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Morreu o humorista brasileiro Jô Soares

Escrito por em 05/08/2022

O humorista e escritor brasileiro Jô Soares, que Portugal descobriu no programa “Viva o Gordo”, em 1981, morreu hoje, em São Paulo, Brasil, aos 84 anos, informou a sua ex-mulher Flavia Pedras, através de uma publicação na rede Instagram.

“Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados”, lê-se na mensagem, publicada há cerca de duas horas, entretanto citada pela imprensa brasileira.

José Eugénio Soares, conhecido por Jô Soares, nasceu a 17 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Estreou-se no cinema e na televisão no final dos anos de 1950, como argumentista e ator, nomeadamente no Grande Teatro da TV-Tupi, atingindo sucesso maior cerca de dez anos depois quando chegou à TV Globo com o programa “Faça Humor Não Faça Guerra”, que escrveia e protagonizava.

Portugal descobriu o autor de “O Xangô de Baker Street” em 1981, quando a RTP passou a transmitir o seu programa de humor “Viva o Gordo”, sequência de sketeches de humor, em plena ditadura militar brasileira (1964-1985), no qual ironizava “a política e os costumes”, como recorda a Globo, na sua página de arquivo.

Filho do empresário Orlando Soares, do Rio de Janeiro, Jô Soares estudou na Europa, a partir dos 16 anos, com o objetivo de seguir a carreira diplomática. Aos 20 anos, porém, de regresso ao Brasil, é seduzido pelo cinema, aceitando um papel no filme “O Homem do Sputnik”, de Carlos Manga, onde o talento é reconhecido e lhe abre as primeiras portas da televisão e dos palcos.

No final da década de 1950, a biografia oficial coloca-o em canais como TV Rio, TV Continental e TV Tupi, para os quais também escrevia, ao mesmo tempo que se estreia nos palcos, e trabalha ao lado de atores como Paulo Autran e Tônia Carreiro, já consagrados.

Durante os anos de 1960, manteve-se na TV Record, chegando à Rede Globo, em 1968, onde se estreou com “Faça Humor Não Faça Guerra”. O sucesso maior aconteceu em 1981, quando estreou “Viva o Gordo”, que se manteve nos ecrãs durante seis temporadas.

Seguiu-se “Veja o Gordo”, desta vez no canal SBT, onde completou 17 anos de emissões. Ainda nos anos de 1980, Jô Soares optou por um modelo de ‘talk show’ mais próximo do norte-americano, intercalando convidados, entrevistas, ‘sketches’ e música. Surgiu assim “Jô Soares Onze e Meia”, ainda na SBT, o que deu origem, mais tarde, a “O Programa do Jô”, de novo na Globo, que chegou a Portugal através do canal por cabo GNT.

Como escritor de ficção, assinou títulos como “O Xangô de Baker Street”, “O Homem Que Matou Getúlio Vargas” e “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, obras editadas em Portugal pela Presença.

Jô Soares, o humorista “Bótimo, melhor que bom, melhor que ótimo”, por Maria Augusta Gonçalves, da Lusa

O humorista e escritor brasileiro Jô Soares construiu centenas de personagens em quase 60 anos de trabalho em televisão, desde 1958, com a estreia na TV Rio, até ao final do “Programa do Jô”, na Globo, em 2016.

As mais conhecidas provêm de “Viva o Gordo”, o programa que estreou em 1981, na Globo, e celebrizou deixas ‘deixas’ como “Cala a boca, Baptista!” e “Bótimo, melhor que bom, melhor que ótimo!”, do temente irmão Carmelo, pronunciadas num Brasil ainda sob ditadura militar (1964-1985).

Foi neste programa que Portugal o descobriu, no início dos anos de 1980. Mas, no percurso de Jô Soares, que morreu hoje, em São Paulo, aos 84 anos, havia já teatro, cinema, pintura. E a escrita, sempre presente, desde os primeiros argumentos para TV, até à ficção de “O Xangô de Baker Street” e “O Homem Que Matou Getúlio Vargas”.

José Eugénio Soares, conhecido por Jô Soares, nasceu a 17 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Estreou-se no cinema e na televisão no final dos anos de 1950, como argumentista e ator, nomeadamente no Grande Teatro da TV-Tupi, atingindo sucesso maior cerca de dez anos depois quando chegou à TV Globo com o programa “Faça Humor Não Faça Guerra”, que escrevia e interpretava.

Portugal descobriu o autor quando a RTP passou a transmitir o seu programa de humor “Viva o Gordo”, uma sequência de ‘sketeches’ de humor, no qual ironizava “a política e os costumes” de um país vigiado, como recorda a Globo, na sua página de arquivo.

Em “Viva o Gordo”, Jô Soares construiu algumas das personagens mais populares da sua carreira, como Capitão Gay, o super herói que se batia pelos fracos e oprimidos, e Reizinho, o monarca minúsculo, ridículo, a braços com problemas comuns aos do seu país, batendo preconceitos e assumindo um humor global, a partir de uma realidade sujeita à censura.

Zé da Galera, o ‘torcedor’ do futebol brasileiro, apoiante incondicional da seleção, Bô Franceneide, a atriz de ‘pornochanchadas’ à procura de emprego, e General Gutierrez, o ex-déspota argentino, em exílio no Brasil, foram outras personagens criadas por Jô Soares em “Viva o Gordo”, que se manteve nos ecrãs durante seis temporadas.

O sucesso atravessou o Atlântico até Portugal, o que fez do ator uma visita regular ao país, e sustentou laços de amizade com Nicolau Breyner e Raul Solnado. Essas personagens afirmaram o seu nome decisivamente, abrindo portas a programas posteriores como “Veja o Gordo” e os ‘talk shows’ “Jô Soares Onze e Meia” e “O Programa do Jô”, com que se despediu dos ecrãs.

Filho do empresário Orlando Soares, do Rio de Janeiro, Jô Soares estudaria na Europa, a partir dos 16 anos, com o objetivo de seguir a carreira diplomática, por sua própria vontade, frequentando o Lycée Jaccard, em Lausanne, na Suíça.

Aos 20 anos, porém, de regresso ao Brasil, foi seduzido pelo cinema, aceitando um papel no filme “O Homem do Sputnik”, de Carlos Manga, onde o talento é reconhecido e lhe abre as primeiras portas da televisão e dos palcos.

No final da década de 1950, a biografia oficial coloca-o, inicialmente, em canais como TV Rio, nos programas “Noite de Gala” e “TV Mistério”, na TV Continental e na TV Tupi, para os quais também escrevia, e no “Grande Teatro”.

Mas a sua presença é também notada nos palcos, depois da estreia em “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, interpretando um bispo, e noutras produções, ao lado de atores já consagrados, como Paulo Autran e Tônia Carrero.

Durante os anos de 1960, manteve-se na TV Record, destacando-se em programas de humor como “La Revue Chic”, “Jô Show”, “Praça da Alegria” e “Família Trapo”, numa alusão à família de “Música no Coração”.

A cada etapa, Jô Soares afirmava cada vez mais um estilo que o levaria à Globo, onde se estreou com “Faça Humor Não Faça Guerra”, em 1968, no auge do movimento ‘hippy’. Seguir-se-ia “Satiricom”, uma sátira à informação censurada, e “Planeta dos Homens”, que chegou igualmente a Portugal.

Foi na TV Globo que se cruzou com o seu amigo Raul Solnado, pela primeira vez, no especial “O Descobrimento do Brasil”, emitido em 1973. O fim da ditadura no Brasil e a realização de eleições diretas, em 1985-86, coincidiu com o termo de “Viva o Gordo”, e a nova abordagem de “Veja o Gordo”, desta vez no canal SBT, onde completou 17 anos de emissões e a composição de mais de 240 personagens.

Ainda nos anos de 1980, Jô Soares optou por um modelo de ‘talk show’ mais próximo do norte-americano, intercalando convidados, entrevistas, ‘sketches’ e música. Surgiu assim “Jô Soares Onze e Meia”, ainda na SBT, o que deu origem, mais tarde, a “O Programa do Jô”, de novo na Globo, que chegou a Portugal através do canal por cabo GNT.

Foi neste programa, na emissão de 03 de novembro de 2014, que fez uma das intervenções mais sérias e pessoais do seu percurso, ao evocar o seu único filho, Rafael Soares, Rafinha, que morrera dias antes, aos 50 anos. “A perda de um filho, o pesadelo de todo o pai”, disse então Jô Soares.

Autista, Rafinha era companheiro de percursos urbanos de Jô Soares, uma inspiração para o autor e escritor, que o lembrou como pianista, músico de ouvido absoluto, apaixonado pela rádio.
“Como era autista, permaneceu menino (…). E esse caminho limitado que a vida lhe deu, me dá muito orgulho”, afirmou.

Admirador de pintura, e da Pop Art, em particular, através de artistas como Roy Lichtenstein e Robert Rauchemberg, consumidor de banda desenhada de autores como Will Eisner e Chester Gould, Jô Soares também pintava e chegou a expor na Bienal de Artes de São Paulo, na década de 1960.

Como escritor, assinou títulos como “O Xangô de Baker Street”, “O Homem Que Matou Getúlio Vargas” e “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, obras editadas em Portugal pela Presença.

Admirador de Fernando Pessoa, estreou no Teatro Villaret, em Lisboa, em janeiro de 2010, o espetáculo “Remix em Pessoa”, assente na obra do criador de Alberto Caeiro, como se criasse um novo heterónimo ao poeta dos heterónimos, uma espécie de “irmão bastardo de Álvaro de Campos”, como então afirmou.

O seu último projeto foi no teatro, a montagem da peça “Gaslight”, de Patrick Hamilton, que a pandemia o fez adiar por duas vezes, desde 2020. No passado dia 30 de julho, Jô Soares escreveu na sua página oficial, na rede social Twitter: “Tudo passa. Só que às vezes passa igual um trator por cima de você.”

Artistas portugueses recordam humorista, “alguém da nossa própria família”

Os humoristas Nuno Markl e César Mourão, o escritor Valter Hugo Mãe e a atriz Maria de Medeiros foram algumas das figuras públicas portuguesas que lamentaram hoje a morte do humorista brasileiro Jô Soares.

Nas redes sociais, multiplicaram-se as reações e as mensagens de pesar pela morte do humorista e escritor Jô Soares, ocorrida hoje, em São Paulo, aos 84 anos. “Cresci com os ‘sketches’ dele – ‘Viva o Gordo’ e o ‘Planeta dos Homens’ a juntarem-se ao ‘Flying Circus’ [dos Monty Python] e ao ‘Tal Canal’ [de Herman José] como ingredientes neste caldeirão que me alimentou o sentido de humor”, escreveu o humorista e argumentista Nuno Markl, que foi entrevistado por Jô Soares em 2013.

A atriz portuguesa Maria de Medeiros, que entrou numa adaptação cinematográfica do romance “O Xangô de Baker Street”, recorda o percurso do humorista, com uma fotografia dele no programa televisivo “Viva o Gordo”: “Jô Soares, na minha personagem preferida, com quem sempre me identifiquei: o Brasileiro, morrendo de frio em Paris, esperando a ditadura passar”.

Na rede social Instagram, o escritor Valter Hugo Mãe recua ao seu romance autobiográfico “Contra Mim”, para dizer que escreveu um capítulo sobre Jô Soares. “Não porque era um artista a dar na TV, mas sobretudo porque se tornou em alguém da nossa própria família. É uma tristeza profunda que não o possamos voltar a ver e a ouvir”, lamentou o autor.

As cantoras Mariza e Carminho e o humorista César Mourão, que também passaram pelo programa televisivo de Jô Soares, juntaram-se aos que recordaram o artista brasileiro. O humorista e ator brasileiro Gregório Duvivier, conhecido em Portugal no coletivo Porta dos Fundos, escreveu no Instagram que é dia de celebrar Jô Soares, porque “está em toda a parte”.

“Inventou expressões que a gente usa até hoje, revelou gerações de comediantes, fez o brasileiro mais feliz – objetivo primeiro e último da nossa profissão”, disse. O humorista e escritor brasileiro Jô Soares morreu no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Estreou-se no cinema e na televisão no final dos anos de 1950, como argumentista e ator, nomeadamente no Grande Teatro da TV-Tupi, atingindo sucesso maior cerca de dez anos depois quando chegou à TV Globo com o programa “Faça Humor Não Faça Guerra”, que escrevia e protagonizava.

Portugal descobriu o autor de “O Xangô de Baker Street” em 1981, quando a RTP passou a transmitir o seu programa de humor “Viva o Gordo”, sequência de ‘sketches’ de humor, em plena ditadura militar brasileira (1964-1985), no qual ironizava “a política e os costumes”, como recorda a Globo, na sua página de arquivo.

Ainda nos anos de 1980, Jô Soares optou por um modelo de ‘talk show’ mais próximo do norte-americano, intercalando convidados, entrevistas, ‘sketches’ e música. Surgiu assim “Jô Soares Onze e Meia”, ainda na SBT, que deu origem, mais tarde, a “O Programa do Jô”, de novo na Globo, exibido em Portugal através do canal por cabo GNT.

Como escritor de ficção, assinou títulos como “O Xangô de Baker Street”, “O Homem Que Matou Getúlio Vargas” e “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, obras editadas em Portugal pela Presença.

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