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Maio com biografia de Pessoa e romance que revelou Nobel

Escrito por em 09/05/2022

O romance que consagrou o Nobel da Literatura Abdulrazak Gurnah internacionalmente, a “Eneida” em edição bilingue, a biografia de Fernando Pessoa por Richard Zenith, em português, e um novo romance de Michel Houellebecq são algumas das novidades de maio.

“Paraíso”, de Abdulrazak Gurnah, é o segundo livro do Prémio Nobel da Literatura de 2021 publicado em Portugal pela Cavalo de Ferro, que editou em fevereiro “Vidas seguintes”.

Aliando romance de formação, ficção histórica e literatura de viagens num mosaico de mitos, sonhos, tradições bíblicas e corânicas, Gurnah descreve as feridas vivas de um continente ainda virgem em vias de ser colonizado.

Este livro, publicado originalmente em 1994 e inédito em Portugal, foi finalista do Booker Prize e do Whitbread Award. Pela mesma editora chega este mês às livrarias o romance “Os suicidas”, que encerra a “Trilogia da Espera” de Antonio Di Benedetto, de quem já foi publicado “Zama” e “O Silencieiro”, e que prolonga um “solilóquio narrativo que se propõe representar o mundo e a impossibilidade de nele viver”, constituindo “um dos apogeus da literatura do século XX”.

Outra novidade deste mês é a publicação de “Eneida”, a grande epopeia latina narrada em verso por Virgílio, numa edição da Quetzal que integra o original latino e a tradução para português por Carlos Ascenso André, que faz também as anotações.

É igualmente da Quetzal a versão portuguesa de “Pessoa – Uma biografia”, de Richard Zenith, autor que há vários anos se dedica ao estudo de Fernando Pessoa – tendo-lhe valido o Prémio Pessoa, em 2012 -, cujo original foi escrito em inglês e publicado em julho do ano passado, e que é considerada uma das mais completas obras sobre a vida do poeta.

A Bertrand Editora lança “Quando a Noite Cai”, romance de estreia de Laurent Petitmangin, que venceu, entre outros, o Prémio Femina dos Estudantes, e que se debruça, através da história de um pai e os seus dois filhos, sobre o tema da ascensão da extrema-direita e a implantação da sua semente em meios, sociais ou íntimos, onde tal não seria expectável.

A Alfaguara lança este mês outro livro de Michel Houellebecq, “Aniquilação”, romance que projeta diante do leitor um futuro próximo, à luz melancólica do declínio do Ocidente, um dos temas favoritos do escritor francês.

Este novo romance entretece dois fios distintos – o público e o privado –, mostrando-se simultaneamente como ‘thriller’ político e reflexão metafísica, e afastando-se do niilismo de que tantas vezes acusam o autor.

Chegam também às livrarias dois novos livros da coleção Penguin Clássicos: “Otelo”, de William Shakespeare, com tradução de Daniel Jonas, e “A falência”, de Júlia Lopes de Almeida, um clássico brasileiro que é agora dado a conhecer aos leitores portugueses.

Também de autoria brasileira, mesmo a começar junho, chega o primeiro romance de Giovana Madalosso, “Tudo Pode Ser Roubado”, editado pela Tinta-da-China, que no ano passado publicou “Suíte Tóquio” da mesma autora.

Antes disso, publica “Revolução Portuguesa, 1974-1975”, de Fernando Rosas, e “O Neoliberalismo não É Um Slogan”, do economista João Rodrigues. A Dom Quixote traz um novo romance de Fernando Aramburu, autor de “Pátria”, intitulado “O regresso dos andorinhões” e no qual faz o retrato do homem contemporâneo através da história de um professor de filosofia zangado com o mundo, que decide pôr fim à vida.

Da mesma editora, chega uma obra da literatura lusófona que foi finalista do Prémio Leya: “A Última Lua de Homem Grande”, do escritor, poeta, cantautor, pintor e político cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa, sobre a vida de Amílcar Cabral.

A Casa das Letras publica a biografia do presidente da Ucrânia, da autoria de Sergii Rudenko, que em 38 capítulos revela as diferentes etapas da vida de Volodymyr Zelensky. Da infância à guerra russo-ucraniana de 2022, os últimos capítulos de “Volodymyr Zelensky: Biografia” foram escritos num abrigo anti-bombas durante os ataques com mísseis do exército russo sobre a Ucrânia.

Do mesmo grupo editorial, mas publicado pela Oficina do Livro, chega este mês às livrarias outro dos livros finalistas do Prémio LeYa, “Três Mulheres no Beiral”, de Susana Piedade, uma saga familiar na Baixa do Porto, em torno da especulação imobiliária decorrente do turismo.

Entre as novidades da Porto Editora contam-se “Independência”, de Javier Cercas, uma sequela de “Terra Alta”, livro vencedor do prémio Planeta 2019 e estreia do autor no género policial, que traz de volta o protagonista Melchor Marín, assim como um livro de Bill Gates sobre pandemias, intitulado “Como prevenir a próxima pandemia”.

“Ao longe”, de Hernán Díaz, é o quarto título da coleção Contemporânea dos Livros do Brasil, dedicada ao melhor da literatura internacional da atualidade, que marca a estreia literária deste autor argentino, criado na Suécia e residente nos EUA, e que foi a surpresa entre os finalistas dos prémios Pulitzer em 2018, tendo sido igualmente finalista do PEN/Faulkner e vencedor do William Saroyan.

Considerada pelo Literary Hub um dos 20 melhores romances da década, esta obra reinventa o romance de aventuras, narrando uma viagem pelos EUA do século XIX. Na poesia, os destaques vão para “Paraíso”, de Pedro Eiras, que encerra o tríptico em torno da Divina Comédia de Dante, “O Olhar Diagonal das Coisas”, que reúne toda a poesia de Ana Luísa Amaral, e “Prosa”, que compila os livros que Eugénio de Andrade considerava ser a sua obra em prosa, todos editados pela Assírio & Alvim.

Ainda dentro do mesmo género literário, a Porto Editora publica “Uma mulher aparentemente viva”, de Cláudia R. Sampaio, na coleção de poesia “elogio da sombra”, com curadoria de Valter Hugo Mãe.

Entre as novidades da Relógio d’Água para este mês incluem-se “Quarenta e Oito Ensaios”, de Virginia Woolf, a obra poética “Herbarium”, de Emily Dickinson, e “Duas mulheres”, de Maria Filomena Mónica, história centrada na avó da autora, que foi adolescente nos ‘loucos anos 20’, e na mãe, que viveu sob o salazarismo.

A mesma editora publica ainda “A Morte Breve e a Democracia Imanente”, de José Gil, “Felix Mikailovitch”, de Amadeu Lopes Sabino, “Cartas do Pai: Cartas dos Pais Reclusos no Gulag aos Filhos”, com prefácio de Liudmila Ulítskaia, “Da Guerra”, de Carl von Clausewitz, e “O Rio Amur: Entre a Rússia e a China”, de Colin Thubron.

A editorial Presença aposta na publicação de “Assombro”, o novo romance do escritor Richard Powers, que se debruça sobre a relação pai-filho e que foi nomeado para vários prémios, entre os quais o Booker e o National Book Award.

O seu romance anterior, “The overstory”, venceu o Prémio Pulitzer e o autor é considerado um dos maiores nomes do romance contemporâneo americano. A mesma editora vai publicar também “Queimar livros”, de Richard Ovenden, uma obra sobre a história global da destruição dos livros desde a antiga Alexandria até à contemporânea Sarajevo.

As novidades da Antígona para este mês incluem o romance “A Fábrica do Absoluto”, de Karel Čapek, traduzido diretamente do checo, com ilustrações do irmão do autor, retiradas da edição original, e prefacio de Mário de Carvalho; e também o livro de contos “As Convidadas”, de Silvina Ocampo, escritora praticamente inédita em Portugal até 2021, ano em que esta editora lançou “A Fúria e Outros Contos”, e a Snob publicou “Dias da noite”. Da autora argentina tinha a Oficina do Livro editado em 2009 “Quem Ama, Odeia”, novela a quatro mãos escrita com o seu companheiro de vida, Adolfo Bioy Casares.

“A Loucura de Hölderlin – Crónica de Uma Vida Habitante (1806-1843)”, de Giorgio Agamben, é uma das novidades das Edições 70 para este mês, relato dos 36 anos que Hölderlin, fundador do idealismo alemão, passou fechado num quarto, numa torre com vista para o rio Neckar.

Em “Córidon”, de André Gide, publicado também pelas Edições 70, o Prémio Nobel da Literatura francês procura a resposta às perguntas “o que é a homossexualidade?” e “como e porque se é homossexual?”.


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