Faixa Atual

Título

Artista

Background

Maestro Pedro Amaral dirige Sinfónica da RAI

Escrito por em 03/05/2022

O maestro português Pedro Amaral vai dirigir este mês a Orquestra Sinfónica Nacional da RAI de Turim, no âmbito do 31.º Festival Milano Musica, uma edição dedicada à paz, com recolha de fundos para refugiados ucranianos.

Inspirado no mito grego de Orfeu, de que apresentará diferentes versões musicais, o festival toma para tema “Suoni d’ombra. Orfeo, Euridice, Hermes”, reconhecendo a necessidade de ultrapassar os “sons das sombras”, até à luz e à serenidade da paz, e reserva 10% da venda de bilhetes ao fundo MilanoAiutaUcraina (Milão Ajuda a Ucrânia), de apoio aos refugiados do país em guerra, como destacou o responsável da vereação da Cultura de Milão Tommaso Sacchi, em declarações à imprensa italiana.

Pedro Amaral dirige um concerto, no próximo dia 16, às 20:00 locais (19:00, em Portugal Continental e Madeira), no Teatro Alla Scala de Milão, no norte de Itália, em memória de Luciana Pestalozza (1947-2012), cofundadora do certame, e do maestro Claudio Abbado (1933-2014), um dos mais destacados a nível mundial, que foi um dos diretores deste teatro italiano.

Será solista o violinista russo Vadim Repin, e o concerto vai ser transmitido em direto pelo canal três da rádio italiana (RAI). Uma hora antes do início (19:00, locais), será realizada uma conversa com o musicólogo Franco Pulcini no Ridotto dei Palchi Arturo Toscanini, naquele teatro.

Em declarações ao jornalista Nuno Lopes, da Lusa, Pedro Amaral disse que “o concerto foi programado muito antes da atual situação geopolítica, mas, neste momento, assume um caráter inevitavelmente simbólico”.

O programa é constituído pela estreia em Itália de uma peça da compositora russa Sofia Gubajdulina, “Dialog: Ich und Du”, concerto para violino e orquestra, e da nova versão de “La Sindone”, para violino e orquestra, de Arvo Pärt. Será também interpretada a Sinfonia n.º 15 em Lá Maior, a derradeira, de Dmitri Chostakovitch, um dos compositores mais perseguidos por Estaline, na antiga União Soviética, que usou o humor e a ironia para resistir. A sua última sinfonia, concluída em 1971, ficou conhecida pela serenidade e pela densidade das passagens meditativas.

O violinista russo Vadim Repin dedica “o concerto à paz e aos valores democráticos da humanidade, fraternidade e solidariedade entre os povos” e doa-o ao ”Fondo per la nuova musica Milano”, instituído pela associação promotora do Festival, para a encomenda de novas obras, apoiando o “Fundo para a nova música”, segundo nota divulgada pela organização.

Pedro Amaral é atualmente professor na Universidade Évora. Compositor e maestro, dirigiu a Orquestra Metropolitana de Lisboa de 2013 a 2020, como regente titular e diretor artístico.

Nascido em Lisboa, em 1972, Pedro Amaral iniciou os seus estudos em composição como aluno particular de Fernando Lopes-Graça (1906-1994), a partir de 1986, e, paralelamente, estudou no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde se manteve até 1991. Ingressou em seguida na Escola Superior de Música de Lisboa (1991/94) onde concluiu o curso de composição na classe de Christopher Bochmann.

Partiu seguidamente para estudar com o compositor Emmanuel Nunes (1941-2012), no Conservatório Superior de Paris, onde se graduou com o Prémio em Composição, por unanimidade do júri. Estudou ainda direção de orquestra com Peter Eötvös, no Eötvös Institute, na Hungria (2000), e com Emilio Pomarico, na Escola Cívica de Milão (2001).

Paralelamente à formação musical prática, obteve, no final dos anos de 1990, na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, o Mestrado em Musicologia Contemporânea com uma tese sobre “Gruppen”, de Karlheinz Stockhausen, com quem trabalhou como assistente em diferentes projectos e, em 2003, um doutoramento com uma tese sobre “Momente”, do compositor alemão, e a problemática da forma na música serial.

Em 2010, a London Sinfonietta estreou a sua ópera “O sonho”, a partir de um drama inacabado de Fernando Pessoa. O Festival Milano Musica abre no próximo sábado e, até 11 de junho, a sua programação, inclui compositores de diferentes gerações, destacando-se produção contemporânea de criadores como Helmut Lachenmann, Thomas Adès e Rebecca Saunders, e apresenta 10 estreias absolutas e 16 em palcos transalpinos.

O certame mobiliza a capital do norte de Itália, decorrendo em onze das principais salas de concerto da cidade, do Alla Scala ao Pirelli HangarBicocca, passando pelo Conservatório e o Auditório Verdi.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta