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Série mostra o preço da ambição em Hollywood

Escrito por em 18/04/2022

A nova série “Swimming with Sharks”, protagonizada por Diane Kruger, Kiernan Shipka e Donald Sutherland, em estreia na plataforma Roku, examina as dinâmicas de poder e os caminhos tortuosos a que a ambição em Hollywood pode levar.

“Hollywood é uma indústria particularmente complicada, porque é um sítio que atrai pessoas de todo o mundo para se reinventarem, e sempre terá esta aura de ser um lugar mágico”, disse à jornalista Ana Rita Guerra, da Lusa, Kathleen Robertson, atriz conhecida pelos papéis em “Beverly Hills 90210” e “Bates Motel”, que escreveu a nova série.

“As taxas de sucesso são tão baixas. A percentagem de atores que são trabalhadores no Sindicato dos Atores é ridiculamente baixa”, referiu. “As hipóteses de alguém conseguir ser estagiário ou um assistente também são tão ridiculamente baixas que isso leva a competição intensa e a um ambiente de cortar à faca”, continuou. “Esse é absolutamente um elemento disto. Continuará a ser assim não importa o que aconteça, porque a proximidade à grandeza é intoxicante”.

A história segue a ambiciosa Lou Simms (Kiernan Shipka), que consegue um estágio na Fountain Pictures com a poderosa executiva Joyce Holt (Diane Kruger). As suas intenções são dúbias desde o início e as suas ações enveredam por caminhos sem saída à medida que a trama avança.

“Penso que é uma figura muito interessante para explorar”, disse à Lusa a atriz Kiernan Shipka, conhecida pelos papéis em “Mad Men” e “As Arrepiantes Aventuras de Sabrina”. “Fui buscar muita da minha fadiga física e emocional com as filmagens de ‘Sabrina’ e levei-a para a vulnerabilidade deste papel, o que foi bom”, afirmou. “Canalizei coisas da minha vida para este papel, algo que ainda não tinha tido a oportunidade de fazer anteriormente”.

A ideia de base de “Swimming with Sharks” é o filme de 1994 com Kevin Spacey, Frank Whaley e Benicio del Toro, que em Portugal se chamou “O Preço da Ambição”, sobre um produtor tirânico e o seu jovem assistente.

No entanto, a versão de Kathleen Robertson é radicalmente diferente do filme. Combina elementos da cultura abusiva e sexista da indústria do cinema com uma história complexa sobre a dinâmica entre duas mulheres muito diferentes, a executiva e a assistente.

“Sinto que as únicas semelhanças com o filme original são o título e ser no mundo de Hollywood, com esta relação entre mentora e aprendiz”, explicou Kathleen Robertson. “A componente que eu queria mesmo explorar era estas duas mulheres e o seu relacionamento”.

Um dos episódios mergulha mais a fundo nos temas trazidos para a ribalta pelo movimento Time’s Up e Me Too, sendo a personagem interpretada por Donald Sutherland, Redmond, ilustrativa da velha forma de fazer as coisas.

“A personagem de Donald Sutherland, o velho homem branco, é representativo de um protótipo de Hollywood muito específico”, disse Kathleen Robertson. “O lado positivo é que esse tipo de ‘players’ é uma espécie em extinção, literal e figurativamente”, considerou. “Penso que o tipo de comportamento que sempre foi aceite e tolerado já não o é”.

Kiernan Shipka, que salientou ter sido sempre muito protegida na indústria, também considerou que as coisas estão a mudar. “Todas as indústrias têm problemas que precisam de ser abordados e penso que as coisas estão finalmente a ser debatidas”, indicou. “As agulhas estão a mexer-se e as coisas estão a mudar. Consegue ser muito feio, e obviamente tem sido muito feio, traumático, violento para muita gente”.

Robertson, que começou a representar quando tinha dez anos, confirmou ter contactado com esse tipo de pessoas, testemunhado episódios e ouvido muitas histórias. “Mentiria se dissesse que não há elementos disto que foram diretamente extraídos de experiências que tive, que amigos tiveram, ou coisas que ouvi”.

Ainda assim, Robertson não partiu para o projeto a pensar escrever uma crítica a Hollywood, mas sim a querer explorar o relacionamento “não convencional, estranho, distorcido” entre as personagens de Kruger e Shipka.

“Estava mais focada nas suas jornadas interiores, onde estavam e para onde iam, do que num comentário à indústria do entretenimento ou onde estamos como sociedade”, salientou.

O resultado é uma série com múltiplas abordagens e um desenvolvimento diferente do que se espera. Com seis episódios, deixa em aberto uma segunda temporada, algo que Kathleen Robertson gostaria de fazer.

“Swimming with Sharks” é uma produção Lionsgate Television e Roku, que originalmente tinha sido prevista para a plataforma Quibi, entretanto descontinuada. Estreou-se nos Estados Unidos na sexta-feira, sem que haja informações quanto à exibição em países para lá dos EUA, Canadá e Reino Unido.


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