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Agentes culturais do Norte querem financiamento próprio

Escrito por em 03/05/2022

Os representantes de 50 entidades do setor cultural e criativo (SCC) da região Norte pediram hoje “financiamento próprio e linhas de apoio adequadas às especificidades deste setor da economia” no próximo quadro comunitário Norte 2030.

São 50 as recomendações que saíram da reunião de representantes de 50 entidades culturais do Norte do país, “uma amostra representativa da realidade e diversidade do setor (do público ao privado)”, das quais se destacam “sete linhas orientadoras, transversais a todas as áreas”.

O grupo, dividido em cinco grupos de trabalho, reuniu a 19 de abril, mas as diretrizes só foram hoje reveladas. É sugerida a “criação de uma política de intervenção para o SCC na região Norte e uma aposta em concursos e dotações específicas para o setor”.

Em declarações à jornalista Inês Linhares Dias, da Lusa, Cláudia Leite, administradora do Theatro Circo, em Braga, explicou que “não tem sido tratada a cultura ‘per si’”. “Muitas vezes, há falta de pensamento específico para a área cultural, e quando os concursos surgem, são definidos de forma geral, para todas as áreas, e não têm em consideração as especificidades dos diferentes setores”, prosseguiu.

A representante afirmou que “não faz sentido um projeto na área cultural estar a concorrer com projetos da área da saúde” e defendeu a criação de “avisos que sejam dirigidos à área cultural sem que tenha por trás a necessidade de contribuir para a criação de camas na região”.

“Os projetos culturais também têm muitos outros contributos de uma perspetiva económica, financeira, de emprego, de criação valor, de marca do território”, lembrou. Cláudia Leite disse que quer “que se perceba que há necessidade de fazer outros investimentos na área cultural específicos, por exemplo, no domínio da acessibilidade, no domínio do ambiente”.

É nesse sentido que se reivindica a “criação de avisos específicos para o SCC no âmbito dos diferentes programas operacionais (i.e. ambiente, digitalização, políticas e cidade, etc.)”.

O “profundo desconhecimento daquele que é o estado da arte do setor” indicia a necessidade de “criação de um observatório dedicado à criação de informação e conhecimento para o setor a nível regional, capaz de informar as decisões de políticas públicas e gestão do setor, mas também de apoiar o trabalho de empresas e outras instituições no terreno”.

São ainda recomendados apoios “à contratação de profissionais altamente qualificados e à manutenção de equipas”, a utilização de “informação e comunicação acessível” e a “aposta no financiamento aos espaços de criação descentralizados – centros de recursos partilhados – enquanto motores da criação artística e criativa local”.

A “necessidade de criação deste grupo de trabalho parte de uma primeira iniciativa da CCDR-Norte”, adiantou a responsável, salientando que, de todas as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, esta “é aquela que sempre demonstrou, desde o início, uma vontade de criação de um programa muito específico para a área cultural”.

Esta iniciativa surge “num contexto marcado por uma ausência de uma política para o setor, após um quadro comunitário de apoios (Portugal 2020) que não previu uma dotação específica para a Cultura, e depois de dois anos em que o setor viu a sua atividade interrompida”, realça o comunicado emitido por este grupo.


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