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Batalha abre ao público na primeira semana de dezembro

Escrito por em 14/06/2022

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, adiantou hoje que o Cinema Batalha, equipamento cultural que começou a ser reabilitado em novembro de 2019, abrirá ao público na “primeira semana de dezembro”.

“Podemos abrir o Cinema Batalha ao público na primeira semana de dezembro. É o que nos parece razoável”, afirmou o autarca independente, depois de, na reunião do executivo, ter sido questionado pela vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, sobre o estado da obra. 

Em resposta à vereadora, o autarca destacou que a reabilitação daquele equipamento cultural se confrontou com “dois constrangimentos”, nomeadamente ao nível da cobertura e da caixilharia, cujos materiais, devido à guerra na Ucrânia e pós-pandemia, “não estavam disponíveis”. 

Na semana passada, a Câmara do Porto adiantou que o equipamento cultural, cujos frescos de Júlio Pomar foram recuperados, abriria portas “no último trimestre de 2022”, ainda que a empreitada fique concluída no final de julho. 

À empreitada seguir-se-ão “ensaios e vistorias necessárias”, estando previsto, no final de agosto, “proceder à receção provisória da empreitada”, e a partir daí “equipar o edifício” e prepará-lo para abrir portas “no último trimestre de 2022”.

“O decurso dos trabalhos conheceu algumas vicissitudes, já que o edifício apresentava uma maior degradação do que era esperada, fruto da sua não utilização, para além de algumas alterações ao projeto solicitadas pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC)”, observou a autarquia numa publicação na sua página oficial da Internet, destacando também as “imprevisibilidades” relacionadas com o reforço de alguns elementos estruturais.

Em fevereiro, mês em que se previa a abertura daquele equipamento cultural ao público, a Câmara do Porto revelou que a mesma seria adiada para setembro devido a atrasos na obra de requalificação e falta de materiais, como vidro, alumínio, ferro e cobre.

Na publicação, a autarquia destacou também que a empreitada permitiu “pôr a descoberto” os frescos de Júlio Pomar, gravados em 1940 e, entretanto, “escondidos pela polícia política” do Estado Novo.

“Trata-se da redescoberta e devolução ao público de uma obra de arte de referência, a nível nacional, e de indiscutível interesse e valor patrimonial”, acrescenta. De acordo com a Câmara, foi identificada a técnica para a remoção das várias camadas de tinta que cobriam os frescos (entre seis e oito) e para o destacamento das argamassas “através de um processo químico”.

Neste momento, estão a ser desenvolvidas “sondagens, por forma a verificar a existência, dimensão e estado da obra”, revela, acrescentando que, posteriormente, será definida a metodologia a aplicar no restauro, que se estima que demore cerca de cinco meses, ou seja, até outubro.

A descoberta dos frescos de Júlio Pomar foi já comunicada à Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), acrescentou o município. O Tribunal de Contas (TdC) emitiu em outubro de 2019 o parecer positivo para a empreitada de reabilitação do Cinema Batalha, orçada em 3,95 milhões de euros, anunciou então a Câmara do Porto.

A empreitada, que teve início em 18 de novembro de 2019, foi adjudicada em junho à Teixeira, Pinto & Soares, S.A.. Para além de duas salas de projeção – a Sala Grande com 341 lugares e a Sala Estúdio com 126 lugares -, o Batalha terá um espaço de galeria dedicado às artes visuais, uma biblioteca especializada em cinema e ainda uma mediateca dedicada ao património fílmico da cidade do Porto. 

O projeto, que está a cargo do arquiteto Alexandre Alves Costa e do Atelier 15 Arquitetura, contempla um bar, resultante da recuperação do antigo salão de chá e café e que estará equipado para exibições e performances.

Propriedade da empresa Neves & Pascaud, o imóvel foi sala de cinema entre 1947 e até 2000, ano em que foi encerrado. Manteve-se fechado até 2006, reabrindo como espaço cultural pelas mãos da Associação de Comerciantes do Porto (ACP). No fim de dezembro de 2010, a ACP acabaria por entregar as chaves do edifício devido a “prejuízos mensais avultados”.


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