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Narrativa quer ser “ponto de encontro da Fotografia em Lisboa”

Escrito por em 23/04/2022

O espaço Narrativa pretende ser um “ponto de encontro da Fotografia em Lisboa”, vai acolher exposições, debates e ações de formação e tem disponível uma biblioteca, sendo inaugurado na segunda-feira, em simultâneo com uma mostra coletiva.

O espaço, na zona da Avenida de Roma, surgiu no seguimento da ‘masterclass’ Narrativa, da responsabilidade do fotojornalista Mário Cruz, “que junta todos os anos um grupo de pessoas para realizar projetos documentais e autorais”.

“Passadas três edições e [depois] de ter recebido tanto reconhecimento pelos projetos que foram realizados nessas ‘masterclasses’, achei que a Narrativa podia crescer e colmatar uma falha que existe há muito tempo, que é ter um ponto de encontro da Fotografia em Lisboa”, disse Mário Cruz, em declarações à jornalista Joana Ramos Simões, da Lusa.

O projeto “é bastante inspirado no Bronx Documentary Center, um centro de fotografia em Nova Iorque, que vive sobretudo para a comunidade, mas tem a preocupação de levar a Fotografia a todas as pessoas, nomeadamente das camadas mais jovens”.

Ao ser um “ponto de encontro da Fotografia em Lisboa”, a Narrativa é “também um local que estimula a literacia visual, que procura a comunicação através da fotografia – através do livro, da exposição, da conferência e debate, ou de ações de formação pontuais”.

Além disso, este espaço pretende ser também, “sem dúvida alguma, uma plataforma para fotógrafos emergentes”. “A Narrativa procurará mostrar trabalhos de referência, de fotógrafos já com provas dadas, mas o foco principal é nos fotógrafos emergentes”, referiu Mário Cruz, alertando para a “grande dificuldade que há em encontrar espaços de exposição para fotógrafos que estão a dar os primeiros passos, ou que não têm nome, ou que não foram premiados”.

Embora seja “um espaço aberto a toda a Fotografia”, a Narrativa “tem essa particularidade de querer mostrar os novos nomes”. A inauguração do espaço, onde há uma biblioteca “que conta, para já, com mais de cem obras”, acontece na segunda-feira, às 18:00, em simultâneo com a inauguração da exposição “Narrativa 2021/2022”.

Na mostra, serão apresentados os trabalhos dos seis autores que participaram na edição mais recente da ‘masterclass’ de Mário Cruz: Alex Paganelli, André Dias Nobre, Maria Beatriz de Vilhena, Filipa Leite Rosa, João Pedro Cardoso e Mauro Silva.

A Narrativa “contará também, a partir deste ano, com a exposição dos Novos Talentos FNAC” de Fotografia. O espaço, embora conte com o apoio da FujiFilm, que existe desde a primeira edição da ‘masterclass’, é financiado pelo fotojornalista e, “para já, tem um ano de vida”, mas “terá mais, caso existam apoios, mecenas, que consigam identificá-lo como um local de acesso cultural”.

“Esperamos que o facto de a Narrativa poder ser um contributo para a literacia visual atraia a atenção e não seja só um ano de vida, sejam muitos mais”, disse. O espaço Narrativa situa-se no n.º 60 da Rua Professor Gama Barros.

A biblioteca e as exposições são de acesso gratuito, bem como as oficinas que irá haver para crianças e jovens. Apenas as formações para adultos serão pagas, à semelhança do que acontece com a ‘masterclass’.

Mário Cruz, de 34 anos, conquistou em 2016 o primeiro lugar na categoria “Temas Contemporâneos” do World Press Photo, com um trabalho sobre a escravatura de crianças – dos meninos Talibés – no Senegal (“Talibés – Modern Days Slaves”), que deu origem a um livro, depois de publicado na Newsweek, e que constituiu um alerta global.

A mesma reportagem valeu ainda ao fotojornalista da agência Lusa o Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem Viana do Castelo. Em 2019, ficou em terceiro lugar na categoria “Ambiente”, em imagem ‘single’, com a fotografia de uma criança a recolher materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado de lixo, que flutua no rio Pasig, nas Filipinas, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990.

Com este trabalho, Mário Cruz venceu também a categoria Ambiente do prémio Estação Imagem 2019 Coimbra. Em 2020, foi distinguido nos Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores, pelo projeto “Vivendo entre o que é deixado para trás”, sobre o rio Pasig, que publicou em livro e mostrou em exposição.


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