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“O Monstro Marinho” é a animação mais ambiciosa da Netflix

Escrito por em 06/07/2022

O filme “O Monstro Marinho”, a estrear-se na Netflix Portugal no próximo sábado, é a aposta de animação mais ambiciosa da gigante do ‘streaming’, disse o diretor de arte Matthias Lechner.

O novo filme conta com técnicas imersivas e realistas concebidas por Chris Williams, realizador de “Vaiana” e “Big Hero 6 – Os Novos Heróis”, que lhe deu o Óscar de melhor longa-metragem de animação.

“Chris queria que o filme fosse muito imersivo, que parecesse mais real que o normal”, disse Matthias Lechner, que falava do filme em Los Angeles, no âmbito de uma exibição privada desta produção. “O que me atraiu foi a ideia de fazer algo desconhecido”, disse o artista, conhecido pelo seu trabalho em filmes como “Encanto” e “Zootopia”.

“O Monstro Marinho” conta a história do caçador de monstros Jacob Holland, que é oficial de convés do capitão Crow num navio chamado Inevitável, e de Maisie Brumble, uma menina que foge de um orfanato e se esconde no navio. 

Juntos vão procurar caçar o gigantesco monstro marinho Red Bluster, que o capitão Crow persegue há décadas, numa guerra interminável entre humanos e criaturas do mar. Mas tudo é virado do avesso quando Maisie percebe que as noções pré-concebidas sobre os monstros marinhos podem estar erradas. 

“Há vários temas a acontecer no filme”, afirmou o produtor Jed Schlanger, no mesmo evento. “Um deles é o vazio da vingança. Uma das coisas que retive é como o ciclo de vingança é uma busca vazia e quanto mais se faz, mais vazio se fica”, referiu. “O outro é que uma família pode ser encontrada”. 

Quando a equipa começou a trabalhar no filme, pensaram na animação como um meio, não como um género. “Não queríamos que isto se parecesse com outros filmes de animação, queríamos que parecesse um filme a sério, cheio de emoções”, sublinhou Schlanger. 

“King Kong”, “Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida”, “Godzilla”, “Mad Max” e “Master e Commander – O Lado Longínquo do Mundo” foram os filmes que mais influenciaram o argumento e as inovações visuais introduzidas. 

“Este era um mundo de ‘pés no chão’, credível, e por isso quisemos afastar-nos do estilo dos desenhos animados”, referiu Joshua Beveridge, diretor de animação de personagens. “Parece que foi filmado na água”, indicou. “Foi quase como filmar ao vivo”. 

Algumas cenas parecem-se, por isso, mais com as dos filmes de ação com atores reais do que com as fantasias de animação a que a audiência está habituada, fazendo uso de ângulos inusitados e muitas sequências de ação.

Houve também “muita atenção dada ao navio”, frisou Jed Schlanger, com grande minúcia nos detalhes e nas tarefas da tripulação, que é bem mais diversa que o habitual. “O design é incrível”, disse o diretor de animação Zach Parrish. “As cordas não foram uma terrível tragédia para o departamento de animação, como costumam ser tradicionalmente”, gracejou. “Deram-nos umas quatro mil cordas para fazer”. 

O supervisor de efeitos visuais, R. Stirling Duguid, referiu que a equipa desenvolveu novas ferramentas técnicas para desenhar cerca de 800 cenas diferentes com água. “Tudo tinha uma versão seca e uma versão molhada”, disse. “O cabelo molhado foi o maior desafio”. 

O oscarizado Chris Williams, que não compareceu no evento por ter testado positivo à covid-19, ainda estava na Disney quando começou a pensar neste projeto. “Queria fazer algo diferente”, sublinhou Jed Schlanger. “Levou isto à Netflix e eles disseram que sim. Mudou a sua vida toda, depois de 25 anos a trabalhar na Disney”.

O desenvolvimento começou antes da pandemia mas muito do trabalho foi feito à distância por causa da covid-19, algo que acabou por ter bons resultados. “O trabalho de animação funciona bem de forma remota”, considerou Matthias Lechner. 

Com boas críticas antes da estreia global e exibição limitada em salas de cinema, “O Monstro Marinho” é a produção de animação mais ambiciosa da Netflix, depois dos bons resultados de “Os Mitchell Contra as Máquinas” em 2021 e “Klaus” em 2019.


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