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Bienal de Cerveira expõe obras criadas com computadores

Escrito por em 21/04/2022

O museu da Bienal de Arte Internacional de Vila Nova de Cerveira vai expor, pela primeira vez, obras de arte criadas com recurso a programação e a algoritmos, concebidas por sete artistas portugueses.

Em comunicado enviado às redações, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) adiantou que a mostra, a inaugurar no sábado, apresenta as obras de “sete criadores portugueses, de diferentes gerações, cuja prática incide sobre a computação e os novos media”.

“A partir de seis trabalhos, de vários formatos e modalidades, será explorado o caráter experiencial, situado, performático e experimental da arte computacional e como a computação traz à arte um conjunto de dualidades”, sublinhou a FBAC.

Segundo a FBAC, aquele “conjunto de dualidades” traduz-se na relação “entre digital e analógico, material e imaterial, superfície e subfície, determinismo e imprevisibilidade, que permite o desenvolvimento de relações estéticas muito características e participativas, mesmo em contextos que não recorrem à interação”.

“Partindo destas dualidades, pretende-se investigar como os programas destas obras lhes permitem desenvolver relações entre si, com o espaço do Museu e com os visitantes, e como essas interações são agentes potenciadores de uma leitura da diversidade da arte computacional portuguesa”, explicam os curadores da exposição, Miguel Carvalhais e Luís Pinto Nunes, citados na nota.

A exposição de arte computacional e novos media vai ser inaugurada, no sábado, às 15:30, no “Espaço/Programa” do museu Bienal de Cerveira até 12 de junho. Naquele espaço vão estar patente os trabalhos “mapeamento de Ana Carvalho, a instalação bio eletrónica de André Sier, suportadas pela recolha e análise de dados, a dualidade da inteligência artificial ensaiada por João Martinho Moura, as memórias generativas de Mariana Vilanova, a série de esculturas sonoras dialogantes de Pedro Tudela e Miguel Carvalhais e o mecanismo de emulação de cordas vocais de Diogo Tudela”.

A inauguração da exposição “incluirá uma visita guiada comentada pelos artistas e palestras de três convidados que exploram o pensamento crítico em torno da arte e da estética computacionais”.
O “Espaço/Programa” prevê, ainda, “o lançamento de uma publicação em junho e que desenvolverá atividades satélite no gnration em Braga, também a partir deste sábado no programa ‘Órbita’, bem como no Museu Zer0 no Algarve, com uma extensão da exposição no verão”.

O evento integra o projeto “Fundação Bienal de Arte de Cerveira: a Arte Contemporânea integrada na sociedade e no mundo”, apoiado pela Direção-Geral das Artes. Além da abertura da exposição de arte computacional e novos media, será ainda inaugurado o espaço “Estação do Tempo do Moderno ao Contemporâneo” de Vila Nova de Cerveira, no âmbito do projeto “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo”, promovido pela Comunidade Intermunicipal (CIM) Alto Minho e pelo município de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo.

A 22.ª Bienal de Arte de Cerveira, que decorrerá entre 16 de julho a 31 de dezembro, vai mostrar 96 obras de 77 artistas, naturais de 18 países. Aquelas obras foram selecionadas pelo júri do concurso internacional entre “um número recorde de 1.164 obras” que se apresentaram a concurso, “num total de 741 candidaturas de artistas, oriundos de 50 países”.

As 96 obras que vão ser apresentadas ao público, da autoria de 77 artistas “maioritariamente provenientes de países como Portugal, Brasil, Espanha, Itália, Alemanha e França” refletem, segundo a diretora artística da bienal, Helena Mendes Pereira, “o reconhecimento e importância do evento no panorama nacional e internacional da arte contemporânea”.

A 22.ª edição da bienal de arte “propõe-se refletir sobre questões globais fraturantes, como a sustentabilidade, as alterações climáticas, a equidade entre géneros e etnias ou a urgência da paz”.

No ano em que a bienal comemora 44 anos, tem como tema “We must take action!/Devemos agir!” num apelo à reflexão sobre as emergências globais. O evento vai ainda homenagear Helena Almeida (1934-2018), 38 anos depois da participação da artista plástica na quarta edição da bienal, em 1984, na qual foi premiada pela obra “Saída Negra”.

A XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira irá manter o seu formato híbrido, conjugando exposições e eventos de fruição presencial, com atividades no meio digital, como as entrevistas com artistas, visitas guiadas, ‘performances’ e intervenções artísticas, entre outras ações.


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