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Carlos Vaz Marques cria editora para publicar não-ficção atual

Escrito por em 24/05/2022

O jornalista Carlos Vaz Marques criou uma editora para publicar obras de não-ficção centradas nos “grandes temas atuais e na História recente”, que arranca no dia 9 de junho com a publicação de dois ensaios sobre Vladimir Putin.

A editora Zigurate “acaba de nascer”, foi criada na altura em que Carlos Vaz Marques começou “a magicá-la” e quando comprou os primeiros direitos de autor, no início deste ano, contou o jornalista e editor à jornalista Ana Leiria, da Lusa.

“Oficialmente, o ‘momento 0 (zero)’ será no dia 9 de junho, quando os dois primeiros títulos de Livros Zigurate estiverem nas livrarias de todo o país”, afirmou, salvaguardando que as duas obras já estão disponíveis, em pré-venda, no site da editora, em www.zigurate.pt.

Trata-se de dois ensaios “que não podiam ser mais atuais” e que, “em certo sentido, funcionam como cara e coroa e que ganham muito sendo lidos em conjunto”. Em “Quanto Menos Soubermos, Melhor Dormimos”, o historiador e jornalista norte-americano David Satter explica, de forma detalhada, como Vladimir Putin chegou ao Kremlin em circunstâncias anómalas e como foi reforçando o seu poder ao longo das últimas duas décadas, mandando prender, envenenar e balear quem lhe fez frente.

Com o mundo sob a ameaça da III Guerra Mundial, é preciso perceber o que vai “Na Cabeça de Putin”, título do outro ensaio inaugural de Livros Zigurate, em cujo autor, Michel Eltchaninoff, um especialista francês na história do pensamento russo, faz um levantamento muito esclarecedor do contexto filosófico por detrás das ambições imperialistas de Putin, um presidente inebriado pela memória do poderio soviético e pela aura mítica do império dos czares.

Estas obras inserem-se no perfil da editora, “vocacionada para a não-ficção, com um interesse muito vincado nos grandes temas atuais e na História recente”, porque a atualidade “não se esgota na notícia do dia e para entender a abertura dos telejornais e os grandes títulos da imprensa é essencial, em muitos assuntos, um olhar mais aprofundado que só nos livros podemos encontrar”, explicou Carlos Vaz Marques.

O editor afirma que a publicação deste tipo de livros não tem “qualquer intenção doutrinária”, movendo-o apenas “o intuito de trazer para Portugal algum bom ensaio contemporâneo que, apesar do excelente trabalho que já é feito por vários editores, não chega à língua portuguesa”.

“O meu objetivo seria o de conseguir, com a edição de livros, fazer uma pequena fortuna. Infelizmente, faltam-me as condições necessárias para isso. É sabido que para se conseguir uma pequena fortuna numa editora é preciso começar com uma grande fortuna. Não a tendo, reuni umas pequenas economias e se houver leitores que viabilizem a continuação da aventura, comprando os livros, ela prosseguirá”, contou.

O projeto, porém, já vem muito de trás, nascido do “vício” que tem dos livros desde que se conhece e da experiência que acumula de publicar, traduzir, rever, editar e sugerir livros, tanto em público como em privado, nomeadamente na editora Tinta-da-China, com a qual trabalha há vários anos, a dirigir uma coleção de literatura de viagens.

“Mas aí o risco é todo da Bárbara Bulhosa, a editora da Tinta-da-China” – reconhece -, porque “se os livros não se venderem, quem fica ‘a arder’ é ela”. Com o tempo, foi percebendo que “um certo pudor” o impedia de propor a edição portuguesa de determinados livros, pelo risco comercial que eles poderiam representar”.

“Lentamente, foi crescendo em mim o desejo de ser eu a enfrentar o perigo do ‘fiasco’ comercial, algo que qualquer editor independente tem sempre no horizonte. Vendo-me assim à beira desse abismo, decidi (como disse um dia um político brasileiro, numa ‘gaffe’ célebre) dar um passo em frente”.

O nome da editora inspira-se nos primeiros edifícios de estrutura sólida da Mesopotâmia, o berço da civilização humana, conhecidos como zigurates e criados pelos sumérios, que desenvolveram também a escrita cuneiforme, o mais antigo tipo de escrita conhecido, lê-se no ‘site’ da editora.

O mais famoso zigurate, construído na Babilónia, inspirou a história bíblica da Torre de Babel, o mito fundador que explica porque se falam tantas línguas diferentes do mundo, pelo que se pode considerar que cada novo exemplar de um livro é um zigurate: “torre de comunicação na babel de palavras e ideias que fazem a diversidade do mundo em que vivemos”, acrescenta a página da editora, que se apresenta como “Livros Zigurate, para descodificar a complexidade do mundo”.


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