recordar a história do tio Botão. Da ditadura à emigração para França, onde trabalhou como homem do lixo, a quando voltava a Belmonte na carrinha cheia de “lixo” que transformava num verdadeiro tesouro.

A noite termina com o concerto dos Baleia Baleia Baleia – a partir das 23h30 – e com a atuação do DJ Knight.

Dupla formada por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria e voz), formada em finais de 2015 no Porto a partir de jams informais mas muito comuns na cidade invicta. Lançaram em fevereiro de 2022, “Suicídio Comercial”, depois de um primeiro EP pirata (2017) e do disco de estreia homónimo (2018) que lhes valeu presenças constantes nos palcos de todo o país, incluindo festivais como o Bons Sons, Circuito Supernova ou o Zigurfest, bem como nas listas de melhores discos e concertos do ano.

No domingo o festival tem início novamente às 11h30, no CRDA, com a sessão Curt’Arruda em Família 2, que inclui as curtas “Alaúde”, de João Magalhães (Portugal, 2021, fic, 25′), “Hijack 139”, de Joachim Berg e Sondre Johre (Noruega, 2020, ani, 6′), “1 Segundo”, de Sebastian Doringer (Áustria, 2020, ani, 6′) e “A Luta Pelo Trono”, pelos participantes do Clube do Cinema (Portugal, 2022, fic/ani).

Em “Alaúde”, António, um rapaz de 12 anos, filho de camponeses, usa o dinheiro da família para se infiltrar num concerto de música. Na curta “Hijack 139” um homem que se sentia triste e em sofrimento, para chamar a atenção, decide sequestrar um avião. Em “1 Segundo”, num mundo onde a vida é simbolizada por um pictograma em forma de coração que aparece em cima da cabeça das pessoas, vários pacientes esperam num consultório médico para ouvir os resultados de quanto tempo lhes resta de vida.

Pelas 14h30, o Curt’Arruda exibe quatro curtas na Mostra de Cinema 6 – “Invisível Herói”, de Cristèle Alves Meira (Portugal, 2018, fic, 27′), “Marizabel”, de Gabriel Marmelo (Portugal, 2021, doc, 13′), “Mulher Como Árvore”, de Alejandro Vázquez, Helder Faria, Daniela Cajías, Flávio Ferreira e Carmen Tortosa (Portugal, 2020, doc, 18′) e “Pai”, de Lewis Rose (Reino Unido/França, 2021, fic, 19′).

“Invisível Herói” conta a história de Duarte, um invisual com os seus 50 anos, que anda à procura do seu amigo Leandro, um emigrante cabo-verdiano misteriosamente desaparecido. Nada demove Duarte de o procurar por toda a cidade – nem o calor nem a sua condição – mas ninguém parece lembrar-se dele. É então que descobre a fotografia que Leandro fez de uma mulher à porta de uma discoteca. Talvez ela o possa ajudar. Atingida pela doença de Alhzeimer aos setenta anos, “Marizabel” viu-se transformada no eixo da vida do marido e por ele substituída na lida quotidiana da casa de ambos. A melancolia e o silêncio tomaram conta do espaço familiar, dominado pela progressiva ausência da personagem central. Em “Mulher como Árvore”, Elva caminha pela vida, pelo campo entre os afazeres do quotidiano enquanto sussurra cartas que voam aos que já não estão. Trespassados os medos, Elva abriu-nos as portas da casa e da oração, uma palavra secreta e profunda que carregava escondida dentro de si. Elva falou, olhando-nos nos olhos. Revelou-nos a sua dor e o seu rosto até que a sua voz conquistou as imagens e a nós com elas. Foi desse impulso que nasceu este filme, uma carta sussurrada do coração, um relato cheio de vida e resistência, dignidade e decência. Como é que reagiria se o último desejo do seu “Pai” fosse um pouco excêntrico? Para os irmãos Roz e Elli vai ser um campo de batalha decidir o que fazer.

A ‘prata da casa’, leia-se os filmes produzidos no concelho de Arruda dos Vinhos, será exibida em duas sessões Film’Arruda. A primeira, às 16h30, com as curtas “Topo”, de Bernardo Seixas (2022, fic, 8′), “Um Filme com um Clio”, de Diogo Penedo (2020, fic, 7′), “Vento do Oeste”, de Teresa Esteves da Fonseca (2020, fic, 7′), “Ditado numa Vala”, de Fábio Pintor (2020, fic, 20′) e “Esperteza Saloia”, de Vanessa Diniz (2018, doc, 13′). A segunda, às 18h30, com os filmes “20 de Março”, de João Semedo (2022, fic, 12′), “No Pêlo Dela”, de Isabel Rego (2020, doc, 15′), “A Bruxa da Arruda”, de Filipa Gonçalves Seabra (2022, doc, 22′) e “Ali”, de Carolina Roque Ribeiro (2020, doc, 5′).

Em “Topo”, a vida de Luís sempre foi marcada por fotografias, ao crescer tornou-se fotógrafo de profissão. Sem família e sem descendentes, Luís viu-se obrigado a isolar-se do mundo numa pequena aldeia. Acompanhamos Luís nesta sua última aventura alimentada pelo desejo de se entregar ao seu destino enquanto preenche a última exposição do seu rolo. “Um Filme com um Clio” traduz-se numa viagem de pé a fundo no pedal, poeira pelo ar e cocktails ao ar livre ao volante de um Renault Clio. “Vento do Oeste” conta a história de Jeremias, que cheio de medos e inseguranças, abala da cidade, onde a opressão do espírito lhe tira a vontade de viver, e ruma ao Oeste. Em “Ditado numa Vala”, Diogo e João enfrentam o desconhecido e questionam a lenda de uma Bruxa, acabam condenados a um ditado, a algo que perpetuamente se irá repetir. As suas vidas estão condicionadas, vivendo uma realidade absurda, no desespero de remediar o “Leite Entornado”. Na curta “Esperteza Saloia”, Crialmina, uma pitoresca saloia rural, ao seguir um ruído longínquo, acaba conquistada pelos festejos do Mercado Oitocentista do vale encantado.

Em “20 de Março”, a primavera chegou, os campos começam a florescer e tornam-se nas mais belas paisagens que a natureza nos pode oferecer. A bordo do seu carro, Santiago e Betina partem para uma nova aventura pela estrada fora. Com personalidades diferentes, mas com uma ligação muito forte, os dois amigos partilham em conjunto momentos inesquecíveis enquanto viajam para o desconhecido. Baseado numa história verídica, “No Pêlo Dela” conta o percurso de Daisy, uma cadela abandonada em Arruda dos Vinhos poucas horas após o parto. Na curta “A Bruxa da Arruda” acompanhamos cinco moradores de Arruda dos Vinhos, numa busca pela mítica bruxa que habitou a vila entre os séculos XIX e XX. “Ali” é Alice, que aos 3 anos é muito crescida. Gosta de andar de bicicleta e tinha um amigo a sério.

A Sessão de Encerramento e entrega de prémios terá lugar às 21h30 com a exibição dos filmes vencedores dos prémios Film’Arruda, Curt’Arruda e do público. A escolha dos premiados Film’Arruda e Curt’Arruda ficará a cargo da professora universitária Patrícia Ascensão, da atriz São José Correia e da investigadora Susana Viegas.

Como forma de impulsionar o consumo de cinema em sala, a entrada é gratuita no Curt’Arruda para os menores de 18 anos. Para os restantes, o festival tem um custo verdadeiramente simbólico – 2,5 euros por sessão, 3,5 euros pelo concerto dos Baleia Baleia Baleia (em rotação na TunetRádio) e há ainda a possibilidade de adquirir um passe para os três dias de Curt’Arruda por 20 euros.

O Curt’Arruda é uma organização da Associação Cultura deGrau, responsável por diversos eventos – concertos (Satos Duo no CRDA em abril), cineconcertos (“Sherlock JR.”, de Buster Keaton – 1924 -, musicado, ao vivo, por OST – Tiago Matos e João Lucas -, no passado 24 de setembro), peças de teatro (“Corpo Suspenso”, de Rita Neves, em julho) e exposições (“A Poética Das Imagens Pesadas”, de Ana Mouralinho, patente na Capela do Palácio do Morgado, dias 7 e 8 das 10h às 20h e dia 9 das 10h às 19h) – em Arruda dos Vinhos.

O festival conta com o apoio da Câmara de Arruda dos Vinhos e com o empenho e dedicação de uma extensa equipa – André Agostinho (direção e seleção de filmes), Ana Mouralinho (Lab. Curt’Arruda), Carolina Roque Ribeiro (comunicação), Cátia Francisco (gestão financeira e design de espaço), Beatriz Gomes (produção, voluntários), Filipa Figueiredo (seleção de filmes e site), João Pedro Cavaco (gestão de sala e design de espaço), Tânia Serreira (produção, voluntários), João Gama, Pedro Carvalho, Saul Silva (projeção), Fausto Lelles, Nelson Branco (tradução e legendagem), além de uma generosa lista de voluntários, todos essenciais ao tornarem o Curt’Arruda um dos festivais mais castiços e profissionais do nosso país. Merece o vosso carinho, presença e apoio. Para que floresça e continue a promover novos valores culturais locais, regionais e nacionais.

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