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Booker Internacional atribuído a romance de Geetanjali Shree

Escrito por em 28/05/2022

O romance “Tomb of Sand”, da indiana Geetanjali Shree, traduzido diretamente do hindi para inglês por Daisy Rockwell, é o vencedor do Prémio Booker Internacional 2022, anunciou hoje, em Londres, o presidente do júri, o tradutor Frank Wynne.

“Tomb of Sand”, o primeiro livro de Geetanjali Shree publicado no Reino Unido, é também o primeiro romance escrito numa das línguas mais faladas na Índia a ser distinguido pelo prémio britânico.

Para trás ficaram os outros cinco finalistas: “The Books of Jacob”, da Nobel da Literatura Olga Tokarczuk (com tradução de Jennifer Croft), também anterior vencedora do Booker International, “A New Name: Septology VI-VII”, do norueguês Jon Fosse (Damion Searls), “Cursed Bunny”, da coreana Bora Chung (Anton Hur), “Heaven”, da japonesa Mieko Kawakami (Sam Bett, David Boyd), e “Elena Knows”, da argentina Claudia Piñeiro (Frances Riddle).

Geetanjali Shree nasceu na cidade indiana de Mainpuri, em 1957, e estreou-se na escrita em 1987, com a publicação de um primeiro conto numa revista literária indiana, a que se seguiu um primeiro livro de contos, em 1991.

A escritora soma atualmente cinco romances e diversos livros de contos e novelas, tendo recebido diversos prémios no seu país, incluindo o Crossword Book. A tradutora distinguida, Daisy Rockwell, é também escritora, tradutora, artista plástica, e vive em Vermont, nos Estados Unidos.

Rockwell, que nasceu no estado do Massachusetts em 1969, soma a tradução para inglês de várias obras clássicas da literatura hindi e urdu, tendo sido distinguida com diversos prémios pela sua tradução de “A Gujarat Here”, de Krishna Sobti.

“Tomb of Sand” decorre no norte da Índia e segue o percurso de superação de uma mulher de 80 anos que entra em depressão profunda, após a morte do marido. A ‘shortlist’ do prémio deste ano foi dominada por mulheres, revelando-se “excecionalmente forte”, segundo o júri.

“Foi lentamente e depois de uma longa e apaixonada discussão, que conseguimos ir excluindo as obras [selecionadas] uma a uma. Por fim, fomos cativados pelo poder e lucidez de ‘Tomb of Sand’”, um romance “particularmente luminoso”, disse o presidente do júri, no anúncio do vencedor.

A ‘shortlist’ deste ano foi também e novamente dominada por editoras independentes, entre as quais estiveram pela primeira vez a Honford Star e a Tilted Axis, que publicou o livro premiado – uma editora fundada pela tradutora Deborah Smith, distinguida em 2016 com o Booker Internacional, com o romance “The Vegetarian”, da coreana Han Kang.

O júri desta edição, presidido pelo tradutor Frank Wynne, contou ainda com a autora e académica Merve Emre, a escritora e advogada Petina Gappah, a escritora e humorista Viv Groskop, assim como o tradutor e escritor Jeremy Tiang.

A seleção inicial foi feita a partir de 135 obras, um número recorde de candidaturas. O prémio Booker Internacional atribui um montante global de 50 mil libras (59.570 euros) à obra vencedora, repartidas igualmente entre autor e tradutor.

Nenhum dos livros finalistas está publicado em Portugal, mas Jon Fosse, Claudia Piñeiro e Olga Tokarczuk têm várias outras obras traduzidas para o mercado português. O prémio visa distinguir livros traduzidos para o inglês e publicados no Reino Unido ou na Irlanda. O anterior vencedor foi “À Noite Todo o Sangue é Negro”, pelo francês David Diop e traduzido por Anna Moschovakis.


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