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Exposição de Vieira da Silva cria experiência sensorial

Escrito por em 23/06/2022

Uma exposição que tem por objetivo dar uma experiência imersiva e sensorial da obra de Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), com música original de Rodrigo Leão, é inaugurada hoje no museu dedicado à artista, em Lisboa.

“Vieira da Silva Pintura em Movimento” é o título da nova mostra que alia a obra de arte com o som e a imagem em movimento, e é inaugurada hoje, às 18:00, numa sala do Museu Arpad-Szénes – Vieira da Silva, ficando patente ao público a partir de sexta-feira.

O músico e compositor Rodrigo Leão assina a banda sonora original, especialmente criada para esta animação da pintura de Maria Helena Vieira da Silva. Concebida pela Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, esta sala imersiva vai permitir, segundo esta entidade, a disponibilização de parte da obra da artista em formato digital, ao mesmo tempo que “permite dialogar com as obras originais expostas”.

O objetivo, segundo o museu, é “atrair um público mais vasto e alargado através da experiência contemporânea do efeito imersivo digital, que procura a complementaridade de uma experiência que apela a todos os sentidos”.

“A exposição imersiva na obra da artista não é uma exposição comum, é uma experiência sensorial, única e inovadora, que alia a obra de arte com a imagem em movimento e o som”, segundo o texto descritivo do museu.

Esta mostra “é uma imersão na arte de uma das maiores pintoras portuguesas e a primeira exposição deste género em Portugal dedicada à obra de um artista português”, acrescenta o texto de apresentação do museu.

A exposição foi financiada pelo programa ProMuseus do Ministério da Cultura e contou ainda com o Mecenato do BPI/ Fundação “La Caixa”. Criada ainda em vida de Maria Helena Vieira da Silva, uma das mais importantes pintoras portuguesas, e instituída por decreto-lei em 10 de maio de 1990, a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, que tutela o museu com o mesmo nome, tem como missão garantir a existência de um espaço, em Portugal, onde o público possa contactar permanentemente com a obra do casal de artistas.

Quando França sofreu a ocupação nazi, na Segunda Guerra Mundial, Vieira da Silva e Arpad Szenes, que viviam em Paris, tentaram regressar a Portugal, mas o presidente do Governo da ditadura, António de Oliveira Salazar, retirou a nacionalidade portuguesa à pintora e ao marido, cidadão húngaro de ascendência judia.

Vieira da Silva e Arpad partiram então para o Brasil, onde estiveram exilados entre 1940 e 1947, permanecendo apátridas até 1956, ano em que lhes foi concedida a nacionalidade francesa.

O Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva foi inaugurado a 03 de novembro de 1994, num edifício da Praça das Amoreiras, cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, e apresenta regularmente exposições com a obra do casal ou de artistas com os quais tiveram algum tipo de ligação de amizade.

A Fundação Calouste Gulbenkian custeou as obras de remodelação e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento apoiou o projeto na área da investigação. A coleção do museu cobre um vasto período da produção de pintura e desenho do casal: de 1911 a 1985, para Arpad Szenes (1897-1985), e de 1926 a 1986, para Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).

Também foi desejo de Vieira da Silva legar um espaço de investigação aberto ao público, cumprido com a criação do Centro de Documentação e Investigação que, além de desenvolver pesquisas internamente, tem acolhido investigadores portugueses e estrangeiros.

Na Rua João Penha, junto à praça das Amoreiras e ao museu, está também aberta ao público a antiga casa-atelier da pintora, com uma programação própria de exposições e conferências, acolhimento de atividades propostas pela comunidade e residências para artistas e investigadores.

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