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Guitarras de Carlos Paredes voltam a ser ouvidas a 10 de junho

Escrito por em 08/06/2022

Duas guitarras que pertenceram ao músico Carlos Paredes (1925-2004) voltam a tocar na próxima sexta-feira, dia 10 de junho, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, num concerto com direção artística de Ivan Dias.

“Legado de Carlos Paredes” é o título do concerto que se realiza no claustro do Mosteiro, pelos músicos António José Moreira e Ricardo Dias, que vão tocar as duas guitarras portuguesas da escola de Coimbra deixadas em testamento ao mosteiro pelo compositor da “Canção Verdes Anos”.

As duas guitarras, que pertenceram a Carlos Paredes e a seu pai, Artur Paredes (1899-1980), foram construídas por João Pedro Grácio Júnior, em 1966. O concerto, às 21:30, apresenta, na primeira parte, peças do repertório de Artur Paredes, designadamente, Variações em Sol Maior, sobre o seu próprio “Fado das Raparigas”, e Rapsódia de Canções n.º 2, com o seu arranjo.

A segunda parte é preenchida por peças do repertório de Carlos Paredes, entre as quais “Canção Verdes Anos”, peça essencial da banda sonora do filme “Verdes Anos”, de Paulo Rocha, “António Marinheiro”, tema da peça homónima de Bernardo Santareno, de sua autoria, “Sede e Morte”, também de sua autoria, e “Maio de 78”, de Jorge Gomes.

O cineasta Ivan Dias, realizador do documentário “Artur entre Paredes” (2021), que assume a direção artística deste concerto, afirma que, “na família Paredes, Manuel Paredes e Gonçalo Paredes, em finais do século XIX e princípios do século XX, eram já considerados exímios tocadores e compositores de guitarra. Mas é com Artur Paredes, nos anos 1920, que se dá uma revolução a todos os níveis”, lê-se no texto de apresentação do concerto.

Ivan Dias destaca, neste âmbito, os níveis “técnico, melódico, harmónico, de construção e interpretação”, que marcam essa “revolução”, “impulsionada não só pela sua genialidade, como também pelos ideais do grupo ‘Presença’ e pela companhia intelectual e pessoal de Edmundo Bettencourt. Carlos, como sempre afirmou, caminhou aos ombros de gigantes, mas sobretudo aos ombros do enorme vulto que foi o seu pai, Artur Paredes”.

“As inovações e revoluções que pai e filho produziram são, ainda hoje, a base do que conhecemos não só por ‘Guitarra de Coimbra’ e ‘Guitarra Portuguesa’, mas também, num âmbito universal, enquanto som da portugalidade. A contribuição de Lévy Batista, também ele músico e estudante de Coimbra dos anos 1950, e advogado de Carlos Paredes, ficou plasmada no testamento, ao qual tivemos acesso, de que as guitarras, umas dele e outras que o pai lhe tinha deixado, fossem para lugares de eleição e que fossem tocadas e se tornassem peças vivas e não meros objetos museológicos”, prossegue o cineasta.

Ivan Dias realça “a técnica dos dois [músicos que] emerge da invenção e descoberta de Artur Paredes, que fez escola, nomeadamente através do contributo inexcedível de Jorge Gomes, e se perpetuou como a forma superior de abordar a sonoridade da guitarra e, por conseguinte, a sonoridade de Portugal”.

“Há quem diga que Artur Paredes soa a Portugal e que Carlos Paredes soa a mundo”, sublinha Ivan Dias que acrescenta: “Assim, no âmbito da apresentação das guitarras doadas por Carlos Paredes ao Mosteiro dos Jerónimos, após a sua oportuna recuperação e o seu restauro, pareceu-me feliz convidar dois dos maiores intérpretes da guitarra de Coimbra e da guitarra portuguesa – António José Moreira e Ricardo Dias. Ambos têm nos dedos a escola de Artur Paredes e de Carlos Paredes, tendo começado nos anos 1970 e constituindo dois esteios na continuidade da sua técnica e da sua estética. Do mesmo modo, tendo em conta os seus vastos e profundos conhecimentos, a sua experiência e a sua dedicação”.

No âmbito deste concerto, no próximo dia 23, às 15:00, o historiador António Manuel Nunes proferirá, também no claustro, uma conferência sobre a obra de Artur e Carlos Paredes.

Na documentação relativa ao concerto, António Manuel Nunes salienta “a competência organológica do conservador-restaurador Orlando Trindade”, no restauro dos dois cordofones, e “as notáveis capacidades performativas de António José Moreira e de Ricardo Dias”, que permitirão “redescobrir a voz destas guitarras e a paisagem sonora inconfundível que lhes deu corpo”. Segundo a direção do Mosteiro dos Jerónimos, este será o primeiro concerto do que se projeta realizar anualmente, com as guitarras legadas por Carlos Paredes.


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