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Novos romances de Cormac McCarthy chegam a Portugal

Escrito por em 22/04/2022

A Relógio d’Água vai publicar este ano os dois novos romances do escritor norte-americano Cormac McCarthy, “O Passageiro” e “Stella Maris”, que rompem um silêncio de 16 anos do autor.

No início de março, a editora norte-americana de Cormac McCarthy revelou que o escritor iria lançar este ano dois novos livros, “The Passenger” e “Stella Maris”, depois de ter estado afastado do meio literário desde que ganhou o Prémio Pulitzer em 2006 com “A estrada”.

No início deste mês, a Relógio d’Água ainda não estava em condições de confirmar a edição das duas novas obras de Cormac McCarthy, porque as negociações ainda estavam em curso, como revelou na altura à Lusa.

Os dois romances, sobre um irmão e uma irmã, estão interligados e serão publicados nos Estados Unidos com um mês de intervalo: “The Passenger” sairá no dia 25 de outubro e “Stella Maris” será publicado a 22 de novembro, revelou a editora Alfred A. Knopf.

Em Portugal sabe-se já que serão publicados também este ano, mas ainda não há detalhes quanto a datas. “O Passageiro” é um romance sobre “moralidade e ciência” e “o legado do pecado”, que Cormac McCarthy terá começado a escrever há décadas, enquanto “Stella Maris” é uma prequela de “O Passageiro”, passada oito anos antes.

A história de “O Passageiro” segue os irmãos, Bobby e Alicia Western, que “são atormentados pelo legado do seu pai, um físico que ajudou a desenvolver a bomba atómica, e pelo amor e obsessão de um pelo outro”, escreveu o The New York Times.

“Há um acidente de avião, um tesouro de moedas de ouro enterrado no subsolo e escondido em tubos de cobre, um raro violino Amati que desaparece, uma plataforma petrolífera abandonada no meio do oceano, e um carro de corrida italiano apreendido pelo IRS [agência federal norte-americana de cobrança de impostos] – um conto totalmente cativante”, adiantou em comunicado Jenny Jackson, editora de McCarthy na Knopf.

“O Passageiro” começa com Bobby, um mergulhador de salvamento que trabalha na Costa do Golfo em 1980, a explorar os destroços de um jato afundado, e a descobrir que a caixa negra, o saco do piloto e um dos passageiros mortos estão todos desaparecidos.

O romance de 400 páginas tem “o ritmo e as voltas de um ‘thriller’”, à medida que Bobby é arrastado para o mistério do acidente, acrescentou o jornal. “Stella Maris” assinala a estreia de McCarthy com uma protagonista feminina. O romance, de 200 páginas, segue a irmã de Bobby, Alicia, “um prodígio na matemática cujo intelecto assusta as pessoas e cujas alucinações tomam a forma de personagens, com as suas próprias vozes”.

“Há 50 anos que planeio escrever sobre uma mulher. Nunca serei suficientemente competente para o fazer, mas a dada altura é preciso tentar”, afirmou o escritor em 2009, numa entrevista ao Wall Street Journal.

A narrativa desenrola-se inteiramente em diálogo, como uma transcrição, entre Alicia e o seu médico numa instituição psiquiátrica em Wisconsin, em 1972, onde Alicia, uma candidata de 20 anos a um doutoramento em matemática na Universidade de Chicago, recebe um diagnóstico de esquizofrenia paranoide.

“Foi um formato escolhido por Cormac para permitir a Alicia explorar as suas obsessões, que pelo que posso dizer são as obsessões de Cormac”, disse Jenny Jackson, acrescentando que este “é um livro de ideias”.

McCarthy há muito que é fascinado por disciplinas científicas, e rodeou-se de especialistas em física teórica e matemática no Instituto de Santa Fé, um instituto de investigação onde é curador e ao qual está ligado há décadas.

Até agora, estes temas raramente foram uma característica proeminente da sua ficção, mas com “O Passageiro” e “Stella Maris” o escritor está a investigar mais diretamente questões sobre a intersecção da ciência com a moralidade e os limites do conhecimento humano.

Cormac McCarthy, 88 anos, é conhecido por romances apocalípticos e ‘western’, como “A Estrada”, “Meridiano de Sangue” e “Este país não é para velhos”, publicados em Portugal pela Relógio d’Água, que tem editado a sua obra.

“Este país não é para velhos” foi adaptado ao cinema pelos irmãos Coen e venceu o Óscar de melhor filme em 2008. Outras distinções de McCarthy incluem o National Book Award e o National Book Critics Circle Award pelo romance “Belos cavalos”.

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