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Relógio d’Água celebra 40 anos

Escrito por em 24/04/2022

Diários de Patricia Highsmith, uma biografia de Hannah Arendt, novos livros de autores portugueses e os centenários do nascimento de Agustina Bessa-Luís, da morte de Proust e da edição de “Ulisses” de Joyce marcam 40 anos da Relógio d’Água.

No ano em que assinala o seu 40.º aniversário, a Relógio d’Água, fundada em novembro de 1982, mantém o mesmo perfil de editora independente e “fiel ao seu entendimento de que deve ser avaliada tanto pelos bons livros que publica como pelos maus livros que sabe evitar”, afirmou o editor Francisco Vale, em comunicado.

Tendo começado com autores portugueses como Hélia Correia, José Gil, Rui Nunes, João Miguel Fernandes Jorge e Ana Teresa Pereira, que ainda publica, a editora tem agora um catálogo com cerca de mil e oitocentos títulos, acrescentou.

Assim, e ainda no contexto da literatura portuguesa, a Relógio d’Água vai lançar durante este ano novos títulos de Gonçalo M. Tavares (“A Pedra e o Desenho”, com ilustrações de Julião Sarmento), de Djaimilia Pereira de Almeida, Sandro William Junqueira, Amadeu Lopes Sabino (“Felix Mikailovitch”), e “Obras Escolhidas” de Ana Teresa Pereira.

A programação editorial para este ano foi avançada por Francisco Vale como forma de “comemorar” o aniversário da editora, até porque integra “três importantes centenários”: o nascimento de Agustina Bessa-Luís, a morte de Marcel Proust e a edição de “Ulisses”, de James Joyce.

Para celebrar o centenário de Agustina Bessa-Luís, será publicado o “Livro de Prefácios” às suas obras; “As Sibilas — Diálogos em sfumato”, de Mónica Baldaque; uma antologia de entrevistas reunidas e apresentada por Lourença Baldaque e livros como “Breviário do Brasil” (com prefácio de Anamaria Filizola), e “A Alma dos Ricos”.

Paralelamente, o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís vai impulsionar debates e iniciativas em ligação com diversas autarquias e instituições. Os cem anos de “Ulisses”, considerada a obra-prima de James Joyce e um dos clássicos mundiais, serão celebrados no dia 16 de junho, o Bloomsday (dia instituído na Irlanda para homenagear a personagem Leopold Bloom, protagonista do romance), com o lançamento de uma edição em capa dura.

Francisco Vale recorda que a tradução de “Ulisses” da Relógio d’Água, feita por Jorge Vaz de Carvalho, recebeu o Grande Prémio de Tradução Literária APT/SPA, em 2015. Para assinalar os cem anos da morte de Marcel Proust em novembro de 1922, a editora vai lançar uma promoção especial dos sete volumes de “Em Busca do Tempo Perdido”, traduzido pelo poeta Pedro Tamen, e publicar algumas outras obras menos conhecidas do autor.

Na ficção traduzida, a editora destaca o lançamento de dois novos romances de Cormac McCarthy, de “Querida Kitty”, de Anne Frank, “A Estrela da Manhã”, de Karl Ove Knausgård, e “My Year of Rest and Relaxation”, de Ottessa Moshfegh.

Outros livros de ficção traduzida que a editora planeia trazer ao mercado literário nacional são “Matriz”, de Lauren Groff, “Moon Witch, Spider King”, de Marlon James, “Small Things like These”, de Claire Keegan, “Our Missing Hearts”, de Celeste Ng, “The Marriage Portrait”, de Maggie O’Farrell, “Inquietos”, de Linn Ullmann, “Memória da Memória”, de Maria Stepanova, e “Casa”, de Marilynne Robinson.

A Relógio d’Água prossegue também com a publicação de obras de ficção científica, destacando “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes, e a continuação da série “Duna”. No ensaio, além de continuar a publicar Montaigne, vai editar uma antologia de textos de Robert Musil, “Duas Mulheres”, de Maria Filomena Mónica, “Nadar num Lago à Chuva”, de George Saunders, e “Infocracia”, de Byung-Chul Han.

Outros ensaios abordarão temas da atualidade como a Rússia de Putin (“O Futuro É História”, de Masha Gessen), ou “Belt and Road: A Chinese World Order”, de Bruno Maçães, “Da Guerra”, de Carl von Clausewitz, e “O Fim do Mundo Clássico”, de Peter Brown.

Na coleção de filosofia, o destaque vai para “A Morte Breve e a Democracia Imanente”, de José Gil, e “Reflexos Primitivos”, de Peter Sloterdijk. Os clássicos, uma das grandes marcas da editora, continuam com a edição de romances de Gogol, de Charles Dickens, Fiódor Dostoiévski, Charlotte Brontë e George Eliot.

Nas biografias e diários, depois de “Diário do Escritor”, de Fiódor Dostoiévski, serão publicados os diários de Patricia Highsmith, uma biografia de Hannah Arendt, a correspondência de Virginia Woolf e “Todas as Cartas”, de Clarice Lispector.

Em novembro, a editora publica “A Filosofia da Canção Moderna”, novo livro do músico norte-americano Bob Dylan, Nobel da Literatura em 2016, que reúne os primeiros textos de Dylan depois de receber o Nobel da Literatura, e representa o seu primeiro livro em 18 anos, depois de ter publicado em 2004 o biográfico “Crónicas, volume 1”.

Ainda no campo dos “músicos que refletem sobre a sua arte”, será publicado “Faith, Hope and Carnage”, que dá a conhecer aspetos da vida de Nick Cave nos últimos anos e as suas reflexões sobre arte, música, fé e sofrimento.

Na poesia, a Relógio d’Água prossegue a edição de obras de Paul Celan (começando por “Sete Rosas mais Tarde”), Emily Dickinson (“Herbarium”, traduzido por Ana Luísa Amaral), “Políticas de Poder”, de Margaret Atwood, a reedição de obras de Hölderlin e Brecht e dois títulos de José Gardeazabal.


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