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MDOC com 32 filmes de 16 países

Escrito por em 21/07/2022

A seleção internacional do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, hoje apresentada no Porto, contará com 22 longas-metragens de 12 países diferentes, num programa que inclui exposições e várias iniciativas de formação.

O número de longas-metragens no festival, a decorrer de 01 a 06 de agosto, naquele município do distrito de Viana do Castelo, é o mais elevado em oito edições, a que se juntam mais 10 curtas-metragens, explicou hoje a organização durante a apresentação, no MIRA Fórum, no Porto.

Na competição ao Prémio Jean-Loup Passek, no valor de três mil euros, estão trabalhos de 16 países diferentes, entre os quais uma “grande seleção” de filmes portugueses. “Estes 32 filmes foram selecionados tendo como base aqueles temas base do festival, identidade, memória e fronteira”, explicou Carlos Viana, da direção do evento.

Para o presidente da Câmara de Melgaço, Manoel Batista, a oitava edição vai continuar a “fazer o impensável no sítio mais impensável”, uma “grande alegria e privilégio”. A seleção nacional do festival, que tem como missão divulgar cinema etnográfico e social, já tinha sido anunciada, com títulos como “Alcindo”, de Miguel Dores, a partir da história do homicídio de Alcindo Monteiro, “Paraíso”, de Sérgio Tréfaut, rodado no Brasil, e “Viagem ao Sol”, de Ansgar Schaefer e Susana De Sousa Dias, filme construído apenas com imagens de arquivo, com testemunhos de crianças austríacas, enviadas para Portugal no pós-Segunda Guerra Mundial.

“Águas do Pastaza”, de Inês T. Alves, exibido em Berlim, “Via norte”, de Paulo Carneiro, “No táxi do Jack”, de Susana Nobre, e “Paz”, de José Oliveira e Marta Ramos, também serão mostrados em Melgaço.

“Dispersos pelo centro” e “Quis saber quem sou”, ambos de António Aleixo, “Nous sommes venus”, de José Vieira, “Os fotocines”, de Sabrina Marques, “Transit”, de Hugo dos Santos, compõem o leque de escolhas nacionais.

A eles juntam-se várias obras internacionais, como “Four Seasons In A Day”, da belga Annabel Verbeke, “Where We Are Headed”, do russo Ruslan Fetodow, “Makeup Artist”, de Jafar Najafi, do Irão, e o iraquiano “Heza”, de Derya Denis.

O brasileiro Eryk Rocha apresenta “Edna”, enquanto do Níger chega “Zinder”, de Aicha Macky, de França há as produções de Saeed Taji Farouky (“A Thousand Fires”) e “Mara” (Sasha Kulak), além de “Dida”, filme suíço de Nicola Ilic e Corina Schwingruber.

Nota ainda para “Tomorrow Comes Yesterday”, filme turco de Kirsten Gainet, “All Of Our Heartbeats Are Connected Through Exploding Stars”, de Jennifer Rainsford, “Aya”, de Simon Coulibaly Gillard, “The Territory”, de Alex Pritz.

A seleção de curtas-metragens estende o leque de países ao Qatar, aos Países Baixos, à Polónia e a Mianmar. Uma das novidades deste ano é a secção “X-RayDoc”, dedicada à análise “de um filme marcante na história do documentário”, com coordenação de Jorge Campos, e que irá abordar o filme brasileiro “Cabra marcado para morrer” (1984), de Eduardo Coutinho.

“É um filme extraordinariamente importante, rodado ao longo de 20 anos. Começa em democracia, atravessa a ditadura e é retomado de novo, em democracia”, descreveu o coordenador. O antigo deputado destaca este como “um filme a fazer-se a si próprio”, que permitirá à secção, na qual se pretende “estudar um documentário”, mostrar este “extraordinário mosaico do Brasil a partir dos mais pobres”.

O Museu de Cinema de Melgaço recebe uma exposição evocativa de Passek (1936-2016), que ajudou a estabelecer esta instituição, numa parceria com o Festival de Cinema de La Rochelle, que o crítico dirigiu durante vários anos.

Entre vários outros projetos incluídos na programação, destacam-se “Quem somos os que aqui estamos?”, uma recolha e reinterpretação de arquivos fotográficos de habitantes de Castro Laboreiro e Lamas de Mouro, com várias exposições patentes até outubro.

O MDOC integra ainda debates e um programa formativo, “Fora de Campo”, com vários docentes universitários, realizadores e outros profissionais do cinema de vários países, sempre em ligação com a antropologia e a etnologia.

No âmbito das residências de criação realizadas em 2021, o MDOC, que dá continuidade a esta ideia também em 2022, exibirá este ano quatro documentários “que traçam novos olhares para as histórias da região” de Melgaço.

São eles “A Inverneira de Pontes”, de Luís Miguel Pereira, “Alua Pólen – Para Ela, D’Ele”, de Beatriz Walviesse Dias, “Até Ao Amanhecer”, de J. L. Peixoto, Henrique Queirós e Sebastião Guimarães, e “Cristóval – Pontebarxas”, de Alexandra Guimarães e Gonçalo Almeida, últimos de um total de 28 filmes já produzidos desde 2015.

Anualmente, o festival atribui vários prémios, entre os quais o Prémio Jean-Loup Passek para o melhor filme e o melhor cartaz de cinema, e o Prémio D. Quixote, atribuído pela Federação Internacional de Cineclubes.

O júri deste ano contará com a professora de cinema Aida Vallejo, com a diretora do Instituto de Cinema e Artes Teatrais da Universidade da Silésia, na Polónia, Anna Huth, com o crítico de cinema Carlos Natálio, com o realizador mexicano Juan Pablo Gonzalez e com a codiretora da Documentary Association of Europe, Marion Schmidt. O Festival Internacional de Documentário de Melgaço, organizado pela associação Ao Norte com a Câmara Municipal de Melgaço, está marcado de 01 a 07 de agosto.


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