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Artistas desafiam a viagem pela história na bienal de Cerveira

Escrito por em 14/06/2022

Os artistas Ana Mesquita, João Gil e Mia Couto vão conduzir o público da Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira a viajar pela história através da videoarte, da música e da poesia.

Em causa, como explicou a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) em comunicado hoje enviado às redações, está a instalação artística “Viagem pelo Esquecimento”, que conta com colaborações de Maria Bethânia, Manuela Azevedo, Carlão, Diogo Infante, entre outras personalidades.

A obra “Viagem Pelo Esquecimento” junta “três diferentes formas de arte – videoarte de Ana Mesquita, o músico e compositor João Gil e a poesia do escritor moçambicano Mia Couto – e percorre os passos daquela que foi a pegada humana”.

O “filme tríptico, dividido em 12 temas, convida o público a viajar pelas mais delicadas facetas da história, num constante apelo à memória do que fomos enquanto Humanidade, em relação às mulheres, aos escravos, aos antepassados, aos migrantes, ao planeta, às cidades, à vida e ao amor”, explicou a organização.

O projeto “conta com banda sonora de João Gil e arranjos de Luís Figueiredo, 12 poemas inéditos de Mia Couto”. Os poemas serão ditos pelos músicos Maria Bethânia, Manuela Azevedo, Carlão e João Gil, os atores Diogo Infante e Natália Luiza e pelo radialista Fernando Alves, a quem se juntam Ana Mesquita e João Gil –, e a videoarte de fotógrafos e cineastas como Ana Mesquita, Isabel Nolasco, Maria João Rodrigues, Mariana Teixeira, António Proença de Carvalho, Henrique Blanc, Pedro Senna Nunes, Sebastião Albuquerque e Vasco Pinhol.

“É uma grande honra contar no programa expositivo com uma instalação da autoria de três grandes nomes da cultura contemporânea portuguesa, com uma obra que tão bem reflete o tema desta edição”, sublinhou a diretora artística do evento, Helena Mendes Pereira, citada na nota.

Já a artista Ana Mesquita, também citada no documento, referiu que “o resultado dos 12 vídeos é um trabalho documental que se traduz num registo artístico”. “Algo entre o documentário e a ficção. Todos os vídeos apelam à consciência de quem fomos e convidam a uma postura ecológica, representando a História do Homem de um modo poético e apaixonado e navegando depois nessa espécie de amnésia em que a mente mergulha face ao estímulo multissensorial da instalação”, descreveu Ana Mesquita.

Com uma duração de cerca de 70 minutos, “a obra é projetada em três ecrãs que competem entre si pela atenção do público, numa relação intensificada por múltiplos estímulos, obrigando-o a decidir-se, instantaneamente, por que caminho seguir”.

Para Ana Mesquita, a obra reflete “a ambiguidade das escolhas, e das emoções que elas criam que o espectador se deixa capturar por todo o movimento em redor”. “E o ideal é que, efetivamente, se deixe levar, embalado por cada acorde, cada nova voz, cada imagem do poema e cada frame do vídeo”, observou.

A 22.ª Bienal de Arte de Cerveira, que decorrerá entre 16 de julho a 31 de dezembro, vai mostrar 96 obras de 77 artistas, naturais de 18 países. Aquelas obras foram selecionadas pelo júri do concurso internacional entre “um número recorde de 1.164 obras” que se apresentaram a concurso, “num total de 741 candidaturas de artistas, oriundos de 50 países”.

As 96 obras que vão ser apresentadas ao público, da autoria de 77 artistas “maioritariamente provenientes de países como Portugal, Brasil, Espanha, Itália, Alemanha e França” refletem, segundo a diretora artística da bienal, Helena Mendes Pereira, “o reconhecimento e importância do evento no panorama nacional e internacional da arte contemporânea”.

A 22.ª edição da bienal de arte “propõe-se refletir sobre questões globais fraturantes, como a sustentabilidade, as alterações climáticas, a equidade entre géneros e etnias ou a urgência da paz”.

No ano em que a bienal comemora 44 anos, tem como tema “We must take action!/Devemos agir!” num apelo à reflexão sobre as emergências globais. O evento vai ainda homenagear Helena Almeida (1934-2018), 38 anos depois da participação da artista plástica na quarta edição da bienal, em 1984, na qual foi premiada pela obra “Saída Negra”.

A XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira irá manter o seu formato híbrido, conjugando exposições e eventos de fruição presencial, com atividades no meio digital, como as entrevistas com artistas, visitas guiadas, ‘performances’ e intervenções artísticas, entre outras ações.


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