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FEST arranca segunda-feira em Espinho com 220 filmes

Escrito por em 15/06/2022

A 18.ª edição do FEST – Festival Novos Realizadores, Novo Cinema arranca segunda-feira em Espinho e, até dia 26, apresentará na secção competitiva e em várias retrospetivas paralelas um total de 220 filmes inspirados pelo tema comum do amor.

Com mais de 700 participantes inscritos nas sessões de visionamento e no seu programa de formação para profissionais e estudantes do setor, o evento do distrito de Aveiro funcionará também como uma extensão do Festival de Cinema de Odessa, do qual o FEST é parceiro e que este ano foi suspenso devido à guerra na Ucrânia.

“Decidimos que este era o momento certo para fazermos uma edição dedicada ao tema ‘amor’. Vivemos tempos muito conturbados, primeiro com a covid-19 e depois com a guerra, e queríamos falar de amor, não apenas no sentido romântico, mas em sentido lado, em todas as suas dimensões”, declarou à Lusa o diretor do FEST, Filipe Pereira.

O cartaz do festival é a primeira expressão desse espírito, ao resultar de um trabalho de reinterpretação de “O Nascimento de Vénus”, de Botticelli, pelo britânico Temple Clark, apontado como “o principal artista de ‘storyboards’ da atualidade, a nível mundial”, pelos conceitos visuais que desenvolveu para filmes como “O jogo da imitação” (2014) e “Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban” (2004).

Quanto ao programa em si, Filipe Pereira começou por destacar os dois filmes extra-competição que marcam a abertura e encerramento do certame: “Lullaby”, que, realizado por Alauda Ruiz De Azúa, já foi descrito “por Pedro Almodóvar como a melhor primeira obra espanhola das últimas décadas”, e “Sundown”, que, também com realização espanhola, por Michel Franco, exibe “’performances’ fantásticas de Tim Roth e Charlotte Gainsbourg”.

Longas-metragens em disputa serão 10, entre as quais “Utama”, a coprodução boliviana, uruguaia e francesa com que Alejandro Loayza Grisi foi o grande vencedor do último Festival de Sundance e que Filipe Pereira considera “imperdível” pela forma como “relaciona a ecologia com o velho conflito entre os meios rurais e urbanos”.

Já para as curtas-metragens estão reservadas 10 secções distribuídas pelas categorias de Ficção, Documentário, Animação e Cinema Experimental Não-Narrativo, com 50 de “alguns dos trabalhos mais impressionantes do último ano” e até “uma certa controvérsia”.

No que se refere ao cinema português, Filipe Pereira afirmou que a seleção do FEST para 2022 demonstra que “esta nova geração de realizadores é muito dinâmica, não só em termos quantitativos, mas também de qualidade”, e, entre os 18 filmes a concorrer ao Grande Prémio Nacional, realçou “o regresso de Guilherme Daniel, que em 2020 ganhou o FEST com ‘Erva daninha’ e agora volta com ‘Os abismos da alma’”.

Ainda no contexto competitivo, o festival propõe a secção Nexxt, que apresenta 30 obras com “o que de melhor se faz pelas melhores escolas de cinema do mundo”, e a FESTinha, com sessões específicas para o púbico infantojuvenil votar nos seus filmes preferidos “e desenvolver sentido crítico”.

O programa paralelo à competição, por sua vez, já tem a decorrer na Praia da Baía várias atividades para o público em geral, como cinema ao ar livre e oficinas de caracterização e edição de som, mas envolve sobretudo retrospetivas em sala, como a rubrica “Be kind rewind”, com a já referida amostra de 10 títulos do mais recente cinema ucraniano.

As outras panorâmicas são duas: a “Flavours of the world” (“sabores do mundo”, na tradução do inglês), este ano dedicada ao cinema tunisino, que Filipe Pereira reconhece como “algo desconhecido”, mas descreve como “muito interessante e até pioneiro na ‘Primavera Árabe’ enquanto motor de ideias progressistas”; e “Echoes” (“ecos”), que explora o trabalho mais recente de cineastas que disputaram anteriores edições do FEST.

Justificando “hotéis esgotados em Espinho”, há ainda o programa de formação FEST Pro, este ano “com mais participantes portugueses do que habitualmente, porque, em alguns países, o preço dos voos ficou incomportável e as restrições de viagem tornaram tudo mais complicado para os estrangeiros”.

Na base da procura pelas ‘masterclasses’ pagas do festival está uma lista de profissionais de renome mundial, entre os quais o ator Gael García Bernal, que protagonizou “Amor Cão” (2000), “E a tua mãe também” (2001) e “Os diários de Che Guevara” (2004).

Filipe Pereira considera-o “um ícone do cinema latino-americano” e revela que a sua aula em Espinho será sobre os passos que um ator deve dar para que a sua carreira possa evoluir também para a produção e realização.

Outros formadores confirmados são o realizador argentino Gaspar Noé, que dirigiu Monica Bellucci em “Irreversível” (2002), e o supervisor de som norte-americano Will Files, que trabalhou para a série “Stranger Things” e “fez um trabalho do outro mundo no último ‘The Batman’”.

Este ano, aliás, o FEST Pro dedica dois dias a matérias relacionadas com sonografia, numa oferta assegurada em parceria com a empresa de ‘software’ Sound Particles, a Academia de Música de Espinho e o Festival Internacional de Música e Cinema de Marselha.

Entre vários peritos consagrados, o evento receberá assim dois vencedores de um Óscar: o americano Mark Ulano, premiado pelo seu trabalho de som em “Titanic” (1997), e a britânica Nina Hartstone, distinguida pela edição de “Bohemian Rhapsody” (2018).

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