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Rui Chafes é o artista em destaque em Serralves

Escrito por em 20/07/2022

Rui Chafes é o artista em destaque na nova exposição do Museu de Serralves com uma exposição que percorre 30 anos da carreira do escultor, convocando conceitos e dualidades como “silencio, vazio”, “presença, ausência”, “escuro, frio”, “memória, tempo”.

Chegar sem partir, com curadoria de Philippe Vergne e Inês Grosso, abre ao público quinta-feira, ficando patente até dia 15 de janeiro de 2023, e inclui esculturas dos primeiros anos da carreira de Rui Chafes e obras especificamente pensadas para o local, estendendo-se do interior do edifício do Museu de Serralves, no Porto, projetado pelo arquiteto Álvaro Siza aos jardins exteriores,” num diálogo inédito com o parque e a envolvente natural do Museu, que serve simultaneamente de inspiração e cenário para uma reflexão sobre a diversidade da sua prática escultórica”, lê-se na descrição da mostra.

Com um título que remete para a “noção de ciclicidade do tempo, da repetição infinda de acontecimentos”, Chegar sem partir começa, no interior do edifício, com Sudário (2018), uma peça suspensa no corredor, com uma “a poética espiritual e mística” que “funciona como prólogo e epílogo”.

Seguem-se obras significativas do percurso do autor, algumas das quais foram destruídas após a sua primeira e única apresentação, como é o caso das instalações site-specific Medo não medo (1988/98) — refeita e adaptada ao longo corredor desenhado por Álvaro Siza — e A não ser que te amem, (1987) que explora a relação entre cor, corpo e imaterialidade.

Das grandes instalações escultóricas, destaca-se ainda Sem nascer nem morrer (2022) e Burning in a forbidden sea (2011), acompanhada por uma composição sonora e texto da artista irlandesa Orla Barry.

“Como sombras flutuantes”, descreve o dossier de imprensa, as esculturas de ferro negras de Chafes habitam um espaço sem gravidade que “desafia perceção e entendimento das relações entre volume, massa e espaço”, como Em Não quando os outros olham II (1996), em que o artista convoca a figura trágica do palhaço beckettiano.

A exposição conta também com esculturas de menores dimensões em que “o diálogo e interação entre corpo, obras e espaço está também presente”, como na série Cristal e nas caixas com cinzas de papéis sobre os quais figuraram notas e apontamentos pessoais do artista — O silêncio de… (1984/2022).

O “fio condutor, poético e conceptual” da exposição é traçado pelo desenho, “uma prática recorrente e compulsória que Chafes raramente traz para a esfera pública” e que nesta mostra “surge pela primeira vez ao lado das esculturas”.

No hall do Museu, uma sequência de mais de vinte esculturas pertencentes à série Balthazar recorda a paixão do artista pelo cinema, neste caso uma alusão a Au hasard Balthazar [Peregrinação Exemplar, 1966], continuando nos jardins de Serralves com um passeio pelo Parque e pela carreira do artista que apresenta esculturas de diferentes períodos e outras criadas especificamente para este contexto.

Entre aquelas, a peça Chegar sem partir, a escultura de seis metros que dá título à exposição e na qual Chafes “cria a ilusão de um movimento de rotação, um vórtice centrípeto que propõe conceitos aparentemente dicotómicos: peso e solidez, fluidez e leveza.”

Outra obra concebida para os jardins de Serralves, Tu e eu (2022), acompanhadas de Comer o coração, uma parceria entre Chafes e a coreógrafa e bailarina Vera Mantero no âmbito da 26.ª Bienal de São Paulo (2004), e Volúpia Prudente, indómita fome (2000) que, totalmente camuflada nos jardins, envolve o tronco de uma árvore como uma armadura ou carapaça.

A fechar, uma escultura subterrânea intitulada Travessia, um projeto especialmente pensado para o Passeio da Levada que amplia a área de visitação do Parque e que, evocando as ideias de peregrinação e renovação mística, leva a percorrer um trilho sinuoso, um túnel escuro, terminando numa câmara central iluminada por raios de luz natural até ali conduzidos por um óculo e que revelam uma escultura de formas orgânicas reminiscentes de um casulo em metamorfose.

A acompanhar a exposição, há uma catálogo que reúne textos dos curadores da exposição e que conta com o contributo de uma série de autores que têm acompanhado a obra de Rui Chafes, como Armin Zweite, Doris von Drathen, Maria Filomena Molder, Nuno Crespo e Ulrich Loock.

O livro inclui ainda um ensaio fotográfico inédito que nos mostra, através do olhar do designer Pedro Falcão, imagens do atelier e do processo de trabalho do artista. Rui Chafes nasceu em Lisboa, em 1966 e licenciou-se em Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa em 1989.


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