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“Saigão” marca estreia de Caroline Nguyen no TDM

Escrito por em 21/04/2022

A nostalgia das memórias partilhadas pelas personagens francesas, vietnamitas e francesas de ascendência vietnamita, que só existem em si mesmas, são o centro da peça “Saigão”, que se estreia na sexta-feira no Teatro Nacional D. Maria II (TDM), Lisboa.

No palco da Sala Garrett, “Saigão” assinala também a estreia em Portugal da encenadora, dramaturga e realizadora francesa Caroline Guiela Nguyen, nascida em 1981, que também assina o texto da peça com a colaboração de toda a equipa artística.

Com o nome da capital da antiga Indochina Francesa (1859-1902) que passou a cidade vietnamita com a designação de Ho Chi Minh, em 1975, “Saigão” é um espetáculo construído sobre a história “de dois mundos que se conheceram há sessenta anos, e que, desde então, se amaram, se destruíram e se esqueceram mutuamente”, segundo o texto de apresentação do espetáculo, divulgado pelo Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII).

Na peça, atores e atrizes de todas as idades, uns profissionais e outros amadores, todos das nacionalidades que interpretam na peça, compartilham paisagens, rostos, canções e até alguma linguagem, que, para alguns, já não existe sem, todavia, a memória coletiva a ter apagado.

Com a ação centrada num restaurante, um ingrediente culinário, uma conversa, uma súbita mudança de língua, ou um tema cantado em karaoke, é quanto basta à companhia produtora do espetáculo, Les Hommes Approximatifs, para pôr em palco uma história coletiva, como se vê num vídeo da peça, quando da representação no L’Odéon Théâtre de L’Europe, em Paris, em 09 de janeiro de 2018.

Um restaurante enclausurado num espaço e num tempo entre a França atual e Saigão dos anos 1950, onde as personagens se encontram para comer, cantar, dançar ou amar, numa tentativa de celebrarem a vida, é o cenário da peça falada em francês e vietnamita, com legendas em português.

Resultado de um trabalho de imersão da criadora tanto em França como no Vietname, “Saigão”, estreada em 01 de junho de 2017 em La Comédie, em Valence, é um lugar ferido, como se vê no filme.

Uma terra onde falta sempre alguém, ou onde já sempre algo para lamentar, na qual o espectador é guiado por um caminho de lágrimas, num trabalho interpretado por onze atores em que Caroline Guiela Nguyen acaba por apresentar uma visão de França que extravasa os limites dados ao país e às suas fronteiras.

Com 03:20 de duração (com intervalo), o espetctáculo é apresentado no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França 2022. A interpretar estão Adeline Guillot, Anh Tran Nghia, Anne-Marie Ly-Cuong, Caroline Arrouas, Dan Artus, Hiep Tran Nghia, Hoàng Son Lê, Phú Hau Nguyen, Pierric Plathier, Thi Thanh Thu Tô e Thi Truc Ly Huynh.

“Saigão” é uma produção que juntou perto de 20 teatros, universidades, entidades e organismos franceses, entre os quais o Festival d’Avignon e o Instituto Francês do Vietname, e tem três récitas na sala Garrett: na sexta-feira e no sábado, às 19:00, e, no domingo, às 16:00.

De 26 a 27 de abril, o Teatro Municipal S. Luiz apresentará outro espetáculo da dramaturga, encenadora e realizadora francesa. Trata-se de “Fraternité, conte fantastique” (“Fraternidade, conto de fantasia ou conto fantástico”, numa tradução livre), que terá duas representações, ambas às 20:00, na sala Luis Miguel Cintra.

“Um espetáculo que espelha” o trabalho que a criadora e sua companhia têm realizado, juntando ficção e realidade e acreditando sempre que o imaginário do ser humano é a sua grande arma”, lê-se na apresentação do espetáculo, no ‘site’ do S. Luiz.

Em cena, está “um lugar imaginado, uma espécie de tribunal de memórias e de lágrimas, um centro de cuidados e de consolação”, acrescenta. “Neste mundo, os seres amados estão Ausentes”, sem nenhuma explicação. Sobram os Restantes, que “magoados, procuram a cura para esta dor sem fim”, prossegue o S. Luiz.

Apresentada igualmente no âmbito da Temporada Cruzada, “Fraternité, conte fantastique” está integrada num ciclo que inclui ainda mais duas peças de teatro e um filme, sobre os próximos 100 anos, “na tentativa de construir uma filiação intelectual e afetiva entre nós e o futuro e olhando a forma como os seres humanos se colocam ao lado uns dos outros”, acrescenta o S. Luiz.

Com duração de três horas (com intervalo), “Fraternité, conte fantastique” é falada em francês, com legendas em português, e terá duas representações, às 20:00. Com texto e encenação de Caroline Guiela Nguyen, a interpretar estão Dan Artus, Saadi Bahri, Boutaïna El Fekkak, Hoonaz Ghojallu, Youssouf Gueye, Maïmouna Keita, Nanni, Elios Noël, Jean-Claude Oudoul, Alix Petris, Saaphyra, Vasanth Selvam, Hiep Tran Nghia, Anh Tran Nghia, Mahia Zrouki.

Tanto “Saigão” – um texto laureado pela comissão francesa de ajuda à criação de textos dramáticos –, como “Fraternité, conte fantastique” têm colaboração artística de Claire Calvi, cenografia de Alice Duchange e figurinos de Benjamim Moreau.


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