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Ana Tijoux diz que Chile está a viver “momento histórico”

Escrito por em 28/07/2022

A cantora franco-chilena Ana Tijoux, que regressa hoje ao palco do Festival Músicas do Mundo (FMM), em Sines (Setúbal), considerou que o Chile está a viver “um momento muito histórico” com o processo de revisão constitucional.

“É um momento muito histórico para o Chile e creio que há muita expectativa em relação à votação” no referendo marcado para 04 de setembro, dia em que os chilenos irão votar contra ou a favor da nova Constituição, afirmou esta tarde num encontro com jornalistas.

A ‘rapper’ e ativista Ana Tijoux, que já atuou no FMM, em 2015, regressa a Sines, num momento particularmente importante para o futuro do país, depois de ter sido redigido um novo documento que vai substituir a constituição escrita durante a ditadura de Augusto Pinochet e que tem conduzido a um grande debate interno.

Segundo a artista, o que este documento “tem de bonito” é que “foi escrito por cidadãos de lugares e espaços distintos”, embora “a luta esteja ‘super dura’ e muito complexa”. “Ansiamos que se acabe com a constituição de Augusto Pinochet para nascer uma nova constituição, na qual todos os chilenos e chilenas sejam incluídos”, defendeu.

No entanto, reconheceu, “às portas da votação”, o ambiente no Chile é “tenso e de terror, com muitas ‘fake-news’” e o peso da “contra-campanha” exercida pela “extrema-direita”, com “a apologia da violência”, a influenciarem a opinião pública.

“Temos esperança que vença, em homenagem a todas as pessoas que foram mortas durante o processo de tortura”, acrescentou a cantora, considerando que “uma nova Constituição” vai servir para “escrever a história do Chile de outra forma também”.

Para Ana Tijoux “a violência sistemática que se vive no Chile é o resultado de uma violência institucionalizada há anos” e quando questionada sobre uma votação expressiva da população em setembro, reconheceu ser “muito difícil”.

“Não sei, é complexo, temos de pensar que vamos ganhar, mas é um momento muito difícil, muito polarizado, eu diria politicamente”, adiantou a cantora que vai interpretar em Sines canções do álbum “Antifa Dance”, considerado um manifesto em resposta aos protestos sociais no Chile, em 2019, e de chamamento à revolta contra a injustiça do sistema.

A artista, que elogiou “o esforço coletivo” de garantir “uma paridade”, com a participação de mais mulheres, tanto no cartaz, como em lugares que antes eram ocupados por homens na indústria musical, revelou que vai “isolar-se”, a partir de setembro, para começar a trabalhar nas canções do seu novo álbum.

“Agora estou a escrever, mas tenho de fazer as canções de todo este trabalho. Como? Não sei, mas para mim é preciso existir um conceito, tal como construir uma casa, que tem de ter uma cozinha, um quarto, uma sala”, disse.

O FMM decorre no concelho de Sines até sábado, depois de uma pausa de dois anos devido à pandemia de covid-19, com uma programação que inclui 47 concertos de artistas de quatro continentes.

Ava Rocha, Bia Ferreira, Letrux (Brasil), Ana Tijoux (Chile), Queen Ifrica (Jamaica), Omara Portuondo (Cuba), Dominique Fils-Aimé (Quebeque), Dulce Pontes e Sara Correia (Portugal) são algumas das artistas que se encontram no cartaz do 22.º FMM.

Seun Kuti & Egypt 80, Etuk Ubong (Nigéria), James BKS (Camarões), Re:Imaginar Monte Cara (Cabo Verde), Club Makumba, Fado Bicha, Pedro Mafama (Portugal), Albert Pla e Angélica Salvi (Espanha) estão também entre os artistas confirmados este ano.

À semelhança de edições anteriores, a programação reparte-se entre a aldeia de Porto Covo, onde decorreu de sexta-feira a domingo, e a cidade de Sines, de 25 a 30 de julho. Além dos concertos, a programação do festival inclui uma série de iniciativas paralelas, como exposições, ‘workshops’, visitas guiadas, animação de rua, uma feira do livro e do disco e debates.

Fotografia de capa por Mário Pires (FMM Sines).

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