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Imagens do ‘Verão quente’ em cine-concerto no Curtas

Escrito por em 13/07/2022

O espetáculo “Porto 1975 Mobilização Geral”, que será apresentado na quinta-feira, na secção Stereo do festival internacional Curtas Vila do Conde, combina imagens de José Alves de Sousa do ‘Verão quente’ de 1975 com improvisação musical e ‘spoken word’.

A partir de filmagens do cineasta de Vila Nova de Gaia entre o chamado ‘Verão quente’ e os inícios da década de 1980, o espetáculo atravessa “as mobilizações populares em várias datas importantes para a consolidação do regime democrático atual, entre o 11 de março e o 25 de novembro de 1975”.

Aproveitando o arranque das celebrações dos 50 anos desde 25 de abril de 1974, junta ao primeiro aniversário do 25 de Abril e a outros momentos marcantes do chamado Processo Revolucionário em Curso (PREC) um retrato da praia de Vila Chã, em Vila do Conde.

Em palco estarão Rodrigo Amado (saxofone), Hernâni Faustino (contrabaixo), Carla Santana (eletrónica) e João Valinho (bateria), além do brasileiro Rodrigo Brandão, encarregado da ‘spoken word’.

Em entrevista à Lusa, Brandão explica que o trabalho que estará patente na quarta-feira, a partir das 23:45, assenta “no improviso livre” e por uma “ligação natural” entre o trabalho que faz e as imagens.

Apesar de sentir no país “um teor revolucionário que está no ar e ecoa até hoje”, nos “pequenos detalhes” e na valorização “do espírito de revolução”, considera que se vive “um momento inevitavelmente crítico”, com a ascensão da extrema direita.

“No momento atual, todas estas forças ali registadas [nas imagens de Alves de Sousa] estão em ação, estão em jogo, e parecem todas mais potencializadas, mais radicalizadas, e mais à flor da pele. A impressão, a ver os filmes, foi: ‘Uau, isto é o germinar do que a gente está vivendo agora’”, descreve.

Nos filmes, o que “mais fascinou [foi] a realidade encapsulada”, que é “menos uma coisa vinda de um lugar de ego, ou mesmo de rompante autoral”, mas antes a colocação da lente de Alves de Sousa como “uma testemunha ocular da História”.

“É um material que pouco conduz uma narrativa, mais uma panorâmica do que estava acontecendo”, acrescenta. Um trabalho entre material próprios e outras leituras, que se descobrirá no próprio dia sob o signo do improviso, num encontro com o ‘free jazz’ do quarteto envolvido e “músicos de topo mundial”, elogia Brandão.

Alves de Sousa fez parte da direção do Cineclube do Porto desde 1975 até ao início da década de 1980, período no qual foi registando a época e a participação política que se seguiu à revolução.

Os filmes do Porto, que para Rodrigo Brandão “remetem muito para o material feito durante a ditadura militar” brasileira, encontram-se, neste espetáculo de cerca de uma hora, com a praia de Vila Chã.

“Só tira a questão do frio”, e “ali é muito o Brasil”, afirma. “O contraste entre a maravilha da natureza e a miséria humana remete-me para o Brasil”, esclarece. Na secção do festival internacional dedicada a propostas que aliam a música ao cinema, a organização apresenta vários cine-concertos e ainda a já habitual competição de videoclipes, além de sessões fílmicas ao ar livre.

Na quinta-feira, Mané Fernandes, José Marrucho e DJ Lynce sobem ao palco do Auditório Municipal vila-condense para interpretar um filme-concerto que é uma versão adaptada de “I Don’t Know Karate But I Know Ka-razor!”, de Filipe Marques.

O título do trabalho remete para um verso de uma música de James Brown, o ‘Padrinho da Soul’, criada para a banda sonora de “Hell Up In Harlem”, filme ‘blaxploitation’ de 1973, do realizador Larry Cohen.

A criação de Filipe Marques é feita “em torno da problematização da impotência da condição humana”. O guitarrista Steve Gunn traz a Vila do Conde, no sábado, “um espetáculo imersivo” em que acompanha os quatro filmes em formato 16 mm do ciclo “Visions in Meditation”, do cineasta Stan Brakhage (1933-2003), um dos nomes mais influentes do cinema experimental norte-americano.

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