Faixa Atual

Título

Artista

Background

Sons de Lucie Antunes encantam Porto Covo

Escrito por em 25/07/2022

Pela primeira vez a pisar um palco português, em Porto Covo, Lucie Antunes tem ‘desenhado’ um caminho na nova eletroacústica francesa, uma ‘jovem maestrina’ que procura continuar o trabalho de autores como John Cage, Steve Reich e Chassol.

A compositora franco-portuguesa procura traduzir a música erudita para uma linguagem pop e o público do Festival Músicas do Mundo apreciou o arrojo eletrónico. “É genial tocar no FMM com pessoas de todo o mundo”, afirmou em entrevista à Lusa.

Em concerto, Lucie Antunes (composição musical, percussão, vibrafone, marimba, bateria) faz-se acompanhar de Jean-Sylvain Le Gouic (sintetizador, voz) e de Franck Berthoux (processamento sonoro ao vivo, sintetizadores modulares).

Com formação clássica em percussão e inspirada pelos pioneiros do minimalismo, Lucie ‘trata por tu’ instrumentos que dificilmente serão vistos num concerto pop como o vibrafone, a marimba, a celesta ou as ondas Martenot.

Podendo fazer uma carreira em orquestras, preferiu a liberdade da pop eletrónica e as experiências eletroacústicas. Na bateria ou na sua panóplia de percussões, Lucie, que vinha muitas vezes com o pai (português) a Lisboa, cria música de dança hipnótica, guardada no álbum “Sergeï” e no EP “LNM”.

“Fui eu que compus todos os temas e depois criámos versões para mostrarmos ao vivo com os músicos que me acompanham em palco. Toco tudo o que é acústico e eles encarregam-se do que é eletrónico. Estamos juntos há dois anos e os discos são muito diferentes dos concertos. É mais vivo e em álbum é muito mais eletrónico”, descreve Lucie.

Infelizmente, afiança, há uma produção em disco que não podem recriar ao vivo. E também não dispõem de “grande espaço para improvisação” porque tocam com uma “componente eletrónica”. Como se tivessem um metrómono que são “obrigados a respeitar”. Têm de respeitar a parte escrita, o que torna a improvisação “quase impossível”. Nem sempre é possível recriar o cenário e ambiente do vídeo musical “LNM”. Em termos de cenografia é uma produção “muito dispendiosa e nem o palco de Porto Covo o permitiria”, revela a compositora.

Pessoalmente, em termos de música eletrónica atual, a artista franco-portuguesa assume gostar “muito” de LCD Soundsystem, Pantha Du Prince e Caribou. “São grandes referências para mim”, remata.

O Festival Músicas do Mundo (FMM) decorre no concelho de Sines até 30 de julho, depois de uma pausa de dois anos, com uma programação que inclui 47 concertos de artistas de quatro continentes.
Ava Rocha, Bia Ferreira, Letrux (Brasil), Ana Tijoux (Chile), Queen Ifrica (Jamaica), Omara Portuondo (Cuba), Dominique Fils-Aimé (Quebeque), Dulce Pontes e Sara Correia (Portugal) são algumas das artistas que se encontram no cartaz do 22.º FMM, adiado para este ano devido à pandemia da covid-19.

Seun Kuti & Egypt 80, Etuk Ubong (Nigéria), James BKS (Camarões), Re:Imaginar Monte Cara (Cabo Verde), Club Makumba, Fado Bicha, Paulo Bragança, Pedro Mafama (Portugal), Albert Pla e Angélica Salvi (Espanha) estão também entre os artistas confirmados este ano.

À semelhança de edições anteriores, a programação reparte-se entre a aldeia de Porto Covo, onde decorreu de sexta-feira a domingo, e a cidade de Sines, de 25 a 30 de julho.

Além dos concertos, a programação do festival inclui uma série de iniciativas paralelas, como exposições, ‘workshops’, visitas guiadas, animação de rua, uma feira do livro e do disco e debates. O programa completo do 22.º FMM pode ser consultado no ‘site’ oficial do festival, em www.fmmsines.pt.

Fotografia de capa por Mário Pires (FMM Sines).


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta