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“Talaia Baxu” passa a ter dia nacional a 1 de fevereiro

Escrito por em 28/07/2022

O género musical “Talaia Baxu”, típico da ilha do Fogo e que junta violino com cavaquinho, reco-reco e ritmo, vai ter o seu dia nacional em Cabo Verde a 1 de fevereiro, conforme proposta aprovada hoje no parlamento.

“‘Talaia Baxu’ constitui uma das maiores manifestações artísticas, culturais e musicais da ilha do Fogo, de Cabo Verde e da nossa imensa diáspora, sendo um dos aspetos que melhor nos particularizam e caracterizam enquanto foguenses”, lê-se na nota justificativa para a proposta de instituição do 01 de fevereiro como dia nacional daquele género, por ser a data do nascimento da “consagrada” Adelina Gomes, popularmente conhecida por ‘Bina Manzinha’.

De acordo com o texto da proposta de projeto de lei do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, maioria), aprovada hoje por 63 votos na sessão plenária em votação final global, a instituição do dia nacional da “Talaia Baxu” pretende reconhecer aquele género musical, artístico e cultural como “de referência” em Cabo Verde e para “criar as condições necessárias” para ser elevado a “património imaterial nacional”.

Contudo, antes da votação final, o parlamento chumbou o pedido de alteração à proposta do MpD por parte do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), que pretendia que a data fosse assinalada antes a 24 de junho, dia de São João, festividade típica local e central daquele género musical. O MpD recusou recuar alegando que a proposta foi elaborada com o apoio da população local e que não se quer confundir a data com a festividade do São João.

O texto original defende que a data pretende “homenagear os homens e as mulheres que emprestaram toda a sua classe, criando, cantando e compondo para salvaguardar todo esse riquíssimo legado histórico” e ao mesmo tempo “chamar a atenção da sociedade cabo-verdiana, particularmente os jovens, para a necessidade de se continuar a compor, interpretar e valorizar a ‘Talaia Baxu’”.

Este género musical nasceu “nos contextos populares” do município dos Mosteiros, Fogo, nos finais do século XIX, e está presente “em toda a ilha, nos momentos de convívio e lazer, como uma manifestação espontânea”.

“Reza a história que, nas imediações das zonas altas dos Mosteiros, isto é, contíguas ao perímetro florestal de Monte Velha, na localidade de ‘Tchada Mariz’ ou Achada Maurício, viveu Armand Montrond [conde francês], e que tinha com ele um violino francês cujas afinidades sonoras e musicais com a ‘Talaia Baxu’ protagonizou um casamento tão perfeito, de tal sorte que perdura até aos dias de hoje. A introdução do violino, um instrumento clássico da valsa francesa, no género ‘Talaia Baxu’, veio enriquecer, sobremaneira, a melodia e a tonalidade existentes em cada verso expresso pelos músicos”, lê-se ainda na nota justificativa da proposta.

Acrescenta que “não há ‘Talaia Baxu’ sem violino, do mesmo modo que não há funaná sem gaita”, instrumentos que “são imprescindíveis na orquestração e ênfase que trazem a esses géneros musicais”.

No caso da “Talaia Baxu”, o violino ainda é acompanhado pela guitarra, cavaquinho e reco-reco, “numa simbiose perfeita entre a letra, muitas vezes improvisada, e a música”.

A partir dos anos de 1970, “é reconhecida como música típica da ilha do Fogo, despertando compositores e vozes de realce, divulgando e ultrapassando as barreiras e fronteiras nacionais para conquistar o mundo” e “consagra-se como a música ícone da cultura foguense, em particular, e cabo-verdiana, em geral”.

Na década de 1990, “Talaia Baxu” entra “de forma irreversível” nos circuitos da World Music Internacional com os “Mendes Brothers”, grupo constituído pelos irmãos Ramiro e João Mendes – que emigraram em 1978 do Fogo para os Estados Unidos – que recebeu vários elogios e prémios da crítica musical internacional.

Cabo Verde quer “virar de página na história cultural” com Centro de Arte, Artesanato e Design

Cabo Verde inaugura no sábado as obras de reabilitação do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), em São Vicente, investimento de um milhão de euros, para marcar um “virar de página na história cultural” do país.

Conforme informação divulgada hoje, a reabilitação do CNAD vai ser inaugurada pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, abrindo assim as portas após mais de três anos, devido a obras que arrancaram em fevereiro de 2019, mas foram suspensas um ano depois por causa da pandemia de covid-19.

“O novo CNAD está concluído, constituindo assim um verdadeiro virar de página na história cultural de Cabo Verde e da África Ocidental, tal como da paisagem da cidade do Mindelo”, enalteceu o Governo cabo-verdiano, na nota de imprensa.

A reabilitação foi liderada pelo gabinete Ramos Castellano Arquitetos, que empreendeu uma “completa requalificação” da casa onde viveu o senador Vera-Cruz. “Além disso, um novo edifício, construído do zero, completa este complexo cultural com um traçado marcadamente contemporâneo”, prosseguiu o executivo, destacando a cobertura da fachada com tampas de tambor, material usado para construção de casas de lata nas periferias da cidade do Mindelo, reforçando a ideia de sustentabilidade.

“Assim, as tampas reguláveis moldam a luz e a temperatura no interior, assim como guardam uma surpresa na sua palete de cores vibrantes: os diferentes tons compõem as notas de uma sinfonia musical criada de propósito pelo compositor mindelense Vasco Martins, numa homenagem a uma das linguagens mais fortes da cultura cabo-verdiana: a música”, descreveu.

Financiado pelo Governo, num projeto inicial estimado em cerca de 50 milhões de escudos (453 mil euros), as obras chegaram, entretanto, a 120 milhões de escudos (um milhão de euros).

O CNAD será aberto ao público num ambiente de festa, com uma série de atividades culturais, entre música, exposições, mostras, teatro e visitas.

O edifício iniciou as suas atividades em 1976, com a Cooperativa Resistência que tinha como missão afirmar Cabo Verde através da cultura e no ano seguinte passou a Centro Nacional de Artesanato, entre outras designações históricas que conheceu, como rádio, espaço de ensino e criação.

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