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“Património do século XX está ameaçado”

Escrito por em 24/04/2022

O presidente do Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP), Rui Leão, alertou hoje que o património construído no século XX nos países lusófonos “está em grande risco de vir a desaparecer em massa”.

“Em Portugal menos, mas nos outros países – incluindo em Macau – o património está muito mal protegido, porque não existe enquadramento suficiente, estudo contínuo e força política também”, disse à Lusa o arquiteto radicado em Macau.

“Já tem desaparecido património muito bom” em Angola, lamentou o presidente do CIALP, e também em Moçambique e Cabo Verde há a “tentação” de demolir edifícios do século XX “porque dá jeito em termos políticos ter mais dois ou três andares”.

Rui Leão lembrou ainda o caso do Palácio Gustavo Capanema, “das peças mais essenciais do património do século XX brasileiro”, que foi colocado pelo governo numa lista de imóveis a serem leiloados.

Em fevereiro, um tribunal do Rio de Janeiro deu razão ao Ministério Público Federal e proibiu o governo de aceitar qualquer proposta de compra do palácio, “o que poderia levar a alterações indesejadas”.

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai discutir na primeira semana de maio uma proposta do CIALP para estabelecer uma listagem de “património notável” do século 20, revelou Rui Leão.

Há dois anos que um grupo de trabalho do CIALP tem vindo a discutir os critérios para cada país, disse o arquiteto. Apesar da listagem não ter um caráter vinculativo, se for adotada pela CPLP, “vai-nos permitir trabalhar mais a fundo, aí já com equipa de pesquisa e universidades associadas”, acrescentou Rui Leão.

O presidente do CIALP diz ter esperança de que a Comissão do Património Cultural da CPLP, criada em 2017, possa ser um “interlocutor” na proteção do património arquitetónico lusófono.

O património do século 20 será o tema de uma das duas mesas redondas que o CIALP vai coorganizar em Luanda, entre 3 e 5 de maio, no âmbito da terceira edição da Capital da Cultura da CPLP.

A iniciativa, que irá celebrar o dia mundial da língua portuguesa, 5 de maio, vai decorrer na capital de Angola, que exerce atualmente a presidência rotativa da CPLP. O CIALP tem como membros as ordens ou organismos profissionais de arquitetos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização não-governamental representa “mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, disse à Lusa em julho Rui Leão. O CIALP, fundado em 1991, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, com sede em Lisboa, é parceiro institucional da União Internacional dos Arquitetos (UIA) e observador consultivo da CPLP.

Arquitetos lusófonos preparam guia de boas práticas em desenvolvimento sustentável

O Conselho Internacional dos Arquitetos de Língua Portuguesa (CIALP) está a preparar um guia com exemplos de boas práticas nos países lusófonos, para promover o desenvolvimento sustentável.

O CIALP vai lançar em junho um apelo à candidatura dos projetos que “dão melhores respostas os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU”, disse à Lusa o presidente do conselho, Rui Leão.

“Já temos coisas boas a acontecer [nos países de língua portuguesa], se calhar ainda não estão nas revistas”, explicou o arquiteto radicado em Macau. Rui Leão apontou como bons exemplos as políticas “de construção de habitação com recursos existentes”, em Moçambique, e “as políticas de autoconstrução e de trabalho comunitário” em Cabo Verde.

O presidente do CIALP defendeu que os países africanos de língua portuguesa estão “já muito perto” de se tornarem uma referência da “arquitetura de habitação comunitária, de projetos à escala social”.

O guia pretende “apontar o caminho de como construir de uma forma responsável”, não só ao utilizar recursos locais, mas também “criar dinâmicas de produção de recursos”, disse o arquiteto.

“Há zonas onde existe argila de grande qualidade, mas usa-se cimento, que é altamente poluente, tem de se criar uma logística enorme, quando a população local, com o mínimo de formação, era capaz de produzir os recursos para fazer aquele mesmo projeto”, sublinhou Rui Leão.

O presidente do CIALP lembrou a atribuição, em março, do prémio Pritzker 2022 a Francis Keré, o primeiro profissional africano a conquistar o mais importante galardão da arquitetura mundial.

O arquiteto do Burkina Faso é “um pioneiro da arquitetura – sustentável para a terra e para os seus habitantes – em terrenos de extrema escassez”, disse o júri do prémio, que realçou, entre outros projetos, a escola Benga Riverside, em Moçambique.

“Uma coisa que ele fez com os primeiros projetos, foi fazer formação para os aldeões poderem usar e construir com os materiais locais. Ou seja, criar conhecimento”, sublinhou Rui Leão.

O desenvolvimento sustentável será o tema de uma das duas mesas redondas que o CIALP vai coorganizar em Luanda, entre 3 e 5 de maio, no âmbito da terceira edição da Capital da Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A iniciativa, que irá celebrar o dia mundial da língua portuguesa, 5 de maio, vai decorrer na capital de Angola, que exerce atualmente a presidência rotativa da CPLP. O CIALP tem como membros as ordens ou organismos profissionais de arquitetos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A organização não-governamental, fundada em 1991, com sede em Lisboa, representa “mais de 230 mil arquitetos”, o que corresponde “a 18% dos arquitetos mundiais”, disse à Lusa em julho Rui Leão.


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