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William Christie e Dave Holland entre 14 concertos do FIME

Escrito por em 28/05/2022

O Festival Internacional de Música de Espinho (FIME) vai começar a 13 de junho, levando a diferentes espaços dessa cidade e a uma igreja do Porto 14 concertos por artistas como William Christie, Dave Holland e Estrella Morente.

Organizada pela Academia de Música de Espinho, a 48.ª edição desse certame do distrito de Aveiro decorre até 30 de julho e continua a apostar em diferentes géneros da música erudita, propondo, a preços entre os zero e os 10 euros, vários espetáculos de clássica, jazz e “world music” por solistas e coletivos que Alexandre Santos, coordenador da equipa de programação do evento, descreve como “alguns dos mais destacados intérpretes e projetos criativos da atualidade”.

O programa da edição de 2022 pretende ser, por um lado, “criterioso e intenso” e, por outro, “eclético e transversal”, pelo que a um cenário tradicional como o Auditório de Espinho o festival acrescenta este ano palcos novos: um deles é a Praça Progresso, na alameda por cima do túnel ferroviário da cidade-mãe do evento, e outro a Igreja dos Camelitas Descalços, no Porto, onde o cravista francês Jean Rondeau vai interpretar a ária com 30 variações que Bach terá escrito para que o músico Johann Gottlieb Goldberg tivesse como “acompanhar as insónias do Conde Keyserling”.

O primeiro dos concertos do FIME é, contudo, o que junta a Orquestra Clássica de Espinho e o Belmondo Quintet, que, sob a direção de Diogo Costa, vão evocar o período posterior à I Grande Guerra, quando as sonoridades das Américas invadiram a Europa e inspiraram obras modernistas como o “Bolero” de Ravel.

Segue-se o espetáculo da Real Filharmonía de Galicia, em que a maestrina Joana Carneiro conduzirá a violinista russa Alena Baeva em obras de Beethoven e de Prokofiev – compositor que, como observa Alexandre Santos, nasceu na Ucrânia nos tempos do Imperialismo russo e escreveu essa obra “entre França, a Rússia e o Azerbaijão”.

Depois disso, há o concerto do Grupo de Percussão da Escola Profissional de Música de Espinho, num registo dirigido ao público infantojuvenil, com obras de Séjourné, Živković, Kagel, Trevino, Globokar e LaBozzetta, e também o espetáculo “Digital Africa”, em que o alaudista tunisino Dhafer Youssef explorará universos africanos com a kora do maliano Ballaké Sissoko e a guitarra do norueguês Eivind Aarset.

Esse último músico também vai atuar no concerto do Gurdjieff Ensemble, cuja designação evoca o místico e instrumentista George Gurdjieff (1866-1949), e cujo repertório explora música tradicional da Arménia e do Médio Oriente. “Melodias ondulantes e timbres característicos de um complexo geográfico que liga a Europa e a Ásia, num concerto surpreendente, com uma atmosfera de liberdade e exploração descomprometida, em que ideias de ancestralidade e tradição são contrapostas e materializadas no espaço digital”, adianta Alexandre Santos.

O FIME de 2022 apresenta depois: a Orquestra de Jazz de Espinho com o pianista e compositor norte-americano Vijay Iyer, especialista em música criada por asiáticos a viver nos Estados Unidos; a pianista alemã Alice Sara Ott, que em 2021 lançou, pela editora Deutsche Grammophon, o álbum “Echoes of Life”, com obras de Chopin e autores contemporâneos; e o Crosscurrents Trio, em que o norte-americano “Chris Potter, um dos mais destacados saxofonistas da atualidade, se junta ao indiano Zakir Hussain, mestre das tablas, e ao baixista britânico Dave Holland, nome histórico do jazz”.

Do cartaz do festival também consta a Orquestra da Academia Barroca de Ambronay, com violoncelo e direção musical da francesa Ophélie Gaillard, cujo programa abrange “das sinfonias de Mozart e Haydn até ao virtuosismo de Boccherini”, e ainda a dupla francesa constituída pelo cravo de William Christie e o violino de Théotime Langlois de Swarte, focados na “fantasia e expressividade do Barroco”.

Embora também seja por esse período histórico que o contratenor alemão Andreas Scholl e o alaudista bósnio Edin Karamazov se tornaram referências, a Espinho trarão uma proposta que Alexandre Santos realça como “diferente: obras essenciais do repertório isabelino para alaúde e voz, e trabalhos do compositor cubano Leo Brouwer, em versões tradicionais ou de matriz contemporânea”.

Como últimos concertos, o FIME propõe o Duo Jost Costa, cuja atuação em dois pianos constituirá “uma viagem subaquática pela música de Debussy e pela videoarte de Katharina Wibmer, num espetáculo descontraído para toda a família”, e, finalmente, a Orquestra Clássica de Espinho, que, dirigida por Sérgio Alapont, terá como solista a cantora espanhola Estrella Morente. “Grande intérprete de flamenco, ela apresentará obras emblemáticas do Modernismo espanhol, que oscilam entre o exótico e o autêntico. Das coloridas orquestrações de Manuel de Falla até às recolhas do seu amigo e poeta Federico García Lorca, o espírito andaluz visitará Estrella Morente e encarnará na sua voz”, antecipa Alexandre Santos. A bilheteira do 48.º FIME abre hoje às 14:00. Os concertos de entrada livre podem estar sujeitos ao levantamento prévio do respetivo bilhete.


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