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Sergio Paulo Rouanet morre aos 88 anos

Escrito por em 03/07/2022

O diplomata e intelectual brasileiro Sergio Paulo Rouanet, um dos maiores promotores da cultura brasileira, morreu hoje aos 88 anos, segundo a Academia Brasileira de Letras.

Rouanet foi ministro da Cultura entre 1991 e 1992 durante o Governo do então Presidente Fernando Collor de Mello e, apesar da brevidade do seu mandato, deixou como legado uma lei com o seu nome que até hoje oferece incentivos fiscais a empresas que financiam atividades culturais.

Esta legislação revolucionou a cultura brasileira e promoveu o apoio privado a todas as áreas do setor, impulsionando o cinema, teatro, música, pintura e dando maior visibilidade à arte, tanto no país como no estrangeiro.

“Rouanet foi um dos grandes intelectuais do país. Destacou-se na carreira pública como cônsul na Alemanha e, como Ministro da Cultura, por ter criado a lei de incentivo fiscal ou Lei Rouanet”, destacou, em comunicado, Academia Brasileira de Letras, acrescentando que na quinta-feira “fará uma Sessão da Saudade” em homenagem ao diplomata.

Apesar do reconhecido sucesso, a lei Rouanet tem sido fortemente criticada pelo atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que afirma que os grandes meios de comunicação social “apropriaram-se” deste mecanismo e decidem a que tipo de conteúdo cultural a sociedade tem acesso.

Em 2019, por iniciativa do Governo Bolsonaro, a legislação foi reformada, mudou o seu nome, ficou conhecida como Lei de Incentivo à Cultura, e reduziu significativamente os benefícios fiscais oferecidos às empresas.

Várias personalidades da política e da literatura brasileira já reagiram à morte do diplomata, entre os quais, a candidata presidencial Simone Tebet. “O Brasil perdeu Sérgio Paulo Rouanet. Diplomata, filósofo, antropólogo, ensaísta, professor universitário, ex-ministro da Cultura do Brasil e membro da ABL. Tantos feitos e adjetivos para descrever este grande defensor e entusiasta da cultura brasileira. Cultura é vida, é arte, é história”, escreveu Tebet, na sua conta oficial do Twitter.

Diplomata, filósofo e ensaísta, Rouanet ocupava o lugar número 13 na Academia Brasileira de Letras desde 1992 e há anos que sofria da doença de Parkinson, que tinha limitado a sua atividade.

O Instituto Rouanet, fundado em 2020 e que cuida do seu legado e da sua biblioteca de mais de 15.000 volumes, lançou uma nota na qual celebrava “uma vida dedicada à defesa da cultura, da liberdade de expressão, da razão e dos direitos humanos”.

Rouanet iniciou a sua carreira diplomática em 1957 e enquanto membro do Ministério dos Negócios Estrangeiros ocupava vários cargos em Brasília e nas delegações brasileiras nos Estados Unidos, Suíça e Alemanha, além de se ter tornado embaixador na Dinamarca e na República Checa.


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